Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Chefe do futebol argentino trava batalha com Javier Milei
Esporte

Chefe do futebol argentino trava batalha com Javier Milei – 01/06/2026 – Esporte

O principal dirigente do futebol prateado tem mais em jogo na Despensa do Mundo deste ano do que exclusivamente manter o status do país de atual vencedor.

Um bom desempenho da Argentina também fortaleceria a posição de Claudio “Chiqui” Tapia, presidente da AFA (Associação do Futebol Prateado), em uma longa disputa política com o presidente do país, Javier Milei.

A rivalidade entre os dois chegou aos tribunais leste ano, com uma vaga de investigações judiciais sobre devassidão entre dirigentes do futebol prateado, enquanto a seleção se prepara para viajar aos Estados Unidos para o torneio.

“A Argentina chega à Despensa do Mundo com expectativas internacionais incrivelmente altas, mas em lar tudo o que acontece na associação de futebol é uma completa bagunça”, disse Mariano Hamilton, jornalista esportivo em Buenos Aires.

Tapia, que se tornou presidente da AFA em 2017, é um ex-dirigente do sindicato dos caminhoneiros argentinos e tem fortes laços com o peronismo, movimento de esquerda que é a principal oposição a Milei.

O conflito com Milei começou logo em seguida sua posse, em dezembro de 2023, quando o presidente da Argentina emitiu um decreto executivo que permitiria que os clubes de futebol sem fins lucrativos do país se tornassem empresas privadas, uma vez que é generalidade em muitos outros países.

A AFA entrou com uma ação judicial e conseguiu impedir a mudança. Desde portanto, os esforços para atrair investidores privados para o futebol prateado estagnaram e a disputa entre Milei e Tapia se intensificou.

O governo declarou a reeleição de Tapia para a presidência da AFA em 2024 “inválida”, com Milei comparando a disputa às eleições fraudulentas da Venezuela sob o líder agora deposto Nicolás Maduro. Um tribunal federalista derrubou a solução do governo.

Em dezembro, Patricia Bullrich, senadora do partido de Milei, denunciou Tapia à Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) por supostas violações éticas. Ela pediu que a entidade investigasse “a máfia que controla a AFA e mancha o futebol prateado”.

Enquanto isso, em março, um tribunal de Buenos Aires acusou Tapia e altos funcionários da AFA de sonegação fiscal em um caso movido pela Receita Federalista argentina. Promotores abriram outras seis investigações.

Por razão das investigações, Tapia foi obrigado a buscar autorização judicial para viajar para os jogos da Despensa do Mundo.

Muitos comentaristas acusam Tapia de replicar o estilo de gestão dominador e opaco de seu predecessor, Julio Grondona, que comandou a AFA por 35 anos.

A estrutura incomumente grande da liga argentina, com 30 times, fortaleceu o suporte a Tapia entre os clubes menores. Mas dois terços dos torcedores acreditam que árbitros e organizadores de torneios favorecem rotineiramente os times preferidos de Tapia, segundo a empresa de pesquisas Isasi/Burdman.

Críticos afirmam que a grande quantidade de jogos na liga, combinada com mudanças imprevisíveis no calendário, criou uma experiência caótica para os torcedores, enquanto as restrições ao investimento privado levaram os melhores talentos a buscar oportunidades no exterior.

Uma pesquisa realizada em dezembro pela consultoria CB Consultora revelou que 65,8% dos entrevistados desaprovavam a gestão de Tapia.

Tapia minimizou as críticas e insiste que o governo não tem uma vez que destituí-lo antes do término de seu procuração, em 2028. “Três presidentes já passaram pelos nove anos em que estou no função”, disse ele em novembro. “Ainda tenho muitos anos pela frente.”

Tapia também conta com aliados importantes. A Fifa (Federação Internacional de Futebol), que possui uma política rigorosa contra a interferência de governos nacionais no futebol, sinalizou seu suporte, nomeando Tapia para seu juízo de 37 membros no ano pretérito.

Alguns analistas acreditam que o capitão da seleção argentina, Lionel Messi, também se aliaria a ele se fosse forçado, embora há tempos evite se pronunciar sobre a política argentina.

Tapia chegou a fazer acenos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, coligado de Milei, participando de um jantar privado em dezembro no resort Mar-a-Lago, na Flórida, em homenagem ao ativista político Charlie Kirk.

A AFA não respondeu a um pedido de observação, mas em uma enunciação anterior a associação defendeu seu protótipo, que, segundo ela, mantém o futebol prateado “genuinamente competitivo” em verificação com outros países.

O sucesso internacional da Argentina nos últimos anos amenizou a frustração com a gestão de Tapia. Em 2022, 4 milhões de pessoas —quase um décimo da população do país— compareceram a Buenos Aires para dar as boas-vindas à seleção vitoriosa em seguida seu primeiro título da Despensa do Mundo em quatro décadas, sob o comando de um técnico escolhido pelo presidente da AFA.

A seleção também conquistou os títulos da Despensa América de 2021 e 2024 e a Finalíssima de 2022, anteriormente conhecida uma vez que Despensa das Nações Europeias/Sul-Americanas.

O desempenho da seleção na Despensa do Mundo pode estabelecer se a pressão sobre Tapia aumenta ou diminui.

“Se formos campeões mundiais, você verá que zero disso de questões institucionais importa”, disse Tomás Aguilar, torcedor do Club Atlético Independiente, da cidade de Avellaneda. “Os argentinos são assim por natureza.”

Em segmento devido ao sucesso da seleção, os esforços de Milei para mobilizar a opinião pública contra Tapia “fracassaram”, disse Lucas Romero, diretor da consultoria política Synopsis. “Os maiores detratores de Tapia tendem a ser eleitores de Milei. Isso não é um tanto que vá gerar mais suporte para ele em toda a sociedade.”

Com a proximidade da Despensa do Mundo, Milei suspendeu suas críticas públicas a Tapia. “Outra vitória certamente acabaria com o conflito”, acrescentou Romero. “Ninguém quer disputar com alguém que acabou de levar a Argentina a dois títulos mundiais.”

Daniel Vítolo, que até março chefiou a IGJ (Inspetoria Universal de Justiça), responsável pela investigação das finanças da AFA, disse ao FT que, embora uma vitória da Argentina na Despensa do Mundo não necessariamente levasse o governo a arquivar os processos relacionados à AFA, as investigações se tornariam “mais lentas e com menos interesse”.

No entanto, um funcionário do Ministério da Justiça afirmou que o governo “não tem interesse em atenuar a fiscalização” sobre a AFA.

Enquanto isso, Ezequiel Fernández Moores, jornalista esportivo veterano na Argentina, disse que um torneio ruim —uma vez que não chegar às quartas de final, por exemplo— reacenderia a disputa de Milei com Tapia.

“Tapia perderia força, e portanto o governo, o Ministério da Justiça e a mídia se voltariam com mais força contra ele”, disse.

“Por outro lado, um desempenho muito bom tornaria muito mais difícil agir contra ele”, acrescentou. “Vamos ver se a esfera entra no gol.”

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *