A resguardo do título da Despensa do Mundo tem sido mais difícil do que o esperado para a Argentina. Apontada uma vez que ampla favorita diante de Cabo Verdejante e Egito nas duas primeiras fases eliminatórias, a atual campeã precisou lutar até o término para ocupar duas vitórias apertadas por 3 a 2.
A classificação sobre os egípcios, porém, veio acompanhada de uma polêmica. A federação do Egito pediu à Fifa o isolamento da equipe de arbitragem responsável pela partida das oitavas de final, acusando os árbitros de favorecerem a Argentina e, em privativo, seu principal planeta, Lionel Messi.
Em seguida o jogo, o técnico Hossam Hassan afirmou que sua seleção “sofreu uma injustiça”. Em seguida, sugeriu que a própria Fifa teria interesse na permanência da atual campeã na competição.
“Talvez eles quisessem manter a campeã do mundo no torneio. Talvez quisessem que Messi continuasse na disputa”, declarou.
As acusações também repercutiram nas redes sociais. Publicações reunindo lances em que a Argentina teria sido beneficiada pela arbitragem alimentaram teorias da conspiração e levaram vários usuários a declarar que a Despensa estaria sendo marcada por um “escândalo” de proporções mundiais.
Por fim, há qualquer fundamento na teoria de que a Despensa estaria sendo conduzida para proporcionar a Argentina?
A seguir, confira os principais argumentos usados para sustentar essa tese.
Gol do Egito anulado e pênaltis não marcados
É fácil entender por que o Egito saiu tão malogrado da itinerário por 3 a 2 para a Argentina. A seleção africana vencia por 2 a 0 até os 34 minutos do segundo tempo e estava a poucos minutos de conseguir, pela primeira vez, as quartas de final de uma Despensa do Mundo. Mas viu a Argentina reagir, virar a partida e marcar o gol da vitória nos acréscimos.
Para os egípcios, porém, a eliminação não se explica somente pela reação argentina. A federação atribuiu a itinerário a “graves erros de arbitragem” e a um suposto “dois pesos e duas medidas” adotado pelo louvado galicismo François Letexier e sua equipe.
O principal lance de reclamação envolve um gol de Mostafa Zico anulado posteriormente mediação do VAR. A arbitragem entendeu que, no início da jogada, Marwan Attia pisou no pé de Lisandro Martínez e marcou falta.
Foi uma decisão controversa, mas o Egito vencia o jogo por 1 a 0 e, nove minutos depois, marcou o segundo gol. Difícil provar que o jogo teria tomado um rumo dissemelhante se o gol de Zico tivesse sido válido.
Mas esse não foi o único questionamento dos egípcios no jogo. A seleção reclamou de dois lances de pênalti a seu obséquio antes de Enzo Fernández marcar o gol da vitória da Argentina.
Hamdi Fathy caiu na extensão alegando ter sido seguro por Mac Allister, em um lance inconclusivo nas imagens. Já Mohamed Salah reclamou de um contato com Julián Álvarez posteriormente ser derrubado na extensão.
Havia algumas semelhanças entre as situações de Martinez e Salah, com contato pé com pé, mas não o suficiente para configurar um pênalti.
O indumento é que o Egito teria mais chances de ver o gol prateado anulado se a infração contra Salah tivesse sucedido fora da extensão. Nesse caso, o VAR analisaria a possibilidade de uma falta em vez de um pênalti – que tem critérios mais rigorosos para a marcação.
Incerto? Com certeza. Mas o lance, por si só, está loge de provar a existência de uma conspiração em prol de Messi ou da Argentina.
Arbitragem argentina no jogo da França
Outro argumento levantado por quem acredita em favorecimento à Argentina diz saudação à arbitragem escalada para o jogo entre França e Marrocos, marcado para esta quinta-feira (9/7).
Pela primeira vez nesta Despensa do Mundo, toda a equipe de arbitragem em campo – louvado, assistentes, quarto louvado e suplente – serão do mesmo país: a Argentina.
Nas duas partidas anteriores apitadas pelo prateado Palavroso Tello neste Mundial, o quarto louvado e o suplente eram de outras nacionalidades: primeiro da Arábia Saudita e, depois, da Colômbia.
A teoria é que a Argentina teria interesse na eliminação da França, considerada uma das favoritas ao título e com quem disputou a final da Despensa do Mundo 2022.
Essa será uma das maiores partidas da curso de Tello, e sua segunda participação em quartas de final de Despensa do Mundo em torneios consecutivos. Um louvado de tamanha relevância não agiria sem a mais absoluta integridade.
No entanto, a percepção muitas vezes conta tanto quanto a verdade, e escalar uma equipe de arbitragem argentina para um jogo contra a França nas quartas de final não pega zero muito.
Cartão vermelho não aplicado a Messi
Outro incidente que alimenta as teorias de favorecimento envolve um lance de Lionel Messi ainda na tempo de grupos.
Na partida contra a Argélia, o capitão prateado acertou Aïssa Mandi e não recebeu sequer cartão amarelo pela ingresso.
Dias depois, um lance semelhante ganhou grande repercussão no Mundial. O norte-americano Folarin Balogun foi expulso posteriormente revisão do VAR na partida contra a Bósnia. Nos dois casos, houve contato na segmento superior da panturrilha do oponente.
