Can xue: nobel não é importante, quero ser shakespeare

Can Xue: Nobel não é importante, quero ser Shakespeare – 19/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

A chinesa Can Xue, de 72 anos, liderou as apostas para o Nobel de literatura nas duas últimas edições. Um ano detrás, estava na vanguarda na reta final com verosimilhança de dez para um, segundo a empresa londrina de apostas Ladbrokes. Perdeu para a sul-coreana Han Kang.

Questionada, não hesitou. “Não considero o Nobel particularmente importante. Meu objetivo é me tornar um repórter uma vez que Shakespeare ou Dante.”

Sua obra mistura tradições chinesas com experimentalismo ocidental. Ela conta por que enquadra sua escrita uma vez que performance, um ato que convida os leitores a não só observar, mas dançar a seu lado.

Diz que cada personagem é um migalha da espírito da autora e cada história é um teste desses fragmentos em um mundo em que explorar o paixão e a liberdade é difícil, um tema meão de “Histórias de Paixão no Novo Milênio”, que é lançado agora pela Fósforo.

Por termo, Can Xue confronta suas experiências durante a Revolução Cultural. Rejeita o envolvimento direto com fenômenos históricos ou sociais, dizendo em vez disso uma vez que tais experiências, transformadas no “oceano da memória”, tornam-se a força motriz por trás da procura de liberdade de suas personagens.

Suas obras são traduzidas e discutidas globalmente, e espera-se que você ganhe o Nobel. Ele significa alguma coisa para você? Acha que é capaz de reconhecer, por exemplo, a flutuação das vozes literárias chinesas?

Não considero o Prêmio Nobel de Literatura particularmente importante. Meu objetivo é me tornar um repórter uma vez que Shakespeare ou Dante. Se eu lucrar o prêmio, a voz da literatura chinesa certamente será ouvida. E creio que, mesmo que não ganhe, minha voz ainda será ouvida. Isso foi comprovado em países ao volta do mundo. Estou positivo nisso porque minhas obras são realmente as mais universais e humanas, as melhores.

Por que você descreve sua escrita uma vez que performance? E qual seria o nosso papel, uma vez que leitores?

É porque ela pode ser comparada a uma espécie de dança física que ativa as funções do corpo humano. Os humanos possuem essa função, mas, ao longo da história, os povos de civilizações avançadas a esqueceram, substituindo-a por outras funções menos essenciais. Minha escrita é o despertar e a ressurreição dessa função antepassado. Sempre acreditei nisso. Quem pode se tornar meu leitor? Acho que são aqueles que podem dançar comigo. Estimulados e inspirados pela minha performance, eles iniciam sua própria dança inovadora.

Sendo uma das raras escritoras chinesas contemporâneas com obras celebradas nos círculos literários estrangeiros, o que você acha que os leitores encontram de maior sonância em suas histórias? Há temas nelas que requerem contexto suplementar para compreensão?

Creio que o que mais atrai leitores internacionais na obra é a maneira uma vez que conquista a natureza humana mais universal em seu potencial sumo. Todos vivenciam graus variados de repressão na vida secular e anseiam por liberar seus desejos e emoções. Os romances oferecem um conforto profundamente satisfatório. Essas obras, com seus enredos inusitados, evocam paixão, atraindo inconscientemente para seu reino, liberando nossa própria originalidade em procura de um estilo de vida livre.

Entender as obras requer pouco conhecimento prévio da cultura chinesa. Elas são a origem dessa cultura, únicas, porém adaptáveis às necessidades espirituais e físicas de cada tipo. Os leitores que entram e dançam com elas as compreendem verdadeiramente.

A língua chinesa é conhecida pela anfibologia poética. Há desafios na tradução de seus escritos para o português decorrentes das nuances da gramática ou do vocabulário chinês?

O chinês é difícil de transcrever. Mas creio que todas as línguas do mundo são comunicáveis. As línguas ganham vida através da notícia. Imagino leitores no seu país lendo as obras. Que cena linda deve ser.

Qualquer personagem de “Histórias de Paixão no Novo Milênio” soou particularmente pessoal para você? Ou que você tenha visto uma vez que representativo de mudanças geracionais mais amplas de uma vez que o paixão é vivenciado na China?

Nunca descrevo experiências mundanas superficiais, minha literatura é uma espécie de literatura forçoso. Cada personagem e objeto em meu livro é um migalha da minha espírito e do meu corpo. No entanto, permaneço desapegada das emoções mundanas. Simplesmente sublimo esses desejos, transformando-os em uma bela cantiga de humanidade. Coloco os personagens em ambientes hostis para testar sua humanidade e ver até que ponto cada uma de suas paixões pode ser liberada.

