Diante da hostilidade dos Estados Unidos, sob a gestão Donald Trump, contra organismos multilaterais, a China agora está dando um passo para exportar não só modelos de IA para o mundo inteiro, mas também instituições —e, com isso, procura romper um isolamento que vinha enfrentando até cá.
É isso o que mostram as últimas notícias vindas do país asiático. Na semana passada, em Xangai, foi anunciada a geração da Organização de Cooperação Mundial em Perceptibilidade Sintético (Waico), em um exposição no qual o presidente Xi Jinping falou que “o desenvolvimento da IA não deve ser uma performance solo de um único país, mas uma sinfonia de cooperação internacional”.
O novo organização é uma resposta à Pax Silica, coalizão com países aliados que os EUA anunciaram no término de 2025, para proteger —ou dominar, diriam os críticos— a enxovia global de suprimentos da IA, que inclui do aproximação a minerais críticos a infraestrutura computacional.
Enquanto a Pax Silica é um clube de amigos ricos, a China propõe um organização de governança e cooperação —e o Brasil, diga-se, já aderiu a essa iniciativa. Com isso, Pequim corre detrás de restaurar um espaço que vinha perdendo em uma arquitetura internacional da IA. Nos últimos anos, iniciativas uma vez que a AI Safety Summit, no Reino Uno, não tinham os chineses uma vez que protagonistas.
Na ONU, a resistência americana tem dificultado até cá a construção de ferramentas multilaterais. Uma das poucas iniciativas em que os chineses tiveram papel de destaque foi na cúpula dos Brics no ano pretérito, quando o grupo aprovou a primeira enunciação específica sobre governança da lucidez sintético —e a minuta que foi discutida era de autoria do Brasil.
A geração da Waico é uma reação a esse cenário. E um jeito de os chineses buscarem exercitar liderança nas regras globais que vão reger a IA —um pouco considerado tão estratégico quanto o desenvolvimento de modelos de fronteira. O jeito foi fazer isso fora do sistema ONU (Organização das Nações Unidas).
Ao falar que a IA não pode ser um pouco de um país só, os chineses também tentam se apresentar uma vez que parceiros mais seguros do que os americanos —sobretudo para países aliados que buscam soberania do dedo. Foi isso que interessou ao Brasil na iniciativa.
“Vários países, o Brasil incluído, não podem aspirar a ter 100% de controle sobre a enxovia da IA, dos chips aos modelos. Nosso ecossistema do dedo não é soberano, mas podemos reduzir vulnerabilidades”, diz o legado Eugênio Vargas Garcia, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual do Itamaraty.
“Dentro da soberania, uma das ideias é variar parceiros. Se depender de só um, você está vulnerável a uma situação de monopólio. Toda cooperação internacional é bem-vinda e nos dá velocidade para atingir esses objetivos.”
O legado, evidente, não faz críticas a nenhum país. Mas um exemplo de vulnerabilidade ficou evidente em junho, quando os Estados Unidos decidiram vetar o aproximação de estrangeiros aos sistemas mais avançados da Anthropic.
Os chineses também oferecem uma resposta a essa questão, com uma estratégia fortemente voltada para os modelos de IA abertos. É o caso do Kimi K3, lançado nesta semana e com desempenho parecido com os principais modelos americanos.
Na segunda-feira (27), a Moonshot AI, desenvolvedora do Kimi, liberou os parâmetros do padrão e o relatório técnico detalhando arquitetura, treinamento e avaliações. Esse passo é considerado mais importante do que o proclamação —a partir daí, qualquer organização vai poder, em tese, minguar o padrão, executá-lo em sua própria infraestrutura, modificá-lo e produzir versões derivadas.
“Os dois países têm duas visões de IA totalmente opostas. Enquanto os EUA estão fazendo modelos gigantes e caros, a China está criando modelos otimizados para resolver problemas reais e os está disponibilizando para todos”, diz Diogo Cortiz, professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Tecnologias Web.
“Muitas empresas e governos começam a olhar para a China não só uma vez que uma escolha, mas uma vez que a principal manancial de modelos para prometer soberania tecnológica. Quem é parceiro dos EUA já não confia tanto neles.”
O sucesso chinês ameaço o próprio sucesso mercantil dos laboratórios de IA americanos. As empresas dos EUA, finalmente, baseiam seu padrão de pesquisa e negócios na chamada lei da escalabilidade. É a teoria de que a IA fica mais poderosa —e de forma previsível— conforme recebe mais infraestrutura computacional, mais dados e mais parâmetros.
A questão é que esse padrão requer investimentos sem precedentes em data centers. Algumas estimativas apontam que o capital direcionado para infraestrutura de IA nos EUA vai passar de US$ 3 trilhões (R$ 15 trilhões) até 2030. A China, por outro lado, consegue competir com os americanos empregando muito menos recursos.
Um sinal de que os Estados Unidos vêm sentindo o baque e questionando sua própria estratégia está em um relatório do Congresso americano divulgado no término de março. O documento chega a confrontar os gastos dos dois países com data centers: enquanto as principais empresas americanas investiram US$ 350 bilhões (R$ 1,8 trilhão) no ano pretérito, na China esse número é de US$ 40 bilhões (R$ 205 bilhões).
A estratégia de modelos abertos, aponta o relatório, também contribui para uma implementação mais acelerada da IA na economia do país. E esse uso produz dados novos, usados no aperfeiçoamento dos modelos. Sem falar no preço dos serviços de IA chineses, muito mais competitivos.
O documento também faz um alerta. Enquanto a narrativa americana privilegia os grandes modelos de fronteira, os “small language models” (pequenos modelos de linguagem) ganham espaço no mercado —com mais eficiência e menos custos. Há uma pesquisa da Nvidia prevendo que, no porvir, os SLMs vão ser responsáveis pela maior segmento das aplicações de IA.
Vantagem para a China, porque os SLMs são justamente os tipos de modelos que o ecossistema simples promovido por Pequim favorece. Para treiná-los, é necessária só uma pequena fração da infraestrutura que os grandes laboratórios americanos mobilizam. E, diante disso, têm pouco efeito as restrições à exportação de chips para a China que os EUA tentam impor.
“É um problemão para as empresas americanas. Os EUA já entenderam que a estratégia de Pequim pode trazer dominância tecnológica para a China”, diz Diogo Cortiz.





