Bienal de Veneza: Júri renuncia após polêmica com Israel – 30/04/2026 – Ilustrada
O júri do prêmio da Bienal de Veneza renunciou nesta quinta-feira, somente nove dias antes da introdução da mostra, depois de uma polêmica sobre sua decisão de excluir artistas de países acusados de crimes contra a humanidade da premiação. A exposição na cidade italiana é considerada a principal vitrine das artes visuais no mundo.
Em um expedido de um parágrafo publicado no site eFlux, o júri de cinco pessoas, liderado pela curadora brasileira Solange Farkas, afirmou que renunciou “em reconhecimento” a um pregão do próprio colegiado, divulgado há uma semana, de que não premiaria artistas de países cujos líderes estão sob investigação do Tribunal Penal Internacional.
O júri não mencionou nenhum país em seus dois comunicados, mas a incisão de Haia emitiu um mandado de prisão contra o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e seu ex-ministro da Resguardo, Yoav Gallant, sob acusações de crimes de guerra pelas ações de Israel em Gaza. O tribunal também expediu um mandado de prisão contra o presidente russo, Vladimir Putin, sob acusações de crimes de guerra na Ucrânia, mas a polêmica da bienal se concentra principalmente em Israel.
Além de Farkas, fazem secção do júri Zoe Butt, Elvira Dyangani Ose, Marta Kuzma e Giovanna Zapperi. Diante da repúdio do colegiado, os vencedores da bienal só serão anunciados em novembro, no último dia da mostra, o que rompe com a tradição —eles eram divulgados no sábado da primeira semana, quando a mostra abre para o público.
A participação israelense na Bienal acontece com a obra “Rose of Nothingness”, de Belu-Simion Fainaru, no espaço do Arsenale. A medida desta quinta-feira significa que Israel segue presente na mostra, mas fora da disputa pelo Leão de Ouro, uma das mais prestigiadas láureas das artes plásticas.
Fainaru, de 66 anos, disse ao jornal New York Times ter ficado feliz com a repúdio do júri. “A decisão deles me discriminou com base na minha raça”, afirmou. “Sou um artista e tenho os mesmos direitos, e não posso ser julgado por pertencer a um país ou raça. Devo ser julgado somente pela qualidade e pela mensagem da minha arte.”
Ainda para o periódico americano, Fainaru disse que a decisão do júri o fez lembrar das ações tomadas contra seu pai na Romênia, durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo o artista, seu pai foi proibido de lecionar em uma universidade e enviado para um campo de trabalhos forçados por três anos. “Eu não imaginava que essa discriminação poderia ocorrer comigo ou com qualquer outro artista que trabalhe na Itália hoje em dia.”
Um dos artistas mais importantes de Israel, Fainaru mostra na bienal uma instalação que incluirá um gotejador de chuva usado para irrigar campos. A chuva se acumula no pavimento, representando o encontro de pessoas de diferentes comunidades, de consonância com o artista.
Em relação à Rússia, o país volta a participar da Bienal de Veneza neste ano, depois de seu pavilhão ter ficado fechado na edição anterior, devido à invasão da Ucrânia. Todavia, o espaço só estará franco na introdução para a prensa e convidados, entre 6 e 8 de maio, permanecendo fechado ao público durante o período regular da exposição, que se estende até novembro.
A exposição “The Tree Is Rooted in the Sky”, que ocupa o pavilhão russo, terá registros em vídeo, que serão exibidos para o público. O projeto foi comissioado por Anastasia Karneeva, uma consultora de arte ligada ao setor de resguardo do Estado russo.
A decisão de permitir a reabertura do pavilhão russo foi criticada pela União Europeia e pelo governo italiano. A Percentagem Europeia ameaçou suspender ou cancelar uma verba de € 2 milhões para a bienal.
Desde que Israel invadiu Gaza, em seguida o ataque liderado pelo Hamas em outubro de 2023, a presença do país na Bienal de Veneza tem gerado controvérsia. Centenas de participantes da mostra assinaram petições pedindo aos organizadores do evento que excluíssem Israel.
Na última edição, em 2024, a representante de Israel, Ruth Patir, fechou sua exposição antes do evento iniciar, afirmando que não a abriria até que um cessar-fogo e um consonância de libertação de reféns fossem alcançados. O trabalho de Ruth seria mostrado no pavilhão do país na bienal, na dimensão do Giardini.