Leste também é o significado do título do livro, “Histórias de Paixão no Novo Milênio”. Nele, interrogo a mim mesma e ao coração humano —uma vez que será nossa procura por paixão e liberdade no novo século? Acredito que cada personagem do livro dá ao leitor uma resposta satisfatória. Em outras palavras, a própria atuação do responsável deve inspirar uma atuação semelhante no leitor.

Sua escrita reúne elementos de tradições culturais chinesas, uma vez que contos populares e taoísmo, com influências estrangeiras, uma vez que Kafka e Jorge Luis Borges. Porquê você equilibra essas duas correntes culturais?

Essa pergunta exigiria um livro sumarento para ser respondida. Estou trabalhando nele no momento. É um tratado filosófico sobre o libido humano, que entrelaça filosofia antiga com ficção experimental. Escrevo há mais de uma dezena e vou enviar o livro à editora da Universidade de Pequim para publicação no próximo verão. Considero um livro que combina influências chinesas e ocidentais. Tornei as duas culturas mutuamente essenciais, criando uma visão de mundo e uma metodologia completamente novas.

Você já mencionou Borges uma vez que uma influência literária fundamental. Quais aspectos específicos da escrita dele moldaram mais profundamente as suas escolhas?

Borges não é o único repórter que influenciou fundamentalmente meu trabalho. Há uma longa lista deles: Dante, Shakespeare, Cervantes, Goethe, Musil, Kafka, Calvino, Bruno Schulz e assim por diante. A influência mais fundamental desses escritores, incluindo Borges, é que eles moldaram minha visão de mundo, permitindo-me ver o universo e a mim mesma sob uma luz completamente novidade.

A influência de Borges está principalmente em sua preocupação pela prática criativa e em suas belas descrições de jogos simétricos e da integração do universo e do humano. Acredito que meu trabalho hoje continua sua narrativa. Em outras palavras, acredito que sua narrativa, uma vez que a de outros escritores experimentais antes dele, permanece atual e pouco apreciada.

Por que você considera seu trabalho desvinculado de sociedade, história, política, economia e assim por diante? Quais são suas principais preocupações?

Acho que é um hobby pessoal. Minha escrita não se concentra nos fenômenos que você mencionou. Meu foco está na exploração da origem da natureza humana. Meu trabalho também incorpora material social, cultural e político, mas esses materiais servem a um propósito dissemelhante. Acredito que todos os romancistas experimentais escolhem e utilizam o material da mesma forma que eu. De modo universal, sabor de colocar personagens em situações desesperadoras para compeli-los a agir. Esses cenários geográficos ou históricos não são específicos de um país específico, uma vez que a China, mas sim de um cenário utópico.

É evidente que, por conveniência, geralmente prefiro material chinês. Os leitores devem observar que essas descrições não são realistas; são materiais que extraio de experiências mundanas para produzir uma utopia crua. Quero explorar uma vez que as pessoas podem se comportar em situações desesperadoras. Portanto, todos os personagens em minhas obras são partes fragmentadas de si mesmos, todos bons, sem nenhum verdadeiramente mau. Ler minha obra exige uma certa compreensão filosófica, uma premência de ver o enredo da perspectiva de toda a humanidade. Caso contrário, é difícil entrar na história, e só se pode vagar pela periferia.

A Revolução Cultural foi um período de dificuldades para sua família e de increpação extrema na China. Apesar dos desafios, suas primeiras leituras de obras filosóficas e literárias continuaram. Porquê você fez isso? E esse envolvente restritivo inspirou sua maneira de redigir por meio de simbolismo ou subtexto?

Acho que minha explicação para a pergunta anterior já respondeu. Eu era uma petiz sensível e reflexiva, mas nunca me baseei diretamente em experiências da puerícia ao produzir. Toda experiência acumulada serve ao meu processo criativo, que irrompe de uma manadeira meão. Construo vários aspectos essenciais da natureza humana, permitindo que os personagens cresçam por meio dessas lutas.

Todas essas práticas levam ao surgimento de um reino utópico em seguida o outro. Acredito que o trabalho de escritores experimentais uma vez que nós é a forma mais pura de geração. Comprimimos o libido, permitindo que ele irrompa do núcleo de nós mesmos, criando um milagre da natureza humana em seguida o outro, um em seguida o outro, do zero.

A Revolução Cultural e o movimento antidireitista certamente tiveram um impacto profundo na formação da minha personalidade, mas esses elementos superficiais não são visíveis em minhas obras. Eles afundaram nas profundezas do oceano da memória, onde passaram por uma transformação fundamental. Quando irrompem do núcleo de nós mesmos, deixam de ser as experiências superficiais que já foram. Tornam-se a força motriz por trás da procura de liberdade de cada personagem.

Folha

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