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Com seleção exilada, Haiti vai à Copa em crise humanitária – 16/05/2026 – Esporte

Às vésperas de uma Despensa do Mundo atravessada por tensões geopolíticas, com Estados Unidos e Irã no meio das atenções, o Haiti surge uma vez que uma presença deslocada dentro e fora de campo. Adversária do Brasil na tempo de grupos, a seleção chega ao torneio depois de disputar toda a campanha das Eliminatórias longe de seu território e com a possibilidade de jogar o Mundial com desfalques nas arquibancadas.

O país é hoje o único das Américas cujos cidadãos estão impedidos de viajar para os Estados Unidos, coanfitrião do torneio ao lado de México e Canadá. Ao mesmo tempo, murado de 350 milénio haitianos vivem sob incerteza jurídica em território norte-americano, justamente onde a seleção disputará seus três jogos da primeira tempo.

Nas últimas semanas, a Suprema Galanteio dos EUA começou a averiguar o chamado TPS, {sigla} em inglês para status de proteção temporária, criado em seguida o terremoto que devastou o Haiti em 2010, mas ameaçado recentemente em seguida decisão do governo Donald Trump de fechar o favor.

O programa foi outorgado inicialmente pelo governo de Barack Obama em seguida o sinistro em Porto Príncipe, que matou murado de 300 milénio pessoas e deixou um número semelhante de feridos. Desde logo, a pátria caribenha mergulhou em uma crise humanitária e institucional que se agravou ainda mais em seguida o homicídio do presidente Jovenel Moïse, em 2021.

De concordância com os Médicos Sem Fronteiras, organização presente no Haiti há 35 anos, o país se tornou “um dos lugares mais perigosos do mundo para se viver” e vive hoje “um conflito generalizado”, agravado pelo ressurgimento da raiva e por novos desastres naturais, uma vez que o furacão registrado em outubro de 2025.

“Infelizmente, é preciso reconhecer que o Haiti se tornou o que se conhece uma vez que um Estado falido, que perdeu o controle da segurança pública e de seu território, além de ser incapaz de fornecer muitos dos serviços básicos devidos à população”, afirmou à Folha David E. Guinn, professor de recta internacional e direitos humanos da Universidade Estadual de Novidade York.

Segundo Guinn, o colapso institucional também compromete a capacidade de projeção externa do país. “A crise limita o chegada do Estado a recursos e restringe sua atuação internacional. Ainda assim, diplomatas haitianos seguem trabalhando nas Nações Unidas e em capitais estrangeiras para tutorar os interesses do país.”

Com a classificação para a Despensa do Mundo, a seleção haitiana jogou luz novamente sobre a crise do país. Desde 2021, a equipe vive no exílio e disputa a maior secção de suas partidas oficiais em Curaçao por falta de segurança em Porto Príncipe. Foi em Curação que, em novembro, a vitória por 2 a 0 sobre a Nicarágua selou a vaga para o Mundial.

Além de não jogar em moradia, a equipe é formada quase inteiramente por atletas da diáspora. Alguns deles não conseguiram visitar o Haiti. Nascido em Paris, mas rebento de haitianos e com dupla nacionalidade, o meio-campista Jean-Ricner Bellegarde, 27, do Wolverhampton, da Inglaterra, é um desses casos. Em entrevista ao The Athletic, ele disse nunca ter ido ao país de seus pais “porque a segurança não é boa” e porque sabe que “as pessoas sofrem há muito tempo”.

“Espero que um dia haja tranquilidade no país”, afirmou Bellegarde, primeiro jogador da seleção haitiana a atuar na Premier League.

“Era impossível jogar lá. É muito perigoso”, lamentou o técnico francesismo Sébastien Migné, que levou o Haiti de volta ao Mundial em seguida 52 anos. Além do Brasil, a seleção caribenha enfrentará Escócia e Marrocos na primeira tempo.

“A classificação é apresentada ao mundo e vivida por haitianos dentro e fora do país uma vez que um símbolo de resiliência vernáculo e um vasqueiro motivo de orgulho para uma pátria em sofrimento”, afirmou à Folha Kristina Spohr, historiadora especializada em geopolítica do esporte.

Para o goleiro e capitão Johny Placide, um dos poucos titulares nascidos no Haiti, o impacto vai além do futebol. “Seria um imenso motivo de orgulho para toda a pátria. Para os jovens, seria uma vitrine, uma novidade perspectiva.”

O professor David E. Guinn afirmou que a vaga cria uma rara oportunidade de reposicionamento internacional. “A diplomacia esportiva é um instrumento consolidado das relações internacionais. O Haiti deveria aproveitar cada oportunidade para conectar a trajetória de sua seleção às dificuldades enfrentadas pelo país.”

Essa leitura é compartilhada por Nicholas Cull, professor da Escola Annenberg de Informação e Jornalismo, que faz secção da Universidade do Sul da Califórnia, uma das principais referências mundiais em diplomacia pública e “soft power”.

“O esporte é um elemento mediano nas novas disputas por soft power, ou, uma vez que prefiro invocar, segurança reputacional”, disse Cull. “No mundo conectado de hoje, as novas moedas incluem autenticidade e relevância. Para o Haiti, é uma chance de ser mais do que um sinistro.”

Folha

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