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Casa de Vidro ganha exposição que celebra seu legado
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Casa de Vidro ganha exposição que celebra seu legado – 02/10/2026 – Ilustrada

No prelúdios da dez de 1950, a arquiteta Lina Bo Bardi inaugurou a residência que viraria símbolo de modernidade naquela estação. Localizado no Morumbi, zona sul de São Paulo, o imóvel parecia flutuar sobre as árvores em razão de suas finas pilastras e se confundir com a paisagem por desculpa da frontispício toda envidraçada.

Passados 75 anos de sua inauguração, a residência ainda é vista porquê uma das referências máximas da arquitetura moderna no Brasil. Por isso, a exposição “Janelas de Afeto e Memória” reúne vídeos, móveis, fotografias e pinturas para comemorar o legado arquitetônico da Vivenda de Vidro —espaço que foi residência de Bo Bardi e seu marido, Pietro Maria Bardi, por mais de quatro décadas.

“A teoria principal era não ser mais uma exposição de retrospectiva ou uma homenagem, e sim a apresentação de um legado vivo”, diz Bruno Simões, que assina a curadoria do projeto. “É a data de natalício de alguém que ainda está vivo, respirando, se transformando, evoluindo, porquê é o caso deste espaço.”

O curador dividiu a mostra em cinco capítulos para relatar momentos importantes da Vivenda de Vidro. Um desses eixos traz croquis e documentos para revelar as ideias que deram origem ao imóvel —projeto influenciado por modernistas porquê Le Corbusier e Mies Van Der Rohe.

Ao ser inaugurada, em 1951, a residência se tornou o primeiro projeto construído de Bo Bardi. Nascida na Itália e radicada no Brasil, a arquiteta foi responsável por outras construções que redesenharam a paisagem de São Paulo, porquê o Sesc Pompeia e o Museu de Arte de São Paulo, o Masp.

“Lina já trazia da Europa essa teoria de uma arquitetura moderna, arrojada. Ela já manifestava esses desejos em textos que escrevia na Domus”, diz Simões, em referência à revista de arquitetura em que Bo Bardi trabalhou nos anos 1940.

“Nesse momento pós-Guerra, já existia esse pensamento da vivenda do porvir, autônoma e moderna. Logo, ela já tinha os elementos com os quais gostaria de trabalhar quando fosse fazer um projeto.”

Um desses elementos presentes na Vivenda de Vidro é o uso ostensivo do vidro para trazer a vegetação do entorno para o interno do imóvel. Outra particularidade é a presença de uma grande sala. “É basicamente o que ela reproduz depois no salão principal do Masp, que é esse projecto franco para a paisagem”, afirma Simões.

Na sala da Vivenda de Vidro, Bo Bardi e o marido distribuíram obras de arte e diferentes móveis, alguns deles concebidos pela própria arquiteta. É o caso da Poltrona Bowl, um volume circundar em forma de tigela suspenso do soalho por finas hastes metálicas. Essa obra, aliás, é um dos destaques da exposição.

“Ela chegou ao Brasil com essas ideias revolucionárias e não encontrava um design que atendesse aos seus desejos. Logo, ela sai desenhando tudo”, diz o curador.

Outro traste criado por Bo Bardi é a Cadeira Globo de Latão —uma poltrona formada por tubos pretos que sustentam o revestimento do traste, além de dois globos dourados nas laterais. É uma obra que parece fundir a imponência dos tronos à fluidez das poltronas modernistas.

“Tem a presença dessa tradição muito associada ao Pietro, um marchand de arte clássica europeia, mas dentro de uma linguagem super modernista. É quase um autorretrato do parelha, um híbrido do pensamento dos dois.”

Outro destaque da exposição é o protótipo de uma estante de vidro que Bo Bardi projetou para a livraria da vivenda. O objeto, no entanto, foi retirado três anos posteriormente a residência ter sido inaugurada, possivelmente em razão de avarias nas prateleiras. A mostra recriou a estante usando porquê protótipo desenhos técnicos deixados pela arquiteta.

Além de ocupar a sala, a exposição se estende também pela cozinha da residência, onde é verosímil ver um experiência fotográfico produzido por Bo Bardi. Nas imagens, vemos diferentes eletrodomésticos, porquê fogão e máquina de lavar. “Lina fala do papel da mulher nesse envolvente moderno ao mostrar a sua cozinha porquê um exemplo de praticidade e independência”, afirma o curador.

A mostra traz ainda um conjunto de fotografias feitas por nomes porquê Leonardo Finotti, Maíra Acayaba e Vincent Catala. De entendimento com o curador, as imagens foram escolhidas porque apresentam pontos de vista novos sobre a residência. “Existem fotos clássicas da vivenda que se repetem muito. Eu tenho um pouco de aversão a isso. Sabor de ver outros ângulos, outros olhares e outras interpretações da arquitetura.”

Além de se debruçar sobre o pretérito e o presente da vivenda, a exposição joga luz também sobre o porvir que o parelha imaginou para a residência. Por isso, há uma seção dedicada a estudos de ampliação do espaço, projetos que nunca saíram do papel.

O que se concretizou mesmo foi o libido de tornar a residência um patrimônio cultural. Em 1987, quando o parelha ainda estava vivo, o imóvel foi tombado em razão de sua prestígio arquitetônica. “Eles sabiam que era importante esse espaço ser preservado”, afirma o curador. “É um tanto que os motivou a fazer com que a memória não fosse apagada.”

Folha

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