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Anna Muylaert rompe padrão com força de suas protagonistas
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Anna Muylaert rompe padrão com força de suas protagonistas – 07/08/2026 – Ilustrada

“Você só chegou até cá por minha razão.” Uma das primeiras vezes em que a cineasta paulistana Anna Muylaert, de 62 anos, ouviu essa frase foi depois lançar seu primeiro longa-metragem, “Durval Discos”, de 2002, vencedor de sete prêmios no Festival de Gramado, incluindo melhor filme, melhor direção e melhor roteiro.

De lá para cá, ela teve outros longas, uma vez que “É Proibido Fumar”, de 2009, e “A Melhor Mãe do Mundo”, do ano pretérito, mas continua ouvindo a mesma frase até hoje. Na estação do lançamento de seu maior sucesso, “Que Horas Ela Volta?”, de 2015, as tentativas de reduzir sua trajetória foram ainda piores.

Em uma reunião com o distribuidor americano do filme, percebeu que ele não olhava para ela. “Ele ficava elogiando as personagens, o roteiro e a direção só para o produtor. Parecia que não me via ali, que eu era uma muchacho”, diz ela.

O sentimento de ser deixada de lado em relação ao próprio trabalho é generalidade entre mulheres, uma vez que mostra a pesquisa “Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras”, feita pelo Estúdio Clarice, organização de perceptibilidade e geração que investiga e fomenta o poder feminino por meio de pesquisas e produções audiovisuais, da qual Muylaert foi uma das entrevistadas.

Mas a cineasta diz sempre ter confiado em si mesma, e isso, em vez do reconhecimento alheio, lhe traz a sensação de poder, mesmo ainda ignorada na presença de outros homens.

Tanto que, em um debate sobre “Que Horas Ela Volta?”, no ano do lançamento do filme, ela criticou publicamente a atitude dos diretores Cláudio Assis e Lírio Ferreira, que a interromperam algumas vezes enquanto falava. Na estação, uma vez que publicou a Folha, Muylaert disse que “a mulher tem dificuldade de subir no palco e o varão, de descer dele”.

A cineasta diz que perdoou os dois, mas, 11 anos depois do incidente, pouco mudou, segundo ela. “Vivemos em um mundo que favorece os homens”, diz. Um dos problemas, ela aponta, é uma vez que a sociedade trata o feminino. “Toda mulher secção de uma autoestima muito baixa. A nossa ensino é para terminar com a nossa autoestima.”

Revérbero disso, ela diz, é o trabalho excessivo em seus filmes, muitos sobre o universo feminino. No caso de “Que Horas Ela Volta?”, ela levou 20 anos para finalizar o roteiro. Não se deu por satisfeita até concluir que a personagem Jéssica, papel de Camila Márdila, viria a São Paulo para fazer faculdade.

“Até portanto, ela vinha e se dava mal na cidade, mas eu não queria isso. Quando pensei que ela poderia vir para fazer FAU-USP [a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo], foi um presente. Mas refiz o filme todo aos 43 minutos do segundo tempo.”

Aquele momento a marcou. “‘Agora sei que eu vou fazer um filme que vai expor o que precisa ser dito’, pensei.” O filme acabou despertando um espaçoso debate vernáculo sobre o término da legado escravista no Brasil, a exploração do trabalho doméstico e o entrada às universidades pelas classes populares.

Muylaert se diz ver uma vez que uma mulher poderosa quando se satisfaz com uma cena. “É uma sensação de missão cumprida, de saber que passei pelo mundo e deixei alguma coisa.”

Sobre as tentativas de reduzirem seu trabalho, ela diz ver uma vez que secção do processo. “Toda vez que uma mulher faz ouro, e ouro brilha, ela começa a levar cotovelada, pontapé e soco no olho.”

Sua esperança é a de um mundo mais igualitário quando o ponto é gênero, mas ela não vê esse estabilidade chegando. “Hoje há mais mulheres cineastas do que quando comecei, mas, se formos olhar os números, dez mulheres fazem dez documentários com R$ 100 milénio, enquanto dez homens têm R$ 15 milhões para trabalhar. Precisamos de equivalência de entrada.”

Seu próximo longa, “Geni e o Zepelim”, previsto para o ano que vem, é inspirado na música homônima de Chico Buarque e traz a história de uma transexual que trabalha uma vez que prostituta em uma comunidade ribeirinha na Amazônia. “É um filme ousado, e eu me sinto poderosa a cada cena que fazemos.”

No ano pretérito, a produção foi criticada nas redes sociais por ter escalado uma atriz cisgênero, em vez de uma mulher trans. No músico “A Ópera do Malandro”, de 1978, que aborda a mesma história, Geni é travesti. Em seguida a repercussão, Muylaert fez um vídeo pedindo desculpas às pessoas trans que se sentiram ofendidas, e a atriz trans Ayla Gabriela foi portanto escalada para o papel.

Folha

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