Adaptação de véspera, na hbo, questiona o instinto materno

Adaptação de Véspera, na HBO, questiona o instinto materno – 22/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Balões coloridos tingem o quintal de uma lar da Lapa, na região oeste de São Paulo. Festiva, a decoração engana quem pensa que a família que mora ali vive um momento de alegria. Engana até mesmo a aniversariante, sorridente detrás de um bolo. É naquele momento, por fim, que se desenha a tragédia que gatilha a trama de “Véspera”.

Adaptação da obra homônima de Carla Madeira, a novidade série vernáculo da HBO Max –que recentemente voltou a ter nome formado depois de um rebatizado que não colou– embaralha a risco do tempo de uma família geral, entre os anos 1970 e 2010, para questionar a teoria de instinto materno.

Com gravações finalizadas no mês pretérito, “Véspera” começa com um ato extremo, o deserção de um fruto pela própria mãe. A partir daí, a série disseca aquela atitude mostrando os evento que vieram antes e que levaram Vedina, personagem de Camila Márdila, a rejeitar a maternidade.

A decisão é tomada exatamente naquela sarau de natalício. Pouco depois dos parabéns, a protagonista põe o fruto de cinco anos no coche, dirige até uma avenida de mão única e o abandona. Ela retorna, arrependida, mas a moçoilo já não está mais lá.

“As personagens da Carla [Madeira] estão sempre em seu extremo, portanto eu imagino que o público se sente contemplado por elas, que são tomados por atitudes drásticas, constrangedoras, mas que na verdade estão em todos nós”, diz Márdila.

“Véspera” está pouco interessada nas repercussões da tragédia. Tanto livro quanto série se empenham no antes, tentando entrar na mente de uma mulher que é levada a tomar uma atitude insensata, questionável por vários motivos. É um ato que passou por uma longa prenhez, percebemos.

“Hoje existe um debate maior em torno da solidão de quem materna, um tanto que não diz reverência somente à relação entre mãe e fruto, mas às falhas estruturais na forma uma vez que lidamos com gênero, a questões políticas e sociais. ‘Véspera’ começa com um ato extremo da Vedina, mas o despersonaliza, implica todos os outros personagens, e a sociedade uma vez que um todo, naquele deserção”, diz a atriz.

Tradutor de Veneza, a cunhada de Vedina, Bruna Marquezine diz que tem libido de ser mãe um dia. Embora ainda não o seja, ela sente a pressão da maternidade em sua vida, simplesmente por ser mulher. Por isso, mas não só, é difícil julgar as ações da protagonista.

“A Carla [Madeira] envolve o leitor de tal forma que sentimos que nós mesmos cometemos aqueles atos. Você é incapaz de julgar, de se distanciar, de proferir o que é patente e o que é incorrecto. E tivemos o zelo de não higienizar a obra, porque estamos lidando com personagens reais, falhos.”

Com oito episódios, “Véspera” deve passar tempo considerável na pós-produção. Dois de seus personagens principais, por fim, são gêmeos vividos pela mesma pessoa, Gabriel Leone. Nas gravações, ele precisava fazer as cenas que os irmãos Caim e Abel compartilham duas vezes.

Um outro ator servia uma vez que dublê de corpo, fazendo as vezes de Leone em tomadas que não mostravam sua face. Quando os dois rostos estiverem visíveis ao mesmo tempo, uma tecnologia de substituição do dedo vai sobrepor a face Leone à do dublê.

“Seria incrível poder gravar todas as cenas de um, e depois todas as do outro, mas isso é inviável. Ao longo desses meses de gravação eu tive que intercalar entre os personagens várias vezes num só dia”, diz Leone. “E não bastava me concentrar em um só por vez. Enquanto atuava uma vez que Caim, já tinha que pensar em uma vez que seria a reação do Abel. É um trabalho multíplice e muito sutil.”

Assim, “Véspera” surge uma vez que uma das apostas mais arrojadas da HBO Max no país. No set de filmagem cuidadosamente montado, é provável notar um sublimidade técnico e uma qualidade de produção reservados somente a conteúdos mais “premium”, geralmente associados ao selo HBO.

Imagens de santos católicos cobriam mesas, cômodas e paredes daquela lar na Lapa, remodelada várias vezes ao longo de cinco meses para escoltar o progressão do tempo sobre o imóvel e seus moradores. Entre um Santo Antônio e uma Nossa Senhora, um mesmo rosto infantil aparecia em retratinhos, sempre em ração dupla.

Com seus nomes, Caim e Abel deixam clara a inclinação religiosa da mãe e também sua rivalidade fraternal. O primeiro sempre foi muito na escola, tinha vários amigos e, mais tarde, acaba se casando com Veneza, que fazia disparar os corações dos irmãos na juventude. O segundo, ressentido, se torna um rapaz introspectivo e sem conexão emocional com a família, inclusive com a mulher, Vedina.

“Véspera”, que tem produção da Boutique Filmes, ainda não tem previsão de estreia. A adaptação ficou a função de Ângela Chaves e Mariana Torres, enquanto a direção-geral é de Joana Jabace, que trabalhou em “Segunda Chamada”, “Avenida Brasil” e outras obras na TV ensejo, sugerindo o tom melodramático que a série deve adotar.

Folha

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