BBB 26: Tia Milena cativou, mas Globo precisará de cuidado

BBB 26: Tia Milena cativou, mas Globo precisará de cuidado – 23/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Tia Milena não estava no BBB para deleitar. Ia ao limite das regras. Não se produzia intensamente para as aparições ao vivo, ajudava rivais, não dava calorosos “boa noite, Brasil, boa noite, Tadeu”. Mal entrava no confessionário, disparava seu voto e saía antes que o apresentador agradecesse.

Tadeu Schmidt entendeu, tanto que a recebia para o voto com um “manda ver, tia Milena”. Adaptou-se.

Esse perfil foi muito comemorado na final do BBB 26, que a Mundo não se furtou em invocar desde a sinceridade do último incidente de uma “edição de colecionador”. Milena Moreira foi uma das figuras raras da edição. Agradou boa secção do público com seu jeito desbocado, disposto ao confronto, positivo, verídico.

Foram muitas as situações produzidas pela animadora de sarau infantil que chamaram atenção não só pelo paisagem inusitado, caótico ou puro, mas também por ela parecer não se partir com os efeitos que aquilo teve sobre sua imagem.

Devorou Jonas Sulzbach numa dinâmica em que ambos precisavam determinar, em consenso, quem indicar para o paredão, impondo sua vontade ao protótipo espargido pelas medidas avantajadas. O rapaz calou e consentiu.

Numa dinâmica patrocinada por uma rede de fast-food, pronunciou incorrecto o texto, dando ao ror memético do país a vocábulo “xézeburguer”.

Não é mais todo dia que a TV ensejo apresenta alguém indisposto aos protocolos de bom mocismo, capaz de incomodar sem parecer uma espontaneidade forçada.

A participante, que começou o programa vista por secção do público porquê emocionalmente frágil ou dependente da amiga Ana Paula Renault, reverteu logo esta percepção para ter presença própria.

É simbólica a pândega nas redes de que ela “desbloqueou” um ângulo de visão do programa. Ao se envolver em uma discussão na lar enquanto estava na escada que leva ao marchar superior, uma das câmeras se virou para filmá-la de um ângulo raramente visto.

É de se temer o que acontecerá com uma personalidade porquê essa, agora que o programa terminou e ela talvez tenha menos chances de agir por si mesma, sem freios. Exemplo notável já aconteceu na entrevista com Gil do Vigor e Ceci Ribeiro.

Ao final, ela sussurra que a mulher que apareceu nas chamadas ao vivo porquê representante de sua torcida em Teófilo Otoni —com uma camiseta com a letreiro “500 mães com Milena”— nunca a contratou para uma sarau.

“Por que foi ela? Não entendi”, perguntou Milena. Ceci Ribeiro reagiu: “Gente, eu não entendi zero desse cochicho. Eu não escuto recta e o diretor está cá no meu ponto. A gente não pode cochichar, fazer isso com o público.”

Gil do Vigor caiu na risada e ela, já consciente dos dilemas da glória, faz uma faceta de deboche e exclusivamente diz: “Já começou, né? Aquilo…”. Virou o matéria do dia seguinte à final.

Mas isso pode incomodar. Uma vez que a própria Mundo e o mercado publicitário vão mourejar com esse tipo de autenticidade? Quanto de controle e roteirização tentarão impor a ela? Se há um pouco para os fãs da vice-campeã torcerem, é para que os espaços que Milena vier a ocupar estejam dispostos a dar vazão à sua imprevisibilidade.

Alguns podem lembrar da Bia do Brás, que agora está se dando muito porquê garota-propaganda, extravagante na medida, mas, dissemelhante de Milena, ela insistiu num bordão simples e numa performance de uma nota só.

Milena debochava e brincava nas ativações de marca, fugia ao roteiro. Não teme pôr sob suspeita a imagem apaziguadora que a Mundo é tão eficiente em produzir. Na final, Edilson Capetinha estava dançante, rindo da agressão a Leandro Boneco que expulsou o ex-jogador. Um longo VT mostrava o lado emocional e reflexivo da atriz Solange Couto, que deixou o programa com subida repudiação e imagem arranhada.

Uma das poucas provas que Milena venceu foi uma disputa pelo criancinha em que os participantes deveriam tacteado, sem olhar, um objeto pessoal significativo. A dinâmica rendeu momentos de emoção com as memórias despertadas em cada integrante da lar. No caso de Milena, foi o riso, ao reconhecer um pantalha que deu de presente para a mãe e imaginou que já deveria ter ido para o lixo.

Ela acabaria ganhando o recta a ter contato com a mãe. Milena podia reclinar nela com luvas, mas não vê-la; Neide conseguia ouvir o que a filha dizia, mas não responder. Feliz, Milena a elogiou: “Você é uma mãe maravilhosa, perfeita, do seu jeito. Você não veio com manual”. Neide chorava em silêncio. Instantes depois, Milena vira-se para a direção oposta e diz: “Acabou? Acabou. Tchau, mãe!”, contente.

Tadeu Schmidt lembrou no oração da final porquê Milena foi capaz de produzir um pouco novo nestes anos de programa. Tomara que a Mundo e quaisquer outros que se interessem por ela possam assumir que Milena também não veio com manual e evitem limitá-la com as rédeas do mercado midiático, que tantas vezes tornam um pouco memorável, esquecível.

Folha

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