Zé celso: livro tem textos de caetano veloso e bete

Zé Celso: Livro tem textos de Caetano Veloso e Bete Coelho – 18/06/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Uma das novidades em “O Edaz”, novo livro da Edições Sesc, em confrontação com outros livros sobre Zé Celso, é a atenção dada a momentos ainda nebulosos de sua história, porquê seu exílio no estrangeiro.

A coletânea reúne dezenas de textos, entre ensaios teóricos, excertos assinados pelo próprio encenador e depoimentos de quem esteve ao seu lado em diferentes momentos de sua trajetória. Além de seu viúvo Marcelo Drummond e de Claudio Leal —colaborador da Folha e organizador do livro—, aparecem no elenco reunido Caetano Veloso, Renato Borghi, Marieta Severo, Tom Zé, Augusto de Campos, Jorge Mautner, Gerald Thomas e Gilberto Gil.

O diretor de cinema e dos palcos Celso Luccas fala, em um dos textos da seleção, sobre os filmes rodados com Zé Celso em Portugal e Moçambique, incidente entre os menos conhecidos da vida do encenador. Os dois haviam deixado o Brasil em 1974, em seguida serem presos e torturados pelo Dops, a polícia política da ditadura militar, e foram parar em Lisboa logo em seguida a Revolução dos Cravos, que derrubou o logo regime dominador mais longo da Europa.

A dupla dirigiu “O Parto”, curta-metragem de 1975, retratando a vida lisbonense no primeiro ano em seguida a libertação do país. Depois, financiados por revolucionários portugueses, de conformidade com a história de Luccas, os dois foram para Moçambique escoltar os movimentos que conquistaram a independência da pátria em 25 de junho, retratados em outro pequeno filme, “25”.

No estrangeiro, Zé Celso teria sabido de verdade a revolução que sempre pregou, segundo acredita Leal. “Ele sempre falava de revolução teatral, do comportamento, mas, quando ele vai para Portugal, tem sua primeira experiência realista de revolução. Lá ele teve uma interlocução poderoso com os militares da Revolução dos Cravos, um pouco impensável com os brasileiros”, diz.

Leal diz ter sido procurado pela Edições Sesc depois da morte de Zé Celso em 2023, em seguida um incêndio em seu apartamento. Em vez de uma biografia, ele optou por organizar um projeto polifônico, com diferentes olhares sobre a trajetória do diretor. “Eu quis reunir uma riqueza sátira dos principais tropicalistas que estão em atividade e tiveram proximidade com o Zé. Foi suado, mas todos eles estão aí”, afirma.

Estão retratados no livro momentos de identificação e distanciamento de outros artistas em relação ao diretor —porquê quando Renato Borghi, por exemplo, rompeu com o Oficina em seguida as drogas, o improviso e a nudez ganharem espaço nas montagens do grupo em detrimento de um teatro mais clássico, aportado na dramaturgia.

“O Zé não gostava muito de autovitimização. Enfatizei para todas as pessoas presentes no livro que eu queria um olhar livre em relação a ele, sem receio de sátira”, diz.

Leal diz que a organização de seu livro tem a ver com a forma porquê conheceu o diretor. Criado em Salvador, distante de São Paulo, ele o descobriu por meio de suas entrevistas, muito antes de poder presenciar às suas peças.

“O primeiro Zé Celso que chegou para mim foi o varão que projetava seu pensamento para além das fronteiras do teatro. Era um pensador do país, da cultura, da política, eu me informava pelo lado dele porquê um articulador de ideias.”

Organizador de livros sobre cinema, música e de literatura, porquê “Cine Subaé”, com escritos de Caetano Veloso sobre a sétima arte, e “Cancioneiro Universal”, com poemas de José Carlos Capinan, Leal enfatizou, em sua pesquisa, a relação do líder do Oficina com as outras artes além do teatro.

“O meu libido é que o Zé Celso se expanda para também atrair o interesse de quem estuda música popular, cinema e as diferentes representações do Brasil, porque o Zé é um dos grandes intérpretes do país nas artes”, afirma.

Outra ênfase da coletânea está nos pontos de viradela da história do diretor. Um dos textos da crestomatia, do diretor teatral Ruy Cortez, chega a propor uma revisão da consideração de “O Rei da Vela” porquê marco inicial do papel do teatro do Oficina na renovação do teatro pátrio. Para ele, a montagem de “Os Pequenos Burgueses”, de Sumo Gorki, inicia oriente ativismo ao ajudar a introduzir no país as ideias de Constantin Stanislavski, grande ator russo que repensou a atuação nos palcos.

São destacados ainda os dois últimos grandes projetos teatrais de Zé Celso. “Os Sertões”, adaptação em cinco partes do livro de Euclides da Cunha, e “A Queda do Firmamento”, tradução para os palcos da obra de Davi Kopenawa e Bruce Albert, que estava em desenvolvimento quando o diretor morreu. Leal vê ambas porquê segmento de um teatro de desmassacre, sacralizador de dois grupos perseguidos na história brasileira, os sertanejos e os yanomamis.

Folha

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