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Diretor brasileiro premiado aposta no cinema para mudar realidades
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Diretor brasileiro premiado aposta no cinema para mudar realidades

O cineasta e ator João Pedro Oliveira acumula conquistas que muitos artistas levam décadas para perceber. Nascido em 1999 no Rio de Janeiro, cresceu em uma comunidade em Vila Isabel, zona setentrião da capital. Ganhou projeção vernáculo ao interpretar Serginho em Malhação: Toda Forma de Patroar e, mais recentemente, passou a colecionar reconhecimento também detrás das câmeras.

Com o curta-metragem No Termo do Déjà-Vu, sua estreia porquê diretor e roteirista, João Pedro venceu o prêmio de Melhor Diretor no Los Angeles Brazilian Film Festival e percorreu festivais internacionais.

Mas a trajetória começou longe dos sets de filmagem: “Virei ator a partir de um momento em que eu estava desempregado. Procurei uma escritório de modelos e encontrei uma coisa na contramão, que foi esse sonho e esse paixão pela atuação”, lembra.

Antes da televisão e do cinema, João trabalhava porquê jovem inexperiente em um banco. Foi essa experiência que, segundo ele, ampliou seus horizontes para além dos limites geográficos e simbólicos da favela.

“Foi quando realmente tive aproximação a uma outra veras muito dissemelhante daquela em que eu estava inserido. Eu sempre estudei perto de mansão. Quando fui trabalhar no banco, precisei me trasladar e saber outros lugares. Comecei a ir a palestras, exposições, teatro”, conta.

A mudança representou mais do que um novo ocupação: “Quando você acessa esses outros lugares, começa a ter também esse capital cultural. Eu passei a perceber que também podia fazer aquelas coisas. Talvez o sonho de todo mundo que cresce dentro da favela seja, de traje, lucrar o mundo.”

João descreve a experiência de rodear pela cidade porquê a invenção de um Rio de Janeiro dividido. 

“Quando você está lá no cima do morro, a lógica é uma. A cultura é uma. A forma de mourejar com a vida é uma. Quando desce e vai para o asfalto, percebe que alguma coisa muda.”

Essa percepção atravessa a produção artística dele. Nas obras, o artista procura romper com representações limitadas que historicamente marcaram personagens negros no audiovisual brasiliano: “Quando a gente olha a representação negra no audiovisual lá detrás, tinha muito esse lugar subalternizado. Era o empregado, o motorista, o traficante. Agora, quando começamos a narrar as nossas próprias histórias, damos outro tom para isso.”

Para ele, a mudança não está somente na presença de atores negros nas telas, mas na possibilidade de edificar novas narrativas.

“Um é rapper, outro é microempreendedor, outro está transitando por diferentes espaços. Você começa a ver outras possibilidades de existência. Isso constrói uma outra imagem na cabeça das pessoas sobre quem somos.”

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Cinema para transformação


Rio de Janeiro (RJ), 10/06/2026 - O ator e cineasta João Pedro Oliveira fala sobre seu primeiro curta-metragem No Fim do Déjà Vu, vencedor de melhor direção no Los Angeles Brazilian Film Festival - LABRFF. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 10/06/2026 - O ator e cineasta João Pedro Oliveira fala sobre seu primeiro curta-metragem No Fim do Déjà Vu, vencedor de melhor direção no Los Angeles Brazilian Film Festival - LABRFF. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
 João Pedro Oliveira fala sobre primeiro curta-metragem No Termo do Déjà Vu, vencedor de melhor direção no Los Angeles Brazilian Film Festival- Rovena Rosa/Sucursal Brasil

Sem formação acadêmica tradicional em cinema, João construiu sua trajetória por meio de cursos livres, oficinas e estudo autodidata. Atualmente, retomou a graduação em Estética e Teoria do Teatro: “Precisei entender porquê redigir um roteiro, porquê trabalhar a narrativa. Fui fazendo cursos e aprendendo na prática.”

Foi desse processo que nasceu No Termo do Déjà-Vu. O curta acompanha Fabrício, um artista plástico preto que decide desabitar o tráfico para sustentar o fruto por meio da arte. Durante um festival de pipas, a gaiato desaparece misteriosamente, levando o personagem a uma jornada de procura marcada pela espiritualidade negra.

“Eu queria narrar uma história sobre espiritualidade e sobre a minha própria relação com isso. A ficção permite que você conte a sua história de outra forma.”

A obra estreou internacionalmente em Novidade York e conquistou o prêmio de Melhor Curta-Metragem antes de chegar ao Brasil. Em seguida, recebeu reconhecimento no festival de Los Angeles, consolidando a projeção internacional do diretor.

“O filme foi exibido para um público que não conhecia aquela veras. Eu me perguntava se eles entenderiam. E entenderam. Foi emocionante.”

Antes de encaminhar, João já havia chamado atenção porquê ator. Em 2024, recebeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília pelo curta E Seu Corpo é Belo, dirigido por Yuri Costa. Ambientado nos bailes black dos anos 1970, o filme retrata uma história de paixão entre dois homens negros em um contexto raramente explorado pelo cinema brasiliano.

“Foi mágico. Eu lembro de entrar na sala e ver Rui Guerra assistindo ao filme. Depois ele ficou até o final e veio conversar. Foi uma noite rememorável.”

A experiência reforçou a fé do artista sobre o papel transformador da arte, “Eu queria fazer um filme que pudesse chegar a pessoas que vivem essas mesmas realidades e mostrar que existem outros caminhos possíveis.”

João reconhece a prestígio de iniciativas que abriram espaço para artistas oriundos das periferias, porquê o grupo teatral Nós do Morro e produções porquê Cidade de Deus

“A possibilidade de você se ver representado é o que permite sonhar. Quando alguém parecido com você faz alguma coisa, você passa a crer que também pode fazer.”

Cinema vernáculo

Para o diretor, o atual momento do cinema vernáculo representa uma oportunidade histórica de apresentar ao mundo um Brasil mais multíplice e diverso: ‘’Fazer com que as pessoas descubram mais sobre a nossa cultura para além dos estereótipos é maravilhoso. O audiovisual tem sido essa ponta de lança.”

Na avaliação de João Pedro, o cinema brasiliano vive um período de renovação criativa capaz de despertar interesse internacional: “O Brasil tem muito potencial para exportar não somente a nossa cultura, mas também as nossas formas de realizar, nossas técnicas e nossos métodos. Existe uma sede por histórias novas, e o cinema brasiliano pode oferecer isso.”

A aposta do cineasta é que essas histórias continuem surgindo dos territórios que, por muito tempo, ficaram à margem das telas: “Eu acredito que a gente pode edificar outras realidades através do cinema. E também ressignificar histórias que foram contadas de outra forma. Essa é a força do audiovisual.”

Fonte EBC

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