Broadway: Rocky Horror revê irreverência em nova montagem – 10/08/2026 – Ilustrada
A estreia de Juliette Lewis nos palcos da Broadway, no papel da criada Magenta, foi o primeiro isca da atual montagem de “Rocky Horror Show”, músico criado pelo ator e dramaturgo neozelandês Richard O’Brien, hoje com 84 anos, levado aos palcos pela primeira vez em 1973.
E ela, que já não está mais no elenco, cumpriu lindamente seu papel. Com voz potente e presença de palco magnética, mostrava, ao vivo, por que foi escolhida tantas vezes para personagens intensos e excêntricos, além de provar seu talento porquê cantora.
Indicada ao Oscar por “Cabo do Pavor”, a atriz é vocalista e líder da margem de punk rock “Juliette and the Licks” desde 2003. Era porquê sea sua trajetória peculiar tivesse chegado ao rumo perfeito com essa versão de “Rocky Horror Show”.
Mas o grande facto desta montagem é o ator galês Luke Evans, o vaidoso Gaston do live-action de “A Bela e a Fera”, que encarna o ET investigador bissexual e travesti Frank-N-Furter, o protagonista do músico. Evans leva o espetáculo ao auge com um trabalho ousado, sexy e rememorável.
O ator, porém, deixará o elenco no final do mês, com uma última apresentação marcada para o dia 23. A partir daí, ao menos até 29 de novembro, quando a temporada deve chegar ao termo, o papel principal será de Jake Shears, vocalista da margem Scissor Sisters.
Outra presença marcante é a da comediante Rachel Dratch, de “Saturday Night Live”, que nesta montagem faz a narradora da história, guiando a plateia e ensinando os passos da dança “The Time Warp”. Na versão para os cinemas, lançada em 1975, o personagem era masculino, uma das poucas mudanças em relação ao original.
Instalado no histórico Studio 54, teatro que foi um clube noturno lendário entre os anos 1970 e 1980, onde cultura pop, excesso, voga e transgressão faziam secção do cardápio, o músico encontrou seu lar. É muito simbólico ver a obra de O’Brien ali, com espectadores vestidos porquê seus personagens favoritos ou com looks inspirados na trupe de Frank-N-Furter.
É um público, enfim, que também quer ser visto, porquê acontece há décadas em sessões da meia-noite da versão cinematográfica. E não há luz que baste aos visuais enfeitados com espartilhos, saltos altos, meias-calças arrastão e maquiagem carregada. É porquê se palco e plateia tivessem feito um pacto de irreverência. Quanto mais, melhor.
Poucas obras resistiram tão muito ao tempo quanto Rocky Horror. O músico estreou em Londres em 1973, virou filme dois anos depois e, posteriormente fracassar nas bilheterias, renasceu com sessões semanais, à meia-noite, que uniram gerações em cidades porquê Novidade York, Londres, Paris e Sydney. A interação do público foi incorporada ao DNA da obra, e cada apresentação é um facto dissemelhante.
A novidade montagem não abre mão deste patrimônio. Pelo contrário —é leal ao texto original, mesmo quando o rumo da história se torna uma sucessão de absurdos e a trama abandona qualquer compromisso com a lógica, sem perder a congruência. Só os mal informados esperam verossimilhança de “Rocky Horror Show”.
Se muito que pode ser um programa muito engraçado entrar no Studio 54 por casualidade, sem saber zero do que está ocorrendo, e dar de faceta com o investigador maluco que cria um varão perfeito, o tal Rocky. Seria até metafórico, já que a trama secção justamente de um parelha jovem e trejeito, que fura um pneu numa estrada escura e encontra o fortaleza iluminado onde vivem os doces e perversos alienígenas.
O revival de Rocky Horror não para por aí. No ano que vem, o longa será transformado numa experiência imersiva na Sphere, a lar de shows redonda e mais tecnológica de Las Vegas. Diferentemente da montagem em edital na Broadway, será uma reinterpretação do filme de 1975.
O longa estrelado por Tim Curry, Susan Sarandon e Barry Bostwick será ajustado para a tela enorme que envolve toda a plateia, com imagens remasterizadas, recursos de perceptibilidade sintético, efeitos sonoros tridimensionais e estímulos sensoriais desenvolvidos mormente para o espaço.
A proposta segue o protótipo inaugurado pelo Sphere com “O Mágico de Oz”, no ano pretérito, e que segue sendo exibido. Em vez de refilmar ou substituir atores, a tecnologia amplia e recria a experiência original.
A expectativa é transportar para a Sphere o clima participativo que fez de “The Rocky Horror Picture Show” um grande filme cult. Ou seja, se a vida te levar para Manhattan ainda leste ano, ou para Las Vegas no ano que vem, reserve uma noite para submergir nessa adorável insanidade. É uma trato imediata para qualquer problema, ao menos por uma hora e cinquenta minutos.





