A dança vai se espalhar pelo Rio de Janeiro entre a próxima terça-feira (4) e o dia 11, com espetáculos de 20 companhias e artistas do Rio, de outros estados e até de outros países.
A 24ª edição do festival Dança em Trânsito terá apresentações com ingressos a preços populares, de R$ 10 a R$ 20, no Espaço Tápias, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio; e nos teatros Nélson Rodrigues, Carlos Gomes e João Caetano, no meio da cidade.
Participarão artistas de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará, Goiás, Província Federalista, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. A agenda completa pode ser conferida no site do festival.
A programação tem ainda atrações convidadas da Coreia do Sul, França, Itália e Luxemburgo, além de residências e processos de geração com intercâmbio internacional.
As apresentações do festival internacional de dança contemporânea serão avaliadas por programadores, curadores e diretores de festivais de dança da França, da Espanha, da Itália, da Eslovênia, da Bulgária, de Luxemburgo, da Coreia do Sul e do Uruguai.
Programação ao ar livre
A ocupação de praças, ruas e espaços públicos com espetáculos gratuitos é uma das características do Dança em Trânsito. Além das casas de espetáculo, haverá uma apresentação gratuita na Terreiro Mauá, região portuária da capital.
Essa programação começa às 16h, em frente ao Museu do Amanhã, com o Conjunto Turbilhão Carioca. Fundado em 2007 por batuqueiros de grandes oficinas de percussão do Rio de Janeiro, o grupo adapta ritmos marcantes de regiões brasileiras, porquê a junção do frevo com o funk, utilizando instrumentos tradicionais de uma bateria de escola de samba.
Encontros internacionais
O festival terá ainda o os dois encontros abertos ao público Janelas para o Mundo, com programadores de festivais internacionais da Coreia do Sul e Luxemburgo. Eles vão trazer um quadro dos festivais e da dança contemporânea de seus países.
“Janelas para o Mundo e conexões internacionais são momentos muito importantes para os artistas brasileiros comparecerem e estarem ali presentes dialogando diretamente com esses profissionais que raramente vem ao Brasil testemunhar a espetáculos”, avaliou a diretora artística e curadora do festival, Flávia Tápias, à Escritório Brasil.
O primeiro desses encontros, marcado para as 11h30, no Espaço Tápias, será com o sul-coreano Lee Jong-Ho, fundador e diretor artístico do Festival Internacional de Dança de Seul (SIDance), presidente da Seção de Seul do Parecer Internacional de Dança (CID-UNESCO) e presidente da Associação Coreana de Críticos e Pesquisadores de Dança.
Lee Jong-Ho vai mostrar o quadro da dança na Coreia do Sul e do festival SIDance, com possibilidade de colaboração com artistas e organizações brasileiras.
Dois dias depois, também às 11h30, a apresentação será do diretor artístico do TROIS C-L | Maison pour la danse, Bernard Baumgarten, de Luxemburgo.
O festival faz secção do projeto Ciudades Que Danzan, que inclui 41 cidades em diversas partes do mundo para difundir a dança contemporânea.
Para Giselle Tápias, também diretora artística e curadora do Dança em Trânsito, esta edição reafirma uma particularidade que sempre esteve na núcleo do festival, que é promover o encontro entre artistas, culturas e diferentes formas de geração.
“Receber companhias da Coreia do Sul, França, Itália e Luxemburgo, fortalece o intercâmbio internacional e cria oportunidades que vão muito além das apresentações”, disse à Escritório Brasil.
Dança em Trânsito
O festival internacional Dança em Trânsito foi criado em 2002, para promover e democratizar a dança por meio de um intercâmbio entre artistas e companhias do Brasil e do exterior, percorrendo desde as grandes cidades até pequenas localidades no interno do Brasil, em teatros ou espaços públicos.
As atividades vão desde residências artísticas, com oficinas de geração e workshops, até a lisura de canais para novos talentos da dança, incentivando ainda a formação de público para o interesse pelas artes e pela dança. Isso, segundo Giselle, proporciona uma convívio entre artistas brasileiros e estrangeiros, permitindo a troca de metodologias, processos criativos e experiências.
“É nesse contato direto que surgem novas referências, parcerias e possibilidades de geração conjunta, enriquecendo todos os envolvidos. Para as companhias brasileiras, esse intercâmbio representa uma oportunidade concreta de ampliar sua inserção internacional”, pontuou Giselle.
A diretora acrescentou que, com a vinda de programadores, diretores de festivais e artistas de outros países, o Dança em Trânsito cria um envolvente favorável para futuras coproduções, convites para circulação internacional e participações em festivais no exterior, ao mesmo tempo em que mostra a qualidade e a variedade da dança produzida no Brasil.
“O Dança em Trânsito acredita que a cultura se fortalece por meio das conexões. Ao aproximar diferentes países e promover nascente diálogo artístico, o festival contribui para internacionalização da dança brasileira e para a construção de uma rede de colaboração que beneficia artistas, instituições e o público”, concluiu Giselle.
Conforme os organizadores, desde que foi criado, o Dança em Trânsito já realizou mais de 1.290 apresentações, com muro de 150 companhias de 22 países e de mais de 43 cidades das cinco regiões do Brasil e do exterior. Neste período, o público ultrapassou 100 milénio pessoas.
Durante a pandemia, em 2020, a saída foi fazer uma versão online, que recebeu indicação ao Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), na categoria Divulgação. Em 2021, houve a primeira edição híbrida, da qual participaram 25 cidades.
A 24º edição do Dança em Trânsito é apresentada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federalista de Incentivo à Cultura, e conta com patrocínio da Volkswagen Caminhões e Ônibus e Engie Brasil Força.