Segundo relatos, a federação dos Estados Unidos usou essa verificação ao recorrer da suspensão de Balogun.
Caso Messi tivesse sido expulso contra a Argélia, ele não teria marcado os três gols daquela partida nem os outros dois diante da Áustria, já que precisaria executar suspensão – a menos que a Fifa aplicasse uma exceção, uma vez que ocorreu com Balogun.
Na prática, cinco dos oito gols marcados por Messi nesta Despensa deixariam de viver.
Mas isso significa que o prateado recebeu tratamento privativo?
O precedente envolvendo Infantino e Messi
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, parece gostar de ter Messi jogando em seus torneios.
Basta lembrar da primeira edição do Mundial de Clubes, disputada nos Estados Unidos no ano pretérito.
Na ocasião, houve morosidade para confirmar qual equipe do país-sede participaria da competição.
O procedente era imaginar que a vaga ficaria com o vencedor da temporada de 2024 da Major League Soccer (MLS). Por fim, trata-se de um torneio talhado às melhores equipes, classificadas com base em critérios muito definidos. Mas não foi isso que aconteceu.
O Inter Miami, time em que joga Lionel Messi, havia conquistado o MLS Supporters’ Shield de 2024, troféu facultado ao time que soma mais pontos na temporada regular. E, apesar de não ter conquistado o título da MLS, foi escolhido para o Mundial de Clubes.
Isso permitiu que Messi jogasse na partida de brecha, no Hard Rock Stadium do Inter Miami, contra o Al Ahly.
Chaveamento da Despensa favorece Argentina
A Fifa fez uma pequena, mas significativa, mudança no sorteio da Despensa do Mundo 2026, realizado em dezembro.
As quatro seleções mais muito colocadas no ranking da Fifa – França, Argentina, Espanha e Inglaterra – foram distribuídas em chaves diferentes. Com isso, caso todas terminassem em primeiro lugar em seus grupos, uma vez que de indumento aconteceu, elas só poderiam se enfrentar a partir das semifinais.
França e Espanha ficaram de um lado da chave e podem se enfrentar na semifinal. Argentina e Inglaterra ficaram do outro.
A teoria da mudança era reduzir a chance de confrontos entre grandes seleções nas primeiras fases do mata-mata.
Mas, dependendo da feitio dos grupos, isso também pode proporcionar um caminho mais favorável para essas equipes.
Nas duas primeiras fases eliminatórias, somente dois confrontos envolveram seleções que estavam entre as dez primeiras do ranking mundial: Holanda x Marrocos e Espanha x Portugal.
À primeira vista, a Argentina parece ter sido a maior beneficiada pelo chaveamento. A equipe enfrentou Cabo Verdejante (67º no ranking) e Egito (29º), vencendo ambos por 3 a 2, e agora terá pela frente a Suíça (19ª) nas quartas de final.
A Inglaterra, por sua vez, não enfrentará uma seleção do top 10 antes de uma eventual semifinal contra a Argentina – embora tenha eliminado o México (14º) no Estádio Azteca.
Já a Espanha superou Portugal (5º) e agora enfrenta a Bélgica (9ª), enquanto a França terá pela frente o Marrocos (7º) nas quartas de final.
Nesse cenário, a Argentina parece ter tido um caminho mais favorável até cá.
A Argentina está recebendo menos cartões amarelos?
As quartas de final vem com um risco para as equipes: 17 jogadores entrarão em campo pendurados e podem desfalcar suas seleções nas semifinais caso tomem um novo cartão amarelo.
A Argentina, porém, está em situação confortável, com somente um jogador – Gonzalo Montiel – com cartão amarelo.
A Inglaterra, por sua vez, tem quatro jogadores pendurados, entre eles dois titulares importantes: Jude Bellingham e Declan Rice. Já a Noruega, seleção que recebeu o menor número de cartões amarelos até cá, tem Antonio Nusa nessa requisito.
Para estimar se a Argentina vem sendo beneficiada pela arbitragem, porém, é preciso ir além do número inteiro de cartões e considerar também a quantidade de faltas cometidas.
A seleção argentina recebeu um cartão amarelo a cada 19,7 faltas cometidas. Somente três equipes tiveram uma proporção ainda maior entre faltas e advertências: República Tcheca (37,0), Noruega (24,0) e Tunísia (27,0).
Entre as seleções ainda vivas na competição, a Inglaterra aparece na situação oposta: recebeu um cartão amarelo a cada 7,7 faltas.
Em outras palavras, a Argentina cometeu mais faltas do que a Inglaterra, mas recebeu somente metade dos cartões amarelos. Esse oferecido pode indicar que a seleção argentina tem sido tratada de forma mais branda pela arbitragem em relação ao número de infrações cometidas.
Mais pênaltis em prol da Argentina
Quando conquistou a Despensa do Mundo de 2022, a Argentina também estabeleceu um recorde.
Os cinco pênaltis marcados a seu obséquio foram o maior número já facultado a uma seleção em uma única edição do torneio.
Na Despensa de 2026, a equipe volta a liderar esse ranking, com três penalidades marcadas até cá – embora Lionel Messi tenha esbanjado duas delas, contra Áustria e Egito.
Inglaterra e Suíça aparecem na sequência, com dois pênaltis cada. Bélgica, França e Noruega tiveram um pênalti marcado em prol.





