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Dom de Iludir: Por que série da Netflix lembra uma
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Dom de Iludir: Por que série da Netflix lembra uma novela – 28/10/2026 – Ilustrada

A Netflix labareda de melodrama a série “Dom de Iludir”, lançada nesta quarta-feira (28). O termo dá um verniz sofisticado a uma trama curta e acelerada, com ritmo de seriado, mas repleta de atores e temas típicos das telenovelas.

Na trama, uma família rica, encabeçada por Marieta Severo, entra em conflito com golpistas liderados por José de Abreu. Os dois artistas construíram carreiras longevas nos folhetins da TV Orbe e tiveram contratos que duraram quase 40 anos. Severo deixou a emissora em 2022, e Abreu, em 2020.

A Netflix escalou ainda Nanda Costta, a protagonista da romance “Salve Jorge”, de 2012, e Alice Wegmann, que fez o remake de “Vale Tudo” no ano pretérito. A direção é de Mauro Mendonça Fruto, outro ex-funcionário da Orbe.

Embora frequentemente associado à telenovela, o melodrama é um modo de descrever histórias que vale para qualquer formato. Nele, as emoções vêm primeiro, geralmente com excesso. Conflitos morais, traições e injustiças também são bem-vindos.

Todos esses ingredientes compõem “Dom de Iludir”. Severo interpreta Lúcia Rossetti, uma colecionadora de obras de arte que não se dá muito com a filha, a mimada Maíra, papel de Wegmann. É uma história recorrente nas telenovelas, reapresentada cá com mais violência e malícia.

Quando a jovem aparenta desenvolver uma doença grave, com crises de convulsão, Lúcia decide ir além da medicina e procura o tratamento de uma suposta terapeuta místico. É Irina, personagem de Nanda Costta, que prega a silêncio, mas esconde fazer segmento de uma quadrilha de assaltantes.

Muita coisa em “Dom de Iludir” é patranha. No início da série, Maíra parece realmente adoentada, sua mãe se mostra uma mulher manipulável, e Irina surge porquê curandeira eficiente. Essas impressões somem posteriormente os primeiros episódios.

As reviravoltas espalhadas pelos dez capítulos aproximam “Dom de Iludir” dos seriados, diz a roteirista Mirna Nogueira. Para ela, a sensação novelesca está na forma porquê as intrigas familiares são apresentadas, com exageros e escândalos. Antes, Nogueira escreveu a série “Cidade Invisível”, também da Netflix. “Dom de Iludir” é dela e da autora Diane Maia.

O roteiro também aborda a luta de classes ao pôr uma família pobre para ludibriar gente rica. Os golpistas começam retratados porquê vilões, mas logo apresentam um debate sobre falta de oportunidade nas periferias do Rio de Janeiro. Lúcia Rossetti, a vítima do golpe deles, enriqueceu com o mercado de arte e mora em um apartamento enorme na extensão sublime do Rio.

O que começa porquê um golpe pontual logo se transforma num violação com várias pessoas envolvidas. A progressão lembra a da série de assaltos “La Vivenda de Papel”, que também aposta no melodrama. A produção espanhola está na Netflix.

Severo diz que foi fácil compreender os gostos de Lúcia porque ficou um ano casada com Carlos Vergara, influente artista plástico. O período ao lado dele ajudou a atriz a entender por que a personagem leva tão a sério os negócios do marido, morto no primeiro incidente.

“Tive a sorte de conviver com o mundo artístico do Rio de Janeiro desde a juventude. Me alimentei e fui formada por isso”, afirma Severo.

A atriz repete cá uma parceria antiga com o diretor Mauro Mendonça Fruto, com quem trabalhou outras quatro vezes. Juntos, fizeram a comédia “A Grande Família” e o drama erótico “Verdades Secretas”.

Nas novelas, ele diz, o diretor costuma lucrar a crédito dos atores por razão do longo tempo de filmagem. “É isso que eu trouxe de lá, uma exigência pela subida performance.”

Aos 79 anos, Severo diz que prefere trabalhar no cinema ou em tramas curtas porquê “Dom de Iludir” e não deve voltar às telenovelas. “Ter tempo de errar é valioso. Fazer poucas cenas por dia, receber o roteiro fechado, isso dá valor à obra”, ela diz.

“Dom de Iludir” se junta a outras produções de streaming que apostam no melodrama e em atores consagrados da televisão. É o caso de “Formosura Irremissível”, da HBO Max, com Camila Pitanga, e de “Pedaço de Mim”, da própria Netflix, protagonizada por Juliana Paes.

“Os seriados contemporâneos estão impregnados de melodrama. Ao mesmo tempo, as telenovelas vêm incorporando a estrutura seriada”, afirma a dramaturga Rosane Svartman no livro “Autoria e Gênero na Telenovela Brasileira”. Ela escreveu o folhetim “Vai na Fé”, sucesso na fita das sete, e trabalhou com Severo no filme “Cancro com Ascendente em Virgem”.

Folha

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