Como o relógio de luxo virou símbolo de status para homens – 28/07/2026 – Ilustrada
Dá para reconhecer de longe uma Louis Vuitton carregada a tiracolo, uma Birkin pendurada no braço ou uma Chanel ajustada ao ombro. Para as mulheres, bolsas de luxo são símbolos de poder há décadas.
Com preços na morada das dezenas de milhares de reais, elas denotam riqueza —carregar dentro objetos uma vez que o celular, a carteira e o batom é só um bônus, já que o que importa mesmo é exibir o secundário nos eventos sociais.
Para os homens, bolsas também podem conferir status, uma vez que mostrou o atacante da Noruega Erling Haaland, que viralizou durante a Despensa do Mundo com sua coleção de peças Hermès raras. Mas o universo masculino parece preferir ícones de sucesso tão ou mais caros que bolsas, porém mais discretos —às vezes tão sutis que mal se veem, escondidos sob a manga da camisa—, uma vez que os relógios de luxo.
Numa noite de junho, um grupo de aficionados se reuniu num restaurante de São Paulo para tomar vinho e testar nos próprios pulsos algumas novidades da relojoaria. Os objetos de libido, a partir dos R$ 2.000, eram relógios automáticos, que funcionam com mecanismo a corda. Modelos a bateria não eram sequer mencionados e a frase “smartwatch não é relógio”, em referência aos aparelhos que monitoram a saúde, entre outras funções, estava na ponta da língua de todos.
Segundo os colecionadores daquela confraria, o mercado para os relógios de luxo está em desenvolvimento no Brasil. Nascente objeto para ver as horas virou ícone do guarda-roupa dos endinheirados, impulsionado por influenciadores masculinos que divulgam os novos modelos, assim uma vez que as blogueiras propagandeavam roupas —misturando glosa de tendência, conhecimento técnico e fomento ao consumo.
Pedro Nog, consultor de estilo e editor do meato Tendência Masculina no YouTube e no Instagram, destaca o papel do relógio uma vez que um símbolo de poder traste. “O faceta tem um coche custoso, só que o coche é quando ele está dirigindo. O relógio, o faceta vai levar dentro da reunião, num jantar, vai levar em todo lugar. Boa secção do fascínio vem disso”, afirma.
Nog, que ajuda homens de negócios a montarem seus guarda-roupas, diz que os executivos se comparam uns aos outros. Ou seja, numa reunião de trabalho, comentar o relógio do colega é uma forma de quebrar o gelo e iniciar uma conversa que pode gerar um convénio. E nascente relógio, via de regra, nunca é barato. “Minha sensação é de que a pressão feminina é mais estética e a masculina é mais financeira.”
Outrossim, o consultor argumenta que máquinas uma vez que aviões e carros hipnotizam os homens, e o relógio “é uma máquina em miniatura”. Ele observa que os modelos a quartzo —uma vez que os da japonesa Casio— têm subida precisão e são mais finos e compactos, mas defende que os automáticos, mesmo maiores, “são pequenas obras de engenharia que você coloca no pulso, uma coisa meio mágica”.
Nos relógios a quartzo, mais populares e de valores mais acessíveis, na morada das centenas de reais, o mecanismo marca a hora certa sem precisar de ajuste por semanas. Ele não deixa de funcionar quando está na gaveta, embora perda alguns segundos com o passar dos dias.
Nos modelos automáticos, o relógio desregula alguns segundos diariamente e os ponteiros cessam o movimento depois de um determinado número de horas ou de dias sem uso. Para que voltem a funcionar, é preciso dar corda.
Esta é a perdão, assim uma vez que pôr a agulha no vinil e virar o lado do disco fascina quem prefere o som analógico. Na prática, um Rolex de R$ 350 milénio dá mais trabalho ao usuário do que um Casio de R$ 350 —e tende a ser menos preciso. Mas, o valor de uma peça de relojoaria não está na exatidão, mas na tradição, na engenharia manual, na história por trás do relógio e no valor percebido da marca.
