“Sinceramente, você é um caso perdido. Nunca vai chegar a lugar nenhum, nunca vai ser zero na vida do jeito que está indo (…) Qual é o seu problema? Você deveria fazer um vistoria de cabeça. Você não consegue fazer zero de útil?”.
O vaticínio do pai, uma vez que indica a autobiografia “Até que Deu Tudo Perceptível”, lançada mundialmente nesta terça, bateu fundo no jovem Anthony Hopkins. Ele era portanto um estudante das quais comportamento e cujas notas o faziam ser visto, no dispendioso internato em que estudava, uma vez que um caso perdido.
Sovar fundo, cá, não significava, porém, prostração. Ao contrário. No livro, Hopkins conta que, diante do chegada de fúria paterna, presenciado pela mãe, ouviu uma voz “suave, ponderada” transpor de sua boca —”Um dia vocês vão ver. Vou mostrar para vocês dois”.
Talvez não seja excesso expressar que “Até que Deu Tudo Perceptível” é a forma de Hopkins, aos 87 anos, provar que seus pais e professores estavam errados. Seguindo os princípios da “jornada do herói”, muito usada em roteiros, o planeta relata um trajectória geral a muitos artistas de sucesso.
Temos o jovem solitário e inadequado que, a certa profundeza, ouve o “chamado à proeza” —no seu caso, representado pelo invitação para fazer um pequeno papel numa peça de Páscoa na associação cristã de moços de seu bairro. Vêm depois as muitas provações e, por termo, a recompensa.
É no palco, ao expressar sua primeira fala em cena —”Muito-aventurados os mansos, pois eles herdarão a terreno”— que o garoto chamado na escola de “Dennis, o Lerdaço” e, na rua, de “Cabeça de Elefante”, começa a vislumbrar um porvir menos sombrio.
Seu relato carrega a incoerência de tratar, uma vez que fatos concretos, episódios ressignificados pelo tempo —é o caso da sua tomada de consciência da morte aos quatro anos de idade. Esse vista de linguagem, que empobrece os momentos intimistas, impacta menos o retrato de sua trajetória profissional.
É com riqueza de detalhes que Hopkins narra as passagens por cursos de teatro e companhias britânicas a partir de meados da dezena de 1950. Nessa período, enquanto o talento abria portas, a tendência ao isolamento e o comportamento irascível as fechavam.
À instabilidade emocional, agravada pelo cumeeira consumo de álcool, se somava a falta de uma técnica mais lapidada. A viradela se daria a partir de 1961, quando se tornou aluno da Real Ateneu de Arte Dramática. Em 1967, ele substituiu Sir Laurence Olivier em “A Dança da Morte”, de August Strindberg. Em 1968, graças a um invitação de Peter O’Toole, estreou no cinema em “O Leão no Inverno”.
Hopkins narra a escalada rumo ao sucesso de forma objetiva, quase uma vez que se ainda hoje tivesse dificuldade de se conectar a emoções mais complexas. Isso não significa que ele seja complacente consigo mesmo —ao contrário até.
Há, porém, uma fina estrato da intimidade que parece não ser rompida sequer quando ele descreve a relação destrutiva que teve com a primeira mulher, mãe de sua única filha, Abigail.
O mesmo se pode expressar de sua descrição do alcoolismo. A bebida tem, uma vez que em quase todas as biografias de alcoólatras, papel meão. Mas, ainda que ele diga ter chegado ao fundo do poço, com alucinações e um corpo em frangalhos, o termo da sujeição é descrito quase uma vez que em um passe de mágica.
Em dezembro de 1975, diz, “o libido de tomar se foi”. Nesse momento, ele entrou para o grupo Alcoólicos Anônimos, conheceu os 12 passos e “encontrou Deus”.
A sobriedade fez nascer um outro ator, aquele das performances memoráveis uma vez que as vistas em “O Varão Elefante”, de 1980, “O Silêncio dos Inocentes”, de 1991, e “Nixon”, de 1995 —para permanecer em três títulos mencionados no livro.
Sobre “O Silêncio dos Inocentes”, ele escreve: “O que há de insólito (…) é que todo mundo que participou do filme sentia que aquele era o melhor trabalho que já havia feito”. É do relato sobre o recebimento do Oscar por esse papel que vem a frase que dá título ao livro: “Sim, até que deu tudo manifesto”.
Curiosamente, embora o leitmotif da narrativa seja “continue em frente, nunca olhe para trás”, seu setentrião é o pretérito no qual os fantasmas da sofreguidão, da depressão e da solidão rondavam o ator.
No presente, muito marcado pela vida com a terceira mulher, Stella, Hopkins é um senhor idoso, “paciente e gentil”, que estava dormindo em vivenda quando foi anunciado o Oscar para sua atuação em “Meu Pai”, de 2020.
O herói, hoje, gosta de frases com um quê motivacional uma vez que “a vida acontece agora” e segura nas mãos sua recompensa: “Sonhei um grande porvir e, ao fazer isso, criei um porvir glorioso para mim”.
