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Diretor de 'Dark Horse' fez quatro longas de direita
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Diretor de ‘Dark Horse’ fez quatro longas de direita – 21/05/2026 – Ilustrada

Quando surgiu a notícia de que o diretor americano Cyrus Nowrasteh, de 69 anos, comandaria “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel, o nome do cineasta era praticamente ignoto no Brasil —embora sua filmografia dialogue há anos com temas ligados à guerra cultural conservadora.

Rebento de iranianos, Nowrasteh nasceu no Colorado, nos Estados Unidos, e trabalhou mais uma vez que roteirista do que uma vez que diretor. Desde os anos 1980, escreveu séries de TV, minisséries políticas e dramas históricos. Passou à direção com histórias atravessadas por religião, perseguição e martírio, quase sempre em cenários de conflito político ou cultural.

Ele já havia se tornado personagem de polêmica em Hollywood ao ortografar a minissérie “The Path to 9/11”, exibida pela rede ABC em 2006. A produção dramatizava a preparação aos atentados às Torres Gêmeas e foi acusada de distorcer fatos históricos para responsabilizar o governo Bill Clinton pelos ataques. Posteriormente a denúncia, a ABC reeditou partes da minissérie antes da exibição definitiva.

Mas é nos quatro longas dirigidos por ele nos últimos 18 anos que sua visão de mundo aparece de forma mais clara. Todos são muito muito produzidos e dois deles trazem Jim Caviezel, ator católico conservador, apoiador de Donald Trump, figura frequente em eventos da direita americana, e que viveu Jesus em “A Paixão de Cristo”, de 2004, de Mel Gibson.

O melhor dos filmes de Nowrasteh é “O Apedrejamento de Soraya M.”, de 2008, fundamentado em um caso real de uma mulher iraniana condenada ao apedrejamento por adultério. Com nota 7,9 no site IMDb —bastante subida, ainda mais para um drama independente falado parcialmente em persiano— o filme consolidou a imagem de Nowrasteh uma vez que diretor interessado em choque entre religião, política e Oriente Médio.

Caviezel interpreta o jornalista franco-iraniano Freidoune Sahebjam, que levou o caso ao conhecimento internacional ao publicar um livro sobre o apedrejamento. Para isso, aparece quase irreconhecível sob uma pesada prótese nasal usada para aproximá-lo visualmente de um iraniano.

Filmado na Jordânia e falado majoritariamente em persiano, o longa tem uma potente sequência de apedrejamento de murado de 15 minutos. No YouTube, onde o filme circula gratuitamente, a plataforma gera legendas do persiano para o inglês —mas os trechos falados originalmente em inglês, na exórdio e no fecho, aparecem sem tradução.

Em “O Jovem Messias”, de 2016, o diretor acompanha Jesus moço durante o período em que a família vive no Egito depois fugir do rei Herodes —que, segundo o Evangelho de Mateus, ordena a matança de crianças em Belém ao saber da profecia sobre o promanação do rei dos judeus.

A Bíblia não traz descrição detalhada da puerícia de Jesus, o que fez Nowrasteh recorrer a evangelhos apócrifos e tradições católicas para preencher lacunas narrativas —incluindo uma convívio familiar ampliada, com outras crianças. O filme é muito piegas.

Já “Infidel”, lançado em 2020 e rebatizado no streaming brasiliano MGM+ uma vez que “Sequestro Internacional”, aproxima o universo religioso do thriller político contemporâneo. Caviezel interpreta um blogueiro cristão americano sequestrado depois participar de um debate religioso televisionado no Cairo.

O filme foi rodado discretamente na Jordânia para evitar problemas no Irã. O serviço da MGM pode ser assinado via Amazon Prime. No entanto, o longa aparece exclusivamente com áudio e legendas em inglês. Tem alguma ação, mas a sequência final é inverossímil.

“O Tesouro de Sarah”, lançado no ano pretérito, por término, é inspirado na história real da rapariga milionária do petróleo Sarah Rector. O diretor transforma racismo, exploração econômica e segregação racial numa espécie de fábula moral familiar. A protagonista infantil passa boa segmento do filme corrigindo adultos egoístas e ensinando lições de clemência e espiritualidade. O resultado lembra uma Sessão da Tarde.

“Dark Horse” parece uma prolongamento proveniente dessa trajetória. Trocam-se o Irã, o Egito ou Oklahoma pelo Brasil, mas permanece a lógica de personagens sitiados por forças maiores que tentam sobreviver pela fé ou fé moral. No caso de Bolsonaro, o vítima veste fita presidencial.

Folha

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