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Casacor 2026 mira o aconchego como reação a realidade
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Casacor 2026 mira o aconchego como reação a realidade – 01/06/2026 – Ilustrada

Há um pouco de deliberadamente anacrônico na proposta deste ano da Casacor, o principal evento de arquitetura e design de interiores do país. Enquanto o mundo debate lucidez sintético, a mostra de arquitetura e design encara o papel do lar na vida. Sob o tema “Mente e Coração”, arquitetos e paisagistas convidados passam a pensar a mansão não uma vez que uma extensão da vida do dedo, mas uma vez que um refúgio.

“É um invitação para uma reflexão sobre uma vez que acionar outras inteligências”, diz Livia Pedreira, presidente do recomendação curador da Casacor. Uma delas é a lucidez orgânica —logo na ingresso, abrigando a bilheteria, a arquitetura Viviane Teles erigiu uma estrutura, que remete à casca seca da vegetal fisális, feita com bambu engenheirado.

Para além da decoração, ideais relacionados à bioarquitetura e novas formas de construção aparecem no trajectória da mostra, uma vez que no envolvente da dupla Ericca Goncalves & Cinthia Gontijo, do escritório Volar, que construiu um chalé pré-fabricado, em parceira com a EcoMorada.

O holandês Edward van Vliet, convidado internacional que abre o trajectória, também ganha destaque com o seu noção de pavilhão modular batizado de “Cubikoo”, propondo integração com o paisagismo do Parque da Chuva Branca, na zona oeste da cidade, onde ocorre o evento.

A construção dos 70 ambientes segue regras rígidas ao mourejar com os dois prédios históricos do parque, tombados, e seus periferia.

É o segundo ano seguido em que a Casacor ocupa tapume de 10 milénio metros quadrados do parque. O retorno ao espaço consolida uma decisão que, em 2025, foi lida uma vez que aposta —e acabou funcionando. “A visitação foi recorde, chegamos a quase 130 milénio visitantes”, diz Pedreira.

“Ouvimos muito de paulistanos que nunca tinham vindo ao parque, descobrindo essa joia na cidade.” Em contrapartida, a mostra deixa benfeitorias nos prédios. No ano pretérito, foram revitalizados os telhados e pisos de madeira, além da instalação de elevadores. Desta vez, a previsão é restaurar da escada interna de um dos edifícios e fazer o recapeamento asfáltico das ruas ao volta.

No trajectória dos ambientes, a restauração proposta pelos arquitetos convidados é em relação aos interiores. Na pesquisa de tendências que guia os caminhos da curadoria, chegou-se ao termo “epidemia de burnouts”, que Pedreira usa para descrever a perda dos limites entre dia e noite, trabalho e folga. No resultado final, é clara a leitura desse lar, por segmento dos participantes, uma vez que um casulo que acolhe. Se na primeira edição no parque o foco era a convívio com a natureza ao volta dos edifícios, agora o olhar é para o lado de dentro das janelas.

Isso se constrói com vários discursos sobre lembranças de confortos e origens pessoais. Michele Wharton, por exemplo, trabalha as referências da sua origem panamenha em um envolvente pessoal, revendo as tradições têxteis locais e as influências da transmigração oriental para o país.

A América Latina também surge nos ambientes do boliviano Eduardo Baldelomar e do jovem estreante Lucas Carrara, que ganhou notoriedade ao assinar a mansão da atriz Alice Wegmann.

Alguns ambientes trocam deliberadamente o fetiche dos móveis assinados pela procura de um visual mais familiar —até um pouco caótico para um setor que passou tanto tempo agarrada ao minimalismo. Marcelo Salum não poupa nas cores, enquanto Felipe de Almeida acumula reminiscências em envolvente referto de mementos.

No primórdio do trajeto, Paulo Azevedo cria um abrigo que é uma colmado quase de puerícia, fazendo o que labareda de “manifesto antiostentação”. “Os designers se apegam muito à poltrona ou lustre de alguém”, diz ele, “uma vez que se isso validasse a qualidade do projeto. Acho que o belo não necessariamente tem assinatura. O nosso papel é fazer qualquer coisa ser formosa a partir do olho”.

É evidente que clássicos uma vez que os mobiliários de Sérgio Rodrigues seguem aparecendo pelos ambientes, mas o olhar dos participantes deste ano está desviado, em grande segmento, para um caminho sensorial. Apesar de Livia Pedreira declarar que não se fala mais em tendências, os caminhos retomam influências do evento de 2024, que mirava o Brasil tradicional — e, consequentemente, seus materiais. Um novo luxo que não quer mais saber de assepsia.

Essa procura se transforma em obstinação por texturas das mais diversas. Tanto em caminhos que abraçam um perceptível biomimetismo —uma vez que a madeira talhada que remete ao barro ou têxteis que relembram minerais —, uma vez que nas mais diversas texturas. O “bouclé” é tecido onipresente, cobrindo poltronas e sofás de linhas arredondadas. Linhos, pedras sem polimentos, sisais e materiais naturais aparecem com riqueza, uma vez que na suíte minimal do MCA Estúdio e no living do escritório Maai, com suas palhas de carnaúba.

Durante muito tempo, a fantasia do design de interiores foi a da sublimidade. Agora, ao ocupar um prédio que fala com a cidade —e penetrar segmento do evento para o público não pagante do parque —, a Casacor vê ambientes que parecem habitados, não só cenografados.

Folha

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