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Direita chegou a um impasse com candidatura de Flávio
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Direita chegou a um impasse com candidatura de Flávio – 09/06/2026 – Wilson Gomes

A direita brasileira tem hoje um candidato que gostaria de ceder e um eleitorado do qual não pode terebrar mão.

Esse é o seu dilema na corrida presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro atrapalha os planos, mas o bolsonarismo continua sendo a única direita com piso eleitoral relevante e base mobilizada. A direita chega à disputa com uma vantagem: a repudiação a Lula é enorme e o antipetismo continua em subida. O problema é que isso só será força real se passar pelo eleitorado bolsonarista.

A direita tradicional adoraria se livrar o quanto antes da candidatura de Flávio Bolsonaro. Não lhe faltam candidatos, ambições ou projetos alternativos, mas Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan sabem que Flávio ocupa um espaço que os impede de crescer. O senador larga na frente graças ao sobrenome e torna a direita refém das próprias vulnerabilidades.

Flávio tem pés de barro. Carrega o desgaste dos áudios ligados a Daniel Vorcaro, que atingiram precisamente a credencial moral de que se gaba o bolsonarismo. Carrega a percepção de vassalagem política a Trump, num país em que a direita sempre se apresentou uma vez que patriótica e patriótico. Carrega a repudiação antibolsonarista que foi infalível na eleição de 2022. Carrega, por termo, o radicalismo tradicional da extrema direita, que anima a militância, mas desperta suspeição em segmento do eleitorado que gostaria exclusivamente de trocar o governo, não de entrar outra vez numa guerra santa.

Caiado, Zema e Renan gostariam de parecer uma direita mais normal, administrativa e eleitoralmente palatável. Mas são nomes de direita tentando sobreviver num campo que Bolsonaro radicalizou e passou a comandar.

Podem até ter menos repudiação, melhor trânsito com setores econômicos, máquinas estaduais, exposição de gestão e maior capacidade de conversar com eleitores cansados do fragor permanente da política brasileira. Mas não têm, sozinhos, o que Jair Bolsonaro tem: uma base pátrio que vota por fidelidade, identidade e obediência afetiva. Bolsonaro, por sua vez, quer entregar essa base ao fruto, porque só confia no próprio sangue para vigilar um lugar que considera seu por recta.

Podem parecer mais viáveis contra Lula em simulações de segundo vez, mas precisam primeiro chegar lá. Para isso, dependem da bênção de quem talvez não tenha interesse qualquer em abençoá-los.

Bolsonaro sabe que a política não tolera vácuo. Quem imagina Caiado, por exemplo, sentado no Planalto exclusivamente para esquentar a cadeira até a volta de Bolsonaro não conhece Caiado, nem conhece o poder. Um presidente eleito pela direita controlaria orçamento, cargos, fala parlamentar, agenda pública e comando simbólico do campo. Passaria a ser o novo núcleo de sisudez da direita brasileira. A tendência seria que o bolsonarismo se transformasse naquela base sem a qual não se ganha eleição, mas com a qual não se governa.

Um fruto, ao contrário, pode funcionar uma vez que guardador de lugar. Pode perder sem ameaçar a propriedade política do clã. Pode vencer sem transmitir o comando familiar. Para Jair Bolsonaro, a itinerário de Flávio pode ser menos perigosa do que a vitória de um coligado. Talvez calcule que uma itinerário com votação expressiva e bancada robusta preserve melhor seu domínio sobre a oposição do que uma vitória alheia.

A direita não bolsonarista pode ensaiar pactos de unidade, posar para fotografias com Flávio, prometer convergência e repetir que o contendedor generalidade é Lula. Zero disso elimina o vestuário de que não lidera o próprio campo. Orbita em torno de Bolsonaro e espera que a família decida se permitirá uma selecção mais competitiva.

Flávio Bolsonaro, nesse sentido, é menos pretexto do problema do que sintoma de sua estrutura. Ele mostra que a direita brasileira cresceu, mas não se emancipou. Tornou-se numerosa, mas continua dependente. Produziu governadores, bancadas, influenciadores e máquinas estaduais, mas ainda não produziu uma poder capaz de enfrentar Bolsonaro dentro do seu próprio território eleitoral.

A direita que acusa Lula de personalismo, predominância partidária e apego ao poder encontra-se presa a uma sucessão familiar muito menos institucionalizada e muito mais caprichosa. Quer vencer a eleição presidencial com outro candidato, mas sabe que só teria chance se Bolsonaro retirasse o próprio fruto da corrida eleitoral para ungir outro escolhido. O cômputo político do clã, porém, manda priorizar a sobrevivência dinástica, usando o espólio eleitoral uma vez que ativo de proteção jurídica e política. A direita quer lucrar a eleição; Bolsonaro quer continuar possessor da direita. A conta não fecha.


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Folha

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