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Cabos subfluviais reforçam internet na Amazônia 29/07/2026 Economia
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Cabos subfluviais reforçam internet na Amazônia – 29/07/2026 – Economia

Quem observa o rio Branco no município de Caracaraí, em Roraima (140 km de Boa Vista), talvez não imagine, mas o curso d’chuva virou uma rota de internet.

O rio recebeu a instalação de uma rede subfluvial de cabos de filamento óptica. O projeto faz secção de um programa do governo federalista, o Setentrião Conectado, que promete substanciar a estrutura de internet contra apagões na região amazônica.

O programa é constituído por nove infovias, uma vez que são chamadas as redes de cabos lançados nos rios. Ao todo, o Setentrião Conectado prevê muro de 13 milénio km de cabos, alcançando 70 localidades.

Segundo o Ministério das Comunicações, coordenador do Setentrião Conectado, seis estão com a implantação concluída (00, 01, 02, 03, 04 e 07), enquanto três estão em curso e devem permanecer prontas até 2028 (05, 06 e 08).

O programa integra infovias previstas no Programa Amazônia Integrada e Sustentável, de 2021, e no Projeto Amazônia Conectada, de 2014, conforme o Ministério das Comunicações. Aliás, o progressão dos trabalhos ocorreu em meio à proximidade do período eleitoral, com a empreitada de Lula (PT) pela reeleição.

A implantação das infovias contou com recursos do leilão do 5G. No atual governo, o programa recebeu o selo do Novo PAC –o Ministério das Comunicações fala em investimento de muro de R$ 1,3 bilhão.

Conforme a pasta, das seis infovias com obras concluídas, três têm 2026 uma vez que ano de entrega (02, 03 e 04).

O trecho do rio Branco em Caracaraí integra a infovia 04. Essa rota se estende de Boa Vista a Manaus, com uma relação de 1.182 km de filamento óptica, conforme o ministério.

A reportagem visitou Boa Vista e Caracaraí no dia 2 de julho, quando houve a inauguração solene da via 04 em uma cerimônia na capital de Roraima.

“A gente tem cá muita queda de internet. A teoria é que isso se resolva com a internet que a gente está trazendo agora”, disse Gina Marques, CEO da EAF (Entidade Administradora da Fita), ao ser questionada pela Folha em entrevista durante o evento em Boa Vista.

A EAF é uma entidade não governamental sem fins lucrativos, criada por regra da Anatel para viabilizar a implantação do 5G no Brasil. É formada pelas operadoras Simples, Tim e Vivo, vencedoras das principais faixas do leilão do sinal de internet, realizado em 2021.

Cabe à EAF executar a construção de infovias do Setentrião Conectado. A operação e a manutenção das estruturas são repassadas a consórcios, que podem vender velocidades diferentes a custos variados.

“O que o consórcio precisa fazer é tomar conta dessa infraestrutura”, disse Adriano Vieira, CEO da Ozônio Telecom, que faz secção do grupo de empresas atuante na Infovia 04.

“Existe uma arrecadação do consórcio, uma vez que se fosse um condomínio, que permite ao líder gerir o recurso, remunerar fornecedores e, ao mesmo tempo, prestar contas para o governo federalista”, acrescentou.

Conforme Vieira, a filamento óptica que chega a cidades uma vez que Boa Vista por via terrestre “vira e mexe” se rompe, resultando em apagões. “Agora tem esse outro caminho pelo rio. Logo, se romper um [dos sistemas], os provedores, as empresas, vão pelo outro.”

Nos últimos anos, a região amazônica registrou o desenvolvimento da internet via satélite da Starlink, de Elon Musk. Para Gina Marques, a modalidade ganhou espaço devido à carência de uma conexão “mais qualificada”.

“A gente entende que, ao chegar essa internet agora mais qualificada, os provedores vão fazer a secção deles e vão ramificar essa internet [das infovias] para a população, que ao longo de um período vai deixar de utilizar o satélite”, afirma a CEO da EAF.

Os responsáveis pelas infovias dizem que os projetos têm apelo ambiental. Segundo eles, o uso dos rios uma vez que rotas de internet evita o golpe de árvores que seria necessário para a instalação de redes terrestres na região amazônica.

EL NIÑO É AMEAÇA

A colocação de cabos de filamento óptica é geral em oceanos. Eles são depositados nos rios com o uso de balsas. No caso da Amazônia, há desafios uma vez que a variação da profundidade dos rios, a existência de leitos rochosos e o registro de secas.

A chegada do El Niño é uma prenúncio que preocupa para o segundo semestre, porque pode aumentar o risco de estiagens na região Setentrião. “As condições climáticas são fundamentais para a gente realizar o trabalho. Estamos lançando o cabo da [Infovia] 05 nascente mês”, afirma Gina.

“Se houver uma mudança de temperatura ou de exigência climática, uma vez que estamos vendo no Caribe e em outros lugares, vamos ter que repensar o projeto uma vez que um todo, mas estamos preparados para fazer [as ações] conforme o cronograma”, acrescenta a executiva.

O Ministério das Comunicações anunciou nesta terça-feira (28) que a Infovia 05, que começou a ser instalada nesta semana entre Autazes (AM) e Porto Velho, estreia uma plataforma de monitoramento que permite escoltar, ao vivo, cada lanço do lançamento dos cabos subaquáticos de filamento óptica pelos rios amazônicos.

Os gestores conseguem visualizar, por meio de dados obtidos via GPS, a posição da embarcação, o progressão da instalação dos cabos e a evolução da operação.

Os cabos de filamento óptica usados no Setentrião Conectado têm previsão de uso de até 25 anos, mesmo tempo que os cabos transoceânicos. Neste tempo, eles passam por reparos pontuais, preventivos e corretivos, podendo ser substituídos por novos. A escassez de mão de obra é outro duelo indicado pela EAF.

A estrutura das redes em solo inclui o que se labareda de Cmad (núcleo traste de subida disponibilidade), uma espécie de data center. Trata-se de um pequeno contêiner que recebe os cabos e faz a distribuição dos dados da infovia para os provedores de internet. São essas empresas que têm a missão de levar o sinal até a população.

Na Infovia 04, por exemplo, há quatro Cmads, segundo Rafael Oliveira, crítico de implantação de redes da EAF. “São cérebros trabalhando para a infovia não parar”, diz.

Folha

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