O Multiplex Playarte Marabá, localizado na avenida Ipiranga, no meio de São Paulo desde 1944, pode fechar as portas. O cinema, um dos mais antigos do país, enfrenta um processo de lixo que deve ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça no dia 20 de outubro.
Os antigos proprietários do prédio onde o cinema está localizado, o magnata Antonio João Abdalla Fruto e sua mana, Lúcia Abdalla, pediram o lixo do cinema, dirigido pela Playarte, em junho de 2024, devido ao tardança de cinco aluguéis no valor totalidade de R$ 40,7 milénio. À quadra, a administradora também não havia pago 13 parcelas do Imposto Predial e Territorial Urbano, o IPTU, que somavam murado de R$ 175,8 milénio.
Em agosto e setembro do mesmo ano, a Multiplex Playarte efetuou o repositório para quitar a dívida. Em paralelo, entrou com um pedido de isenção de pagamento do IPTU à Prefeitura de São Paulo, com base na lei 13.712, que dispensa os cinemas de rua do imposto. Segundo Otelo Coltro, presidente da rede, não houve resposta.
Em nota, a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa afirma que o mercê não foi oferecido ao Marabá devido a “inconsistências na documentação apresentada, porquê conta de luz em nome de terceiros e conta de telefone com outro endereço”. O órgão disse que, posteriormente a negativa, não foi apresentada novidade documentação.
Depois julgamento em primeira instância, foi decretado o lixo. A Playarte apelou à segunda instância e entrou com recurso no STJ, o Superior Tribunal de Justiça, que suspendeu a desocupação do imóvel em caráter de urgência até que o caso fosse retomado pela relatoria do processo.
O legisperito de Abdalla, Waldir Vieira de Campos Helu, afirma que o imóvel foi vendido nesse meio tempo. O prédio inclui o cinema, no piso térreo, e andares superiores, onde hoje funciona o hotel Del Plaza. A mudança de proprietário ainda não foi informada no processo, mas não altera o julgamento em outubro.
A rede de hotéis Monreale, que administra o Del Plaza, é a compradora e novidade dona do prédio. A empresa familiar, comandada por João Batista Magro e seu fruto, Flávio Magro, tem um resort em Minas Gerais, outras seis unidades no estado de São Paulo e duas em Orlando, na Flórida.
Procurado pela reportagem, o legisperito da Monreale, Carlos Weiss, afirma que a empresa não vai se manifestar sobre a ação. Caso a decisão final do STJ seja favorável à Playarte, o cinema poderá continuar crédulo até 2028, quando acaba o contrato de locação de dez anos assinado entre a exibidora e o velho proprietário. Weiss não respondeu se a Monreale pretende renovar o contrato de aluguel com o cinema.
“O cinema está aquecido, está ativo, mas a gente está com essa faca no pescoço. Não sabemos até quando as coisas vão poder ter perpetuidade”, diz Coltro, presidente da Playarte. Segundo ele, os representantes da rede Monreale não respondem às suas tentativas de contato para negociar a novidade locação do espaço. Ele afirma, no momento, que não consegue remunerar o aluguel por não saber em que conta fazer os depósitos, o que pode aligeirar o lixo.
Segundo Coltro, Abdalla, o velho possuidor do prédio, teria dito que um cinema no meio de São Paulo não é um negócio viável. Quando foi informado sobre a venda do prédio, Coltro perguntou se o cinema poderia continuar a operar no lugar, mas ouviu que não, porque o comprador pretendia instalar outro tipo de negócio ali. O prédio é tombado desde 1992 pelo Conpresp, órgão de preservação do patrimônio municipal, o que protege a arquitetura do lugar, mas não a sua função.
Não é a primeira vez que o Marabá luta para permanecer crédulo frente às mudanças econômicas e urbanas. Inaugurado porquê uma luxuosa sala de 1.500 lugares na quadra áurea do meio histórico da cidade, o lugar entrou em decadência nos anos 1980, junto com a região que o abrigava.
Na mesma quadra, começaram a pipocar os cinemas de shopping, que nas décadas seguintes abocanhariam boa secção do público que antes frequentava os cinemas de rua.
Em 2007, sem conseguir sobreviver da própria bilheteria, o Marabá encerrou suas atividades. Adquirido pela Playarte, o cinema histórico teve sua frontispício e seu interno restaurados e reabriu em 2009. A revitalização foi comandada pelos prestigiados arquitetos Ruy Ohtake e Samuel Kruchin. A sala principal foi desmembrada em cinco, mais modernas, para variar a programação.
Nesta dezena, o duelo foi a pandemia de Covid-19, que afugentou o público, e a decadência continua do meio da cidade. “A violência aumentou com a piora da economia”, disse Coltro a nascente jornal, em 2024. Ele já havia pedido a isenção do IPTU à Prefeitura. O imposto, segundo ele, é o que mais pesa nas contas do Marabá.





