“No Brasil, o cinema tem sido uma desastrada associação entre autores imaturos e capitalistas amadores”, escreveu Glauber Rocha aos 20 e poucos anos, ao examinar a nossa produção audiovisual até o início dos anos 1960. Foi quando o diretor baiano quebrou tudo com o seu cinema novo de inferior orçamento e elevado compromisso estético e social.
A frase abre “Revisão sátira do cinema brasiliano”, primeiro de três livros de Glauber que a Cosac vai reimprimir em uma caixa, com novos prefácios e 50 fotos inéditas. O volume funciona porquê manifesto para destruir o padrão instituído pelos estúdios Vera Cruz e para proclamar um cinema militante, de vocação revolucionária.
Nele, Glauber analisa de Humberto Mauro e Mário Peixoto a contemporâneos porquê Alex Viany e Nelson Pereira dos Santos. A novidade edição traz apresentação da ensaísta Ivana Bentes, da UFRJ.
O segundo livro, “Revolução do Cinema Novo”, surge quando Glauber já era reconhecido internacionalmente posteriormente “Deus e o Diabo na Terreno do Sol” (1964) e “Terreno em Transe” (1967). Publicado originalmente pela Embrafilme, por meio de seu logo diretor de operações não-comerciais, Carlos Augusto Calil, hoje diretor da Cinemateca Brasileira.
Ele traz alguns dos textos mais importantes de Glauber, porquê “O processo cinema” , “O Cinema Novo” e “Tricontinental”, centrais para o pensamento glauberiano. A novidade edição tem prefácio do pesquisador Adilson Mendes.
Fecha a caixa “O Século do Cinema”, em que Glauber analisa as cinematografias americana, italiana e francesa a partir de gêneros e autores porquê Jean Renoir e Michelangelo Antonioni, que conheceu pessoalmente.
A edição traz prefácio do jornalista Claudio Leal. Os três volumes mantêm ainda os prefácios de Ismail Xavier, professor da USP e um dos principais teóricos do cinema brasiliano, que organizadou a primeira edição pela Cosac.
“A reedição de livros de Glauber pela Cosac oferece um círculo largo de ensaios, manifestos e intervenções de choque do nosso cineasta de maior prestígio no exterior, capaz de impactar seus mestres europeus e de pavimentar o soalho dos cineastas brasileiros de hoje, ao produzir, sem pavor de excessos, uma laia sátira e histórica para a trajetória do cinema vernáculo”, afirma Leal.
Os 45 anos da morte de Glauber também serão marcados pelo restauro de três filmes do período de exílio. O Fundo Cultural do Banco Vernáculo de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investirá R$ 2 milhões na recuperação do longa “História do Brasil” (1974) e dos curtas “Amazonas, Amazonas” (1966) e “Di Glauber” (1977). Posteriormente a restauração, as obras circularão em festivais e integrarão a Mostra BNDES Glauber Rocha, prevista para intercorrer até o final do ano na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
GARIMPO ILEGAL Sombras, lançamento de março da ÔZé Editora, encara um tema vasqueiro na literatura infantil: o mina ilícito e seus impactos socioambientais. Concebido porquê um poema visual a partir na técnica ancião do teatro de sombras, o livro aposta na arte para transcrever uma verdade complexa realizada pela mesma equipe do premiado “Oikoá”: Luise Weiss, Felipe Valério, Fabio Brazil e Wanda Gomes. Um posfácio informativo fecha o livro com dados sobre a escalada do mina no Brasil, sobretudo na Amazônia.
GARIMPO LEGAL Pouco conhecida no Brasil, a literatura chinesa contemporânea ganhou maior visibilidade posteriormente o Nobel de Literatura outorgado a Mo Yan, em 2012. Agora, o lançamento de “A novidade literatura chinesa: Lume”, pelo selo Cultura Acadêmica da Instalação Editora da Unesp, procura ampliar esse horizonte. A florilégio reúne textos de dez autores de diferentes gerações, entre nomes consagrados e novas vozes. O volume nasce de um projeto da revista “Renmin Wenxue” (Literatura do Povo), referência médio das letras chinesas. Organizados em torno do tema da “Vida”, os textos apostam na força da narrativa breve. Em sua décima edição internacional, “Lume” oferece ao leitor brasiliano uma porta de ingresso qualificada para a China literária contemporânea.
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