Jose Mauro Racoski, importante relojoeiro e um dos responsáveis pela assistência técnica no Brasil de marcas de subida relojoaria suíça uma vez que Audemars Piguet e Jaeger-LeCoultre, destaca o papel histórico do relógio, da marcação do tempo com modelos de sol e ampulhetas até seu uso nas navegações e, mais tarde, nas fábricas da era industrial e na aviação. “O relógio faz secção da evolução da humanidade”, diz ele.
Numa graduação menor, Racoski conta que cuida de peças centenárias. Relógios passam de geração em geração numa mesma família e, se estiverem com a manutenção em dia, podem perseverar séculos, uma vez que máquinas eternas.
De convénio com ele, o Brasil vive hoje a mesma explosão da horologia que já havia ocorrido no exterior três ou quatro décadas detrás —acelerada agora pela tecnologia da informação e pelas redes sociais, que dão chegada mais rápido às novidades do setor.
O contexto cultural ajuda. Desde o sucesso da série “Succession”, sobre a troca de comando na empresa de uma família bilionária, a estética do “old money” voltou à tendência. Suéteres de cashmere, sapatos mocassim e calças jeans de cintura subida encantam quem tem moeda de causa ou quer parecer aristocrata, e nascente look é mais afeito a um Cartier do que a um Apple Watch.
Na mesma toada, os influenciadores ensinam a combinar a cor do mostrador de um relógio com o paletó, enquanto destrincham os aspectos técnicos das peças.
Em paralelo, marcas contratam garotos-propaganda para gerar libido. Boa secção deles vem de esportes praticados pela escol, uma vez que tênis e Fórmula 1. O piloto Felipe Volume exibe modelos da Richard Mille, Novak Djokovic compete em Roland Garros com um Hublot no pulso e o ex-jogador de futebol David Beckham anuncia para a Tudor.
Jogadores brasileiros de futebol também são motores fortíssimos de consumo, mesmo que não sejam oficialmente contratados pelas marcas e ostentem os relógios por conta própria. Durante uma folga na Despensa do Mundo, Neymar exibiu nas redes um relógio de US$ 1 milhão, tapume de R$ 5 milhões, da Jacob & Co., feito de ouro rosé, com figuras de um dragão e de um tigre, pintados à mão, cravejado com centenas de diamantes.
Embora representantes do setor falem em desenvolvimento e as principais marcas da subida relojoaria possam ser compradas no Brasil, uma vez que Rolex e IWC Schaffhausen, o Brasil não está entre os grandes importadores de relógios suíços, assim uma vez que nenhuma outra região da América Latina.
Segundo o relatório mais recente da Federação da Indústria Relojoeira Suíça, os maiores mercados para relógios de pulso do país europeu são Estados Unidos, França, Reino Uno, Japão, Hong Kong e Singapura.
Michelle Piñeiro, diretora de marketing da Montecarlo Joias, varejista de joias e relógios há 45 anos, afirma que, depois do fervor dos smartwatches, os relógios tradicionais começaram a reagir. Isto não é um fenômeno passageiro, argumenta, porque os relógios, sobretudo os automáticos, viraram um contraponto ao envolvente do dedo ao remeterem à “tradição, maquinário, engrenagens, a uma experiência física”.
Segundo Piñeiro, o que antes era visto uma vez que “coisa de senhorzinho” hoje também conquista jovens de 25 a 30 anos, que juntam moeda para comprar seu primeiro relógio. A novidade geração, acrescenta ela, intercala relógios tradicionais e smartwatches na rotina —um mede produtividade e desempenho físico, o outro representa a procura por tradição.
Nog, o consultor de estilo, segue lógica parecida. “O smartwatch controla um pouco a gente, porque o tempo inteiro é performance. Tô gastando caloria? Quantos passos eu dei? Acho uma absoluta prisão. E o relógio, não. Ele só está te mostrando as horas. Parece que você é proprietário do seu tempo.”





