Como a bomba atômica transformou a cultura do japão

Como a bomba atômica transformou a cultura do Japão – 04/08/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

As bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki influenciaram profundamente e durante décadas a cultura japonesa, inspirando desde o hálito atômico de Godzilla até as histórias nos mangás.

O título em nipónico do mangá “Planeta Boy” é “Corpúsculo poderoso”, enquanto outros animes famosos porquê “Akira”, “Neon Genesis Evangelion” e “Ataque dos Titãs” mostram explosões em grande graduação.

“Terçar um sofrimento extremo” e exorcizar um traumatismo é um tema recorrente na produção cultural japonesa, e isso “fascinou o público mundial”, comenta William Tsutsui, professor de História na Universidade de Ottawa.

As bombas americanas lançadas em agosto de 1945 causaram murado de 140 milénio mortos em Hiroshima e 74 milénio em Nagasaki.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, as histórias de devastação e mutações têm sido associadas ao temor às frequentes catástrofes naturais e, depois de 2011, ao acidente de Fukushima.

Embora alguns poemas “descrevam o terror puro causado pela explosivo atômica no momento em que foi lançada”, muitas obras abordam o tema de forma indireta, confirma a escritora Yoko Tawada.

Em seu livro “O Emissário”, publicado no Japão em 2014, Tawada se concentra nas consequências de uma grande catástrofe, inspirando-se nas similaridades entre as bombas atômicas, Fukushima e a “doença de Minamata”, um intoxicação por mercúrio devido à contaminação industrial no sudoeste do Japão desde a dez de 1950.

“Não se trata tanto de uma aviso porquê de uma mensagem para expor: as coisas podem piorar, mas encontraremos a maneira de sobreviver”, explica Tawada.

Dar rosto a ‘medos abstratos’

“Godzilla” é sem incerteza a geração mais famosa que reflete a complexa relação entre o Japão e a robustez nuclear: uma pessoa pré-histórica despertada por testes atômicos americanos no Pacífico.

“Precisamos de monstros para dar forma e rosto a medos abstratos”, afirma Tsutsui, responsável do livro “Godzilla on My Mind: Fifty Years of the King of Monsters” (“Godzilla na minha mente: 50 anos do rei dos monstros”, em tradução livre).

“Na dez de 1950, Godzilla cumpriu esse papel para os japoneses, com a robustez atômica, com as radiações, com as memórias das bombas atômicas”. Muitos saíram chorando do cinema depois de ver Godzilla destruir Tóquio no filme original de 1954.

O tema nuclear está presente nos quase 40 filmes sobre Godzilla, mas frequentemente não se destaca nos enredos.

“O público americano não se interessava muito pelos filmes japoneses que refletiam a dor e o sofrimento da guerra e que, de perceptível modo, faziam referência negativa aos Estados Unidos e ao seu uso das bombas atômicas”, segundo Tsutsui.

Apesar de tudo, a franquia continua sendo muito popular, e “Godzilla Ressurge” teve um grande sucesso em 2016. O filme foi percebido porquê uma sátira à gestão de Fukushima.

‘Chuva negra’

“Chuva Negra”, romance de Masuji Ibuse de 1965 sobre a doença e a discriminação causadas pela radiação, é um dos relatos mais conhecidos sobre o bombardeio de Hiroshima.

Ibuse não era um sobrevivente, o que alimenta um “grande debate sobre quem tem legitimidade para redigir levante tipo de histórias”, explica Victoria Young, da Universidade de Cambridge.

Kenzaburo Oe, redactor e prêmio Nobel de Literatura em 1994, recopilou testemunhos de sobreviventes em “Hiroshima Notes” (“Notas de Hiroshima”, em tradução livre), uma coleção de ensaios escritos na dez de 1960.

Oe optou deliberadamente pelo gênero documental, assinala Yoko Tawada. “Ele enfrenta a veras, mas tenta abordá-la de um ângulo pessoal”, incluindo sua relação com seu rebento deficiente, acrescenta.

Tawada viveu na Alemanha durante 40 anos, depois de crescer no Japão. “A instrução antimilitarista que recebi fazia pensar às vezes que só o Japão foi uma vítima” durante a Segunda Guerra Mundial, conta.

“No que diz saudação aos bombardeios, o Japão foi uma vítima, sem incerteza”, mas “é importante ter uma visão global” e levar em conta as atrocidades que também cometeu.

Quando menino, as ilustrações dos bombardeios atômicos nos livros lembravam-lhe as descrições do inferno na arte clássica japonesa.

“Isso me levou a me perguntar se a cultura humana não era em si mesma uma natividade de perigos”, ressalta. Sob essa perspectiva, as armas atômicas não seriam tanto “um progressão tecnológico porquê alguma coisa que espreita no seio da humanidade”.

Folha

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