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Copa: Haitianos torcem para o Brasil mesmo após derrota
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Copa: Haitianos torcem para o Brasil mesmo após derrota – 20/06/2026 – Esporte

Horas antes de a esfera rolar para Brasil x Haiti na noite desta sexta-feira (19), o clima era de crédito entre a comunidade haitiana reunida no bairro do Glicério, em São Paulo.

Muro de 200 pessoas foram à sede da Missão Silêncio, instituição filantrópica dedicada ao pedestal a imigrantes e refugiados na capital paulista, na Paróquia de Nossa Senhora da Silêncio, para testemunhar ao jogo juntas.

Havia pessoas de outras nacionalidades, incluindo brasileiros voluntários da organização, mas a maioria eram haitianos que festejavam a segunda participação dos “Granadeiros” em Despensa do Mundo.

A primeira foi em 1974, na Alemanha Ocidental, com três derrotas em três partidas.

“Eu senhoril muito o Brasil, mas hoje vai dar Haiti, 2 a 1, com muita emoção”, disse o ator e DJ Jefferson Casmir, 34, antes do início da partida.

Minutos depois do assobio final, com placar de 3 a 0 para a seleção brasileira, a torcida se dividiu entre os desapontados, os resignados e alguns poucos ainda esperançosos em uma classificação porquê terceiro lugar do Grupo C.

Na última rodada da primeira tempo, o Haiti enfrenta o Marrocos no dia 24, em Atlanta. Mas não tem mais chances de continuar porque, mesmo que vença, ficará detrás da Escócia pelo critério de desempate (confronto direto).

“Não tem o que fazer, vou torcer pela Argentina [a partir de agora]. Eu senhoril o Brasil, mas o Brasil me fez chorar hoje”, afirmou o artista.

No pausa do jogo, ele recebeu uma relação dos irmãos, haitianos morando nos Estados Unidos, que torciam pela seleção brasileira. “Eles me zoaram dizendo ‘você já sabia porquê ia completar, só não queria concordar’.”

A preferência de Jefferson foi exceção entre as pessoas reunidas no espaço, mas não é tão incomum no Haiti, segundo o vendedor Gregory Jean-Pierre, 26.

“Lá existem dois grupos”, contou ele. “Um que torce pela seleção argentina e outro, pela brasileira. Um fica zoando o outro, mas depois que a Argentina foi campeã [no Qatar, em 2022] ficou ruim pra gente.”

“Que Argentina o quê! Eu torço para o Brasil [no restante da Copa]”, disse Daphlyne Mondelice, 21. O encontro não combinado da assistente de RH com o camarada Gregory impediu que o vendedor fosse para lar no pausa.

A pressão do Brasil no início do segundo tempo quase fez os dois deixarem o espaço. “Mais um gol e a gente vai embora”, prometeu Daphlyne.

O quarto gol não veio —Endrick até chegou a marcar, mas a jogada acabou anulada por impedimento, assim porquê gol de Raphinha aos 11min da lanço inicial—, e eles ficaram até o final.

Gregory estava torcendo pelo seu país, mas não ficou muito desiludido com a rota.

“Sabe quando você se encontra num dilema? Se o Brasil faz gol hoje, eu não vou trespassar aí gritando, comemorando, mas de qualquer jeito, eu vou permanecer um pouquinho feliz”, disse em entrevista antes do jogo.

A paixão pela seleção brasileira vem das épocas de maior prestígio, até a conquista do pentacampeonato, em 2002.

Dois anos depois, o time de Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho fez um amistoso contra o Haiti em Porto Príncipe que ficou publicado porquê jogo da sossego, porque tinha porquê objetivo levar trégua à guerra social que acontecia no país.

“Esses caras são lendas, temos reverência por eles”, afirmou Gregory quando os Ronaldos apareceram na transmissão da partida desta sexta, no torrinha do estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia. Para o vendedor, a seleção atual tem bons jogadores, mas não porquê antigamente.

O paixão pelo futebol vem da prática desde rapaz. “É um dos esportes mais praticados do país, é uma paixão que nem a gente consegue desvendar porquê surgiu.”

As expectativas em relação ao Brasil não estão altas, mas isso não influencia a torcida. “Futebol não é unicamente lucrar títulos. Evidente que é sempre bom lucrar, mas quem torce pelo coração não se importa se o time está ganhando ou não, sempre vai torcendo.”

O corretor de imóveis Daniel Estima, 37, estava com o coração dividido. “Estava torcendo para o Haiti por ser haitiano. Se a gente ganhasse ia trespassar no lucro, mas se o Brasil ganhasse também ia trespassar no lucro, sabe?”.

O salão da paróquia, lotado no início, cantou em uníssono o hino vernáculo e vibrou a cada passe feito pela seleção haitiana no início do jogo.

No pausa, quando os brasileiros já haviam construído a vantagem de 3 a 0, se esvaziou. A quantidade de pessoas caiu pela metade, mas as que ficaram continuaram acreditando em um gol.

Uma delas era Edlyne Jean, 48, que bateu palmas quase incessantemente no final do jogo, convocando a torcida dos demais.

Quase deu perceptível; pelo menos veio um chuto do volante Simon nos acréscimos do segundo tempo que obrigou Alisson a espalmar a esfera para escanteio, arrancando gritos de quem assistiu à partida até o final.

“Estava esperando uma vitória, com paciência, mas não chegou. Mas graças a Deus o Haiti participou de uma Despensa depois de 52 anos”, afirmou a vendedora.

Folha

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