Wagner moura torce para novo oscar com 'o agente secreto'

Wagner Moura torce para novo Oscar com ‘O Agente Secreto’ – 07/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

O ator Wagner Moura diz fazer votos por um repeteco brasiliano no Oscar com “O Agente Secreto”, novo filme de Kleber Mendonça Rebento que se passa durante a ditadura militar nos anos 1970, mesma estação da história de “Ainda Estou Cá”, ganhador da estatueta de filme estrangeiro neste ano.

Enquanto “Ainda Estou Cá” é fundamentado em fatos reais, no assassínio do ex-deputado Rubens Paiva, “O Agente Secreto” é um trabalho de pura ficção, pontuado por elementos surrealistas.

Ainda assim, diretor e ator disseram que a trama acabou tirando inspiração das experiências de perseguição política que ambos sofreram no governo de Jair Bolsonaro. No filme, um pesquisador acadêmico —papel de Moura— é perseguido e se refugia numa espécie de colônia com outras vítimas.

“O Kleber sofreu muita perseguição. E eu sofri muito com o negócio do ‘Marighella’”, disse Moura, citando o filme com o qual fez sua estreia na direção, sobre a vida do ativista político Carlos Marighella, morto em 1969. O ator alega ter sofrido increpação para lançá-lo.

“O filme do Kleber é sobre a insuficiência, a injustiça. A gente viveu um período muito duro para os artistas e para qualquer pessoa que tinha qualquer siso de apreço pela democracia e até de respeitabilidade humana”, acrescentou o ator, em seguida uma sessão do filme em Los Angeles para membros da Ateneu e eleitores do Mundo de Ouro, na quarta-feira passada.

Mendonça Rebento disse que levou dois anos para redigir “O Agente Secreto” e só percebeu no meio do processo que não fazia somente um filme de estação. “Era sobre um Brasil atual, particularmente aquele período que tivemos e que ainda muito acabou faz dois anos. Trouxemos a democracia de volta.”

“A história é ficcional, mas é sobre a lógica do país, a lógica nordeste e sudeste, a lógica da depravação, da polícia, da ateneu”, continuou. “E também a lógica do paixão, das pessoas se juntarem para se protegerem. É sobre muita coisa.”

Na trama, Marcelo (Moura) volta à sua cidade natal, Recife, em procura do fruto, e chega no meio da semana do Carnaval. Seu pretérito é misterioso, e a cidade vive dias estranhos, com uma aparição bizarra que ataca as pessoas na calada da noite. O filme conta também com Maria Fernanda Cândido, Udo Kier e Gabriel Leone, no papel de um matador de aluguel.

O diretor explicou que a aparição noturna era uma mito urbana de Recife criada por dois jornalistas nos anos 1970. Eles usavam o monstro uma vez que código para enganar a increpação feita pela ditadura nas redações e reportar abusos das autoridades.

“Até hoje o pessoal fala dessa mito urbana, mas ela nunca havia sido filmada. Usamos [a técnica de] stop-motion, o que nunca tinha feito antes”, disse Mendonça Rebento, que começou sua curso num jornal de Recife e foi crítico de cinema antes de virar diretor.

Moura e Mendonça Rebento, premiados no Festival de Cannes com melhor ator e direção, têm uma agenda enxurro para publicar “O Agente Secreto” nos próximos meses, na esteira da temporada de prêmios de Hollywood.

“Estou torcendo para fazer uma trajetória parecida com o ‘Ainda Estou Cá’, que a gente tenha um segundo ano de um outro filme brasiliano no Oscar”, disse Moura. “Mas a gente está muito no comecinho. Tem ainda os filmes que vão transpor de Veneza, de Toronto.”

O diretor do filme disse que seguirá à risca o cronograma criado pela Neon, que comprou os direitos de distribuição na América do Setentrião e fez as campanhas de “Anora”, de 2024, e “Verme”, de 2019, ganhadores do Oscar.

“Vou seguir o passo a passo do que eu tenho que fazer com o ‘Agente Secreto’, viajar muito, apresentar o filme, conversar com a prelo”, afirmou o diretor. “A Neon é muito boa, tem sido magnífico. Estou sendo muito muito zelo por eles e muito recebido cá nos EUA.”

A dupla deve passar quase 40 dias viajando pela Europa e EUA. O filme abrirá os festivais de Morelia, no México, e Biarritz, na França, enquanto Moura será homenageado no festival de Zurique. “Vamos fazer uma sessão para membros da Ateneu em Madrid, e depois voltamos para Los Angeles e Novidade York no final do ano”, disse.

Mendonça Rebento já teve dois trabalhos escolhidos para simbolizar o Brasil no Oscar, “O Som ao Volta” (2012) e o documentário “Retratos Fantasmas” (2023), mas nenhum foi indicado. O longa solene para a premiação de 2026 será divulgado no próximo dia 15. Já os indicados ao Oscar saem em 22 de janeiro do ano que vem.

“Os dois [longas anteriores] tiveram carreiras excelentes para um filme brasiliano, mas ‘O Agente Secreto’ tem mais agenda e mais pujança em torno dele”, disse. “As premiações em Cannes e a Neon ajudam.”

Há alguns dias, a revista americana Variety publicou uma reportagem sobre os trabalhos que devem dominar a temporada de prêmios e afirmou que “O Agente Secreto” tem chances de superar o sucesso de “Ainda Estou Cá”. O filme de Walter Salles também rendeu uma indicação de melhor atriz a Fernanda Torres.

Para o responsável da reportagem, muitos especialistas podem estar subestimando o potencial de “O Agente Secreto”, que foi um “sucesso inesperado” no Festival de Telluride, no Colorado. “O filme pode seguir o caminho de ‘Ainda Estou Cá’ do ano pretérito (e ter um desempenho ainda melhor) e surdir uma vez que um concorrente nas categorias atuação, direção, roteiro original e melhor filme”, escreveu o editor Clayton Davis.

Mendonça Rebento ficou feliz com os comentários. “Fico muito confortável quando o filme está na minha frente e eu estou indo detrás. Mas fico muito desconfortável em me colocar primeiro do filme, não funciona para mim”, disse o diretor. “Prefiro ir semana a semana. Acho que essa foi uma boa semana.”

Folha

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