Wimbledon troca juiz de linha por tecnologia 13/06/2025

Wimbledon troca juiz de linha por tecnologia – 13/06/2025 – Esporte

Esporte

Os espectadores do torneio de Wimbledon, o mais tradicional do tênis, se acostumaram a ver, todos os anos, o ritual da “troca da guarda real” no início de cada partida: a ingresso de mulheres e homens de blazer azul-marinho e saia ou calça cor de creme, portando uma indefectível gravata listrada em virente e roxo –as cores oficiais do clube que abriga o evento. Eram os juízes de risco, nove por jogo, responsáveis, entre outras coisas, por gritar “out!” quando a esfera pingava fora da quadra. Nascente ano marcará o final de uma tradição de 147 anos. Os juízes de risco –do qual uniforme nos últimos anos levava a assinatura da grife Ralph Lauren– serão substituídos por perceptibilidade sintético.

Ao suprimir essa função, Wimbledon segue o exemplo de outros torneios da série Grand Slam, uma vez que os abertos da Austrália e dos Estados Unidos. Os elegantes árbitros serão substituídos por 12 câmeras fabricadas pela multinacional japonesa Sony. “A novidade tecnologia, baseada em visão computacional, reconstrói a trajetória da esfera em 3D com precisão superior à percepção humana”, diz Rodrigo Tavares, catedrático na Novidade SBE, a faculdade de Economia da Universidade Novidade de Lisboa.

Tavares, que é colunista da Folha, está criando um novo curso sobre impactos da perceptibilidade sintético em várias dimensões da vida humana.

A função do juiz de cadeira, que fica numa posição mais elevada com uma visão universal de todo o jogo, continuará a subsistir em Wimbledon, a exemplo do que ocorre na Austrália e nos Estados Unidos. “Há uma transformação profunda e não uma subtracção da poder do perito. Aliás, uma vez que estamos a observar em tantas outras profissões”, afirma Lénia Mestrinho, diretora-executiva do Do dedo Data Design Institute, núcleo de estudos sobre tecnologia criado pela mesma Novidade SBE em parceria com a universidade americana Harvard.

Porquê seria essa transformação? “Em vez do perito tradicional surge o árbitro-analista: alguém que interpreta dados em tempo real, gere a informação tecnológica no contexto do jogo e mantém a dimensão humana da decisão –alguma coisa que, para a IA, é mais difícil de replicar. A leitura do envolvente emocional, a gestão da tensão entre jogadores ou a emprego contextual das regras são exemplos de áreas onde o julgamento humano continua precípuo”, afirma Mestrinho. “A função do perito evolui de ‘olhar e resolver’ para ‘interpretar dados e validar’. A IA trará mais justiça, mas a sabedoria na emprego das regras continuará sendo um atributo humano”, diz Tavares.


Porquê funciona o juiz de risco do dedo

Função:

  • Expressar se a esfera foi dentro ou fora
  • Definir se desportista pisou na risco

Tecnologia:

  • 12 câmeras rastreiam todo movimento da esfera
  • Definem a posição dos pés dos jogadores
  • Recriam cada jogada em 3D

O tênis, assim, caminha lado a lado com o futebol, onde já se popularizou o uso do VAR, {sigla} de “video assistant referee”, ou vídeo-árbitro. Essa tecnologia enfrenta críticas dos torcedores por atrapalhar o curso dos jogos. Muitas vezes o torcedor tem que esperar longos minutos até comemorar um gol, mesmo depois de ver seu time nutar as redes. Uma novidade tecnologia baseada na perceptibilidade sintético, no entanto, já vem reduzindo essa lentidão, notadamente na hora de marcar impedimentos.

“A novidade tecnologia de fora de jogo utiliza 12 câmeras especializadas instaladas no estádio, capazes de rastrear a esfera e 29 pontos do corpo de cada jogador, recolhidos 50 vezes por segundo”, explica Mestrinho. “A isto junta-se um sensor disposto no interno da esfera solene, que envia dados 500 vezes por segundo, permitindo identificar com grande precisão o momento exato do passe. Todo processo decorre em segundos.”

Para Rodrigo Tavares, a interferência da perceptibilidade sintético no esporte irá muito além de ajudar os árbitros a tomar melhores decisões. O técnico português José Mourinho conquistou vários títulos Europa afora sendo o precursor no uso de dados para a elaboração de esquemas táticos. “Eram, no entanto, dados avulsos”, diz Tavares. “Os novos algoritmos conseguem identificar e prever padrões coletivos de comportamento das equipes durante a partida. Eles vão muito além das métricas tradicionais, uma vez que posse de esfera e número de passes, e tentam compreender a lógica subjacente às movimentações em campo.”

Lénia Mestrinho mostra uma vez que isso funciona na prática. “Clubes uma vez que o Manchester City ou o Benfica já utilizam sistemas baseados em IA para antecipar o posicionamento mais provável dos adversários em determinadas fases do jogo, permitindo otimizar a ocupação de espaços e gerar superioridade numérica”, afirma Mestrinho. “Em momentos-chave, uma vez que bolas paradas, a IA sugere sequências de movimento com maior verosimilhança de sucesso, com base em milhares de situações semelhantes analisadas em segundos.”

A discussão sobre se a tecnologia tornará os esportes mais emocionantes ou mais previsíveis ainda está em descerrado. Ao menos no caso das arbitragens as mudanças parecem ser positivas. “Esse maior proporção de objetividade e rastreabilidade pode, em última instância, contribuir para mitigar o risco de comportamentos indevidos ou suspeitas de favorecimento, ajudando a proteger a integridade do jogo e a credibilidade das instituições que o regulam”, diz Mestrinho.

O único paisagem negativo parece ser o mesmo que afetará várias outras profissões onde se passou a usar a perceptibilidade sintético: toda uma categoria –os juízes de risco do tênis– verá seus empregos sumirem aos poucos.

Folha

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