A 5ª tempo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federalista (PF) na quinta-feira (7), evidenciou os riscos para o sistema financeiro de se sublevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), porquê propôs o senador Ciro Nogueira (PP-PI), meta da operação.
O presidente do Partido Progressista (PP) apresentou, em agosto de 2024, uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição nº 65/2023, que discute a autonomia do Banco Médio (BC).
O texto, que ficou espargido porquê Emenda Master, defende a ampliação da garantia ordinária do FGC dos atuais R$ 250 milénio para R$ 1 milhão.
Segundo a PF, a emenda foi elaborada por assessores do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, e entregue a Nogueira para que apresentasse ao Congresso Vernáculo porquê sendo de sua autoria.
Em troca, o senador recebia, do banqueiro, entre R$ 300 milénio e R$ 500 milénio mensais, além de gozar de vantagens porquê o custeio de viagens internacionais, hospedagens e de despesas em restaurantes.
Segundo a PF, Vorcaro teria dito a interlocutores que a emenda “saiu exatamente porquê mandei”.
A emenda do senador Ciro Nogueira foi rejeitada pela Percentagem de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, por inconstitucionalidade e inadequação técnica.
“A Emenda nº 11 é inoportuna, ao contrariar o padrão bem-sucedido na prática pátrio e internacional e ao engessar no texto constitucional material regulatória de natureza essencialmente dinâmica e que requer a disciplina em disposições legais mais flexíveis”, avaliou o relator da PEC, senador Plínio Valério (PSDB-AM), ao rejeitar a proposta
Proteção
Criado em 1995 para governar os mecanismos de proteção do sistema financeiro, prevenir crises bancárias sistêmicas e proteger os clientes e investidores, o FGC é uma entidade privada que, em tese, permitiria ao Estado deixar de socorrer instituições financeiras em dificuldades.
Mantido por contribuições mensais das instituições associadas, o fundo garante o pagamento de até R$ 250 milénio a cada pessoa ou empresa que tenha valores depositados em instituições financeiras meta de processos de mediação ou liquidação executados pelo Banco Médio. E cobre contas fluente e poupança; CDB e RDB; LCI; LCD; LCA; LH; LC; conta salário e operações compromissadas.
O FGC encerrou 2025 com R$ 123,2 bilhões em caixa. Desse montante, a entidade teve que separar R$ 40,6 bilhões para restituir os clientes do conglomerado Master (Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank) cujos investimentos não superavam o teto de R$ 250 milénio.
Depois, com as liquidações da Will Financeira e do Banco Pleno, o impacto totalidade nas reservas do fundo alcançou R$ 57,4 bilhões, o equivalente a quase metade (46,6%) do totalidade disponível.
Picareta
Na avaliação do economista William Baghdassarian, professor do Instituto Brasiliano de Mercado de Capitais (Ibmec), se aprovada, a proposta de quadruplicar o limite de cobertura do FGC resultaria no encarecimento das tarifas bancárias e na verosímil subida dos juros de empréstimos, já que as instituições financeiras precisariam dar mais quantia para o fundo.
“Estaríamos deslocando secção do lucro dos bancos, de seus acionistas, para o fundo. Uma vez que um banco nunca fica no prejuízo, o efeito esperado seria um aumento das tarifas bancárias e, eventualmente, das taxas de juros, porquê ressarcimento”, explicou Baghdassarian à Dependência Brasil, prevendo um “efeito dominó” que afetaria todo o sistema financeiro.
O economista também destacou o “risco moral” da proposta. Segundo ele, R$ 1 milhão de garantia incentivaria instituições a oferecerem lucros implausíveis sob a falsa sensação de segurança totalidade.
“O FGC existe justamente para socorrer correntistas de bancos que se comportem mal, seja por incompetência, seja por atos ilícitos”, explicou Baghdassarian.
“Mas também pode estimular as instituições a prometerem uma rentabilidade muito subida, minimizando os riscos do investimento com o argumento de que, até levante limite, o quantia está protegido. É um incentivo a um comportamento picareta”, disse.
Pé na jaca
O economista Cesar Bergo, professor da Universidade de Brasília (UnB), concorda com a avaliação de que a elevação do limite de garantia ameaçaria a sobrevivência do FGC.
Segundo ele, até a primeira tempo da Operação Compliance Zero tornar público as irregularidades praticadas pelo