Como é ‘Vicentina Pede Desculpas’, que pode ir ao Oscar – 13/09/2026 – Ilustrada
Num dia porquê qualquer outro, um ônibus cai de um viaduto, matando o motorista e quase todos os passageiros. É mal começa “Vicentina Pede Desculpas”, em que a personagem-título, mãe daquele que dirigia o veículo, decide pedir desculpas para familiares de todas as vítimas.
Vivida por Rejane Faria, a protagonista é assombrada por uma imagem quase sintético, do ônibus sendo destruído porquê num filme de ação, e tenta limpar a culpa pelas ações do fruto —que, aliás, ninguém sabe expressar se foram ou não premeditadas. Alguns discordam de que ela precise carregar o fardo; outros tiram proveito para externar sua raiva. É difícil prever quais reações encontrará.
O cineasta Gabriel Martins, do aclamado “Marte Um”, sentiu alguma coisa parecido nos últimos dias, quando lançou seu novo longa no Festival de Toronto. A produção integra a mostra Platform, única seção competitiva do evento, com produções de artistas internacionais em evidência no cinema autoral.
Ele diz que acompanhou a primeira exibição do título com inquietação, tentando diagnosticar a reação universal ao filme a partir de gestos e barulhos numa sala quase lotada e enxurrada de estrangeiros. O filme ainda terá outras três sessões durante o festival, na segunda, terça e sexta-feira desta semana.
“Paladar de histórias que me botam em situações sem saída”, disse ele, ao lado de Faria, num debate mediado por uma das programadoras do evento. Martins explica que o choque entre a individualidade de se mourejar com a dor e a experiência coletiva do luto foi um dos principais motivadores do projeto, inspirado na avó Vicentina, que ele perdeu aos 12 anos, e em outras vivências pessoais.
“Nós somos assolados por uma delírio coletiva, principalmente em períodos de eleição e de turbulência política, porquê o que vivemos agora no Brasil”, diz o cineasta à Folha. “A reparo desse coletivo sempre me interessou muito, já que tenho um sentimento de que, muitas vezes, esquecemos que a humanidade existe.”
Na trama, a reparo da vida alheia é estendida à prensa, cujos noticiários invadem a lar escura de Vicentina pela TV. São várias as cenas nas quais ela questiona a índole do próprio fruto por razão de especulações da mídia, que tenta diagnosticar a tragédia a partir de depoimentos de pessoas próximas ao motorista.
No mais, e apesar de uma melhor amiga e da procura incessante por parentes das vítimas, a personagem enfrenta a solidão, em cenas longas, valorizando os espaços mortos de sua lar.
O foco quase restrito numa única personagem destoa de outros projetos de Martins —publicado por tramas divididas entre vários protagonistas, porquê a do próprio “Marte Um”— deu a Faria bastante tempo para se apropriar a outro corpo. Por fim, Vicentina é dez anos mais velha que a artista.
“O trabalho começou pela caracterização. No processo, incorporamos manchas do meu rosto e reforçamos imperfeições minhas”, afirma Faria, que diz ter se emocionado ao ver a primeira foto de divulgação do filme. “Depois que terminamos esse processo, era a hora de buscar a espírito de Vicentina. Virou alguma coisa procedente, e de repente se passam dois anos, já com alguma intervalo, e eu vejo o rosto dela no Instagram. Não pude confiar no que havia feito.”
Produzido pela Filmes de Plástico, o filme é a primeira parceria entre a Netflix e a produtora de Relato, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e chega aos cinemas brasileiros em 5 de novembro. Pouco depois, chega ao streaming, em 20 de novembro.
Antes, porém, pode ser escolhido pela Ateneu Brasileira de Cinema porquê representante solene do Brasil para tentar uma vaga no Oscar de 2027. A lista de pré-selecionados —que inclui ainda “Nosso Sigilo”, “100 Dias”, “A Natureza das Coisas Invisíveis”, “A Fabulosa Máquina do Tempo” e “Feito Pipa”— foi anunciada na semana passada, e o eleito será divulgado na quarta (16).
Aliás, o longa pode se tornar elegível ao prêmio caso vença a mostra Platform, tal qual vencedor será anunciado no dia 20. Neste ano, a Ateneu de Artes e Ciências Cinematográficas, que organiza o Oscar, anunciou que filmes internacionais que tenham vencido prêmios principais em grandes festivais também poderão ser submetidos, fora os representantes oficiais de cada país.
O jornalista viajou a invitação da Netflix




