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Direitos das mulheres não são respeitados 01/10/2026 Djamila
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Direitos das mulheres não são respeitados – 01/10/2026 – Djamila Ribeiro

No último dia 28 de setembro, as mulheres brasileiras saíram em passeata pouco divulgada pela mídia em comemoração ao Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Monstruosidade. Foi acompanhando essa mobilização e assistindo a um pronunciamento de Rute Alonso, da organização União de Mulheres, que decidi ortografar leste texto.

Alonso rememorou uma epístola de quase 40 anos detrás, lida na Tertúlia Pátrio Constituinte por Amelinha Teles, fundadora da organização e de quem nos despedimos há duas semanas.

Na epístola, escrita em conjunto por movimentos feministas de todo o país, Amelinha fazia a resguardo da emenda popular nº 65, pela legalização do monstruosidade. O país discutia os fundamentos de uma novidade ordem democrática, depois de duas décadas de uma ditadura que torturou, estuprou e assassinou mulheres nos porões, muitas vezes diante de seus próprios filhos.

Superado aquele momento de horror, as mulheres organizadas reivindicaram participar da definição dessa democracia, incluindo o recta de resolver sobre a própria reprodução. Amelinha representava mulheres organizadas da sociedade social e levou primeiro um trabalho coletivo, construído fora daqueles salões masculinos.

“Qualquer mulher, independentemente da classe social a que pertença, pode ser surpreendida por uma gravidez indesejada. Isso porque o desenvolvimento da ciência ainda não descobriu métodos 100% eficientes”, afirmou.

E prosseguiu: “Podemos declarar, com toda certeza, que a grande maioria das mulheres que querem evitar filhos não recebe nenhum atendimento, orientação ou informação a esse reverência. Elas ficam à mercê da própria sorte, sozinhas e desesperadas, são obrigadas a recorrer a meios abortivos que as violentam e colocam sua própria vida em risco. São diversos os métodos usados pelas mulheres para fazer o monstruosidade: agulha de tricô, talo de mamona, gargalo de garrafa e ervas e medicamentos tóxicos”.

Ainda de harmonia com Amelinha, “segundo notícia do Jornal do Brasil (5/10/86), um estudo recente da ONU mostrou que, no Brasil, para cada 100 partos se realizam 50 abortos. Um cômputo conservador aponta a realização de 4 milhões de abortos anualmente no Brasil, que provocam a morte de 400 mulheres e levam 800 milénio a tolerar sequelas gravíssimas, porquê a esterilização”.

Amelinha descreveu uma veras que não difere da dos dias atuais, pois as mulheres seguem sendo criminalizadas.

No final de semana, teremos eleições. De um lado, um candidato que admira o torturador de Amelinha e de tantas outras mulheres. De outro, um candidato que também foi recluso pela ditadura. Dois projetos políticos antagônicos, porém, com um termo geral: o silêncio sobre o recta ao monstruosidade.

O primeiro candidato se filia a políticos que querem obrigar mulheres a parirem filhos de seus estupradores. Trata-se de um varão que não tem vergonha em falar em Deus, família e valores cristãos, mesmo que sua agenda de contatos no celular com o Daniel Vorcaro —um notável organizador de orgias com garotas de programa contratadas com quantia das aposentadas brasileiras— diga o contrário.

Já o segundo, porquê eu disse em entrevista a Antonio Tabet, no UOL, representa o projeto político progressista brasílico, que há anos trata a descriminalização do monstruosidade porquê “na volta a mamãe compra”. Para não melindrar os evangélicos, “agora não é a hora de falar sobre”. Enquanto isso, as mulheres, sobretudo as mulheres negras, continuam morrendo em abortos inseguros e meninas violentadas são coagidas a parir.

Ainda porquê disse na entrevista, as televisões e outros meios de notícia em tamanho, que são concessões públicas, vêm há décadas sendo concedidos a grupos religiosos, que fortalecem seus discursos e ampliam sua influência nas decisões políticas de um Estado secular.

A situação do monstruosidade no Brasil segue porquê uma tautologia, um beco sem saída, porquê observam Ângela Boldrini, jornalista desta Folha, e Carolina Moraes, autoras do livro “Coreografia da Escolha: a Disputa pelo Monstruosidade no Brasil”.

O Brasil poderia se inspirar em vizinhos latinos, porquê Argentina e Uruguai, ou, porquê a fidalguia brasileira tanto preza, olhar para os países da Escandinávia. Poderia, ainda, porquê a esquerda brasileira adora, olhar para a França. São lugares onde as mulheres conquistaram o recta ao monstruosidade lícito e seguro.

Mas não. Seja a direita fascista, seja a esquerda acovardada, o Brasil segue a fórmula denunciada por Amelinha Teles.

No país que é o quarto do mundo em consórcio infantil, em que homens se recusam a usar preventivo e abandonam seus filhos, o recta à liberdade das mulheres segue sendo um ponto para outro momento.


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Folha

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