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'007 First Light' tem a grandiosidade dos filmes de Bond
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‘007 First Light’ tem a grandiosidade dos filmes de Bond – 01/07/2026 – Ilustrada

“007 First Light” é uma das melhores adaptações dos filmes de James Bond para os games. Com sequências de ação memoráveis e uma ótima caracterização do agente secreto mais famoso do mundo, o jogo da IO Interactive consegue se aproximar do clássico “GoldenEye 007”, mas sem a mesma inovação e impacto cultural.

Lançada pela Rare em 1997 para o Nintendo 64, a adaptação do filme “007 contra GoldenEye” foi pioneira ao incorporar elementos de furtividade em um jogo de tiro em primeira pessoa e ao oferecer um modo multiplayer competitivo para quatro jogadores simultâneos.

Já “First Light” pouco traz de novo. O jogo pode ser considerado uma mistura de “Hitman”, com seus mapas abertos e furtividade, com “Uncharted”, de onde tirou inspiração para os trechos de plataforma e sequências de ação roteirizadas. Tudo isso, embrulhado pela franquia “007”, que empresta ao jogo personalidade e um punhado de classe.

Tanto na forma quanto no teor, o game procura emular um filme da franquia, com recta a créditos iniciais com música tema interpretada por artista pop —no caso, Lana Del Rey— e história repleta de reviravoltas, surpresas e explosões.

Um exemplo é o trecho logo posteriormente James Bond ser recebido no programa de formação de agentes 00. A sequência funciona porquê um tutorial, mas é apresentada de uma forma cinematográfica, porquê uma montagem de treinamento com sequências curtas de diferentes exercícios intercalados. Por término, o jogador é premiado com uma das melhores lutas de todo o game.

Uma vez que o nome sugere, “First Light” conta a origem de Bond, de fuzileiro naval a estrela do programa de escol do serviço secreto britânico. Seu jeito imprudente, falastrão e rebelde destoa do que é comumente visto na franquia, mas se encaixa no contexto de um aspirante a agente secreto que entrou no programa mais por suas habilidades de campo do que pelas vias aristocráticas de praxe.

Uma vez que em todo bom filme do 007, não faltam cenas de ação exageradas em locações paradisíacas, situações esdrúxulas em que o vilão parece querer matar Bond da forma mais trabalhosa verosímil (tudo para fracassar fragorosamente) e mulheres deslumbrantes que vão perfazer na leito do agente/galã.

A proeza é estruturada em três tipos de experiência. Fases mais lineares, que obrigam o jogador a seguir um caminho pré-determinado e resolver quebra-cabeças para desencadear momentos importantes da história; fases abertas, em que o jogador fica livre para resolver seu objetivo da forma porquê desejar; e trechos mais calmos, próximos de uma proeza narrativa.

As fases abertas são as mais divertidas e possibilitam ao jogador impor seu próprio estilo a James Bond. Já as lineares reservam as melhores sequências de ação do jogo. Os trechos calmos, por sua vez, ajudam a conceber o personagem e mostrar ao jogador os bastidores da vida de um agente secreto, alguma coisa que poucas vezes é explorado nos filmes.

Para superar seus adversários, Bond conta com um vasto arsenal e o jogo faz um bom trabalho para lastrar tiro, porrada e explosivo. Embora as armas sejam poderosas, elas vêm com poucas balas e o jogador é proibido de usá-las a menos que seus inimigos representem um risco iminente à sua vida. Com isso, o game favorece uma abordagem multidisciplinar aos combates, intercalando furtividade, combate corpo a corpo e tiroteios.

Por outro lado, os inimigos deixam a desejar tanto em perceptibilidade quanto em pontaria. É verosímil derribar quatro ou cinco soldados em sequência com golpes furtivos, exclusivamente deixando seus corpos no soalho porquê iscas para atrair a atenção de novos inimigos. Também é geral ser flanqueado pelo inimigo, vê-lo gastando todo o pente sem conseguir motivar dano sucoso e derrotá-lo enquanto ele recarrega a arma sem cobertura.

Os encontros com chefões também são bastante frustrantes. Esses momentos deveriam ser o vértice do jogo, mas são apresentados porquê “set pieces” simples, sem grande complicação ou dificuldade. Por sorte, o jogo consegue produzir experiências memoráveis em outros momentos menos importantes para a história, principalmente na metade inicial do jogo, adaptando com eficiência a grandiosidade exagerada das cenas de ação dos filmes do 007.

Mesmo com esses problemas, “007 First Light” ainda é uma ótima adaptação de James Bond para os games, capaz de entreter por dezenas de horas tanto os fãs saudosos da franquia —há quase cinco anos sem um novo filme de Bond— quanto aqueles que não ligam para o personagem, mas gostam de um bom jogo de ação e proeza.

Folha

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