Lesley-Ann Jones é uma jornalista e autora britânica especializada em biografias de astros musicais. Desde 1990, quando publicou um livro sobre a popstar australiana Kylie Minogue, Jones já escreveu biografias de John Lennon, Paul McCartney, Marc Bolan, Christine McVie, do Fleetwood Mac, David Bowie e os Rolling Stones, entre outros.
Mas a grande preocupação da vida de Jones é Freddie Mercury. Ela já publicou zero menos que três biografias sobre o cantor do Queen, um showman genial que morreu em 1991 aos 45 anos de idade.
Por que uma autora que dedicou décadas a pesquisas sobre a vida de um artista e escreveu milhares de páginas sobre ele decidiria fazer uma quarta biografia sobre o mesmo personagem?
O novo “Com Paixão, Freddie” traz uma revelação bombástica: o cantor seria pai de uma filha, que hoje teria 48 anos e se recusa a informar seu nome real, exigindo ser chamada somente de “B.”.
A mulher teria em sua posse 17 volumes de um quotidiano escrito durante 15 anos por Mercury, desde o promanação da rapariga até meses antes da morte do cantor. “Isso é o mais perto que teremos de uma autobiografia de Freddie Mercury”, diz Jones.
Segundo a autora, “B.” a teria procurado há tapume de três anos. Depois de trocarem emails por meses, Jones se convenceu de que sua história era real: ela seria fruto de um caso rápido que Mercury teve com uma amiga, casada com um varão muito rico que também conhecia Mercury e aceitou produzir a rapariga. “B.” impôs uma exigência à biógrafa: ela não queria ter a identidade revelada.
Amigos e companheiros de Mercury no Queen se espantaram com a “revelação”: o guitarrista Brian May disse que não iria opinar sobre o caso, mas sua esposa, a atriz Anita Dobson, disse que tudo não passava de fake news.
A amiga mais próxima de Mercury, Mary Austin, com quem o cantor teve um longo caso amoroso, disse ao jornal The Sunday Times: “Freddie era uma pessoa muito franca, e não posso imaginar que ele teria sido capaz de manter em sigilo uma notícia tão prazenteiro, tanto de mim quanto de outras pessoas próximas a ele (…) Eu nunca soube de uma filha ou de diários que Freddie teria escrito”.
Mas Jones está convencida de que a história é verdadeira. A autora informa que “B.” seria uma profissional de saúde que mora na Suíça. As duas teriam se encontrado em Montreux, onde Jones pôde ver os diários e fotos de pai e filha.
Jones se diz chocada com a semelhança física entre “B.” e Mercury: “Zero poderia ter me pronto para vê-la pela primeira vez: os olhos, nariz, queixo e tom de pele são obviamente de Freddie”.
“Com Paixão, Freddie” é basicamente a versão de “B.” para a vida e curso de Mercury. Usando uma vez que base os supostos diários do cantor e compositor, as duas recontam a trajetória do artista e, segundo Jones, trazem novas informações, mormente sobre uma temporada meio obscura da vida de Mercury (nascido Farrokh Bulsara), sua puerícia em Zanzibar, hoje Tanzânia, portanto um protetorado britânico .
O livro fala bastante sobre a ida do menino para estudar na Índia e a fuga da família de Zanzibar para o Reino Unificado, em 1964, quando a população lugar se revoltou contra o sultão e os conflitos causaram a morte de milhares de pessoas.
O livro detalha os anos do porvir Mercury na Índia, incluindo acontecimentos tristes e pesados, uma vez que a violência sexual que ele teria sofrido nas mãos do diretor da escola.
O maior problema de “Com Paixão, Freddie” é a visão condescendente e um tanto parcial que as opiniões de “B.” imprimem ao texto. A suposta filha vê todos os problemas e questões polêmicas da vida de Mercury uma vez que resultado de ações de terceiros contra ele.
Se ele tinha problemas em responsabilizar nas pessoas, isso se deve, segundo ela, ao trajo de ter sido mandado pelos pais para uma escola longe da família. Se Mercury foi um dos personagens mais hedonistas dos anos 1970 e 1980, vivendo numa lesma insana de orgias e cocaína, foi por influência de um empresário mal-intencionado.
Essa limpeza da história de Freddie Mercury acaba por cansar o leitor, que tem dificuldade para confiar em alguns casos e em ver um personagem tão multíplice reduzido a um mero peão no xadrez de outras pessoas.
Há passagens que chegam a ser risíveis, uma vez que uma em que Mercury teria se irritado com a suposta filha depois de ela ir com amigas a um show da margem de rock Mötley Crüe, que o cantor consideraria “uma má influência”. Imaginar Freddie Mercury uma vez que um pai caretão é realmente ração para leão.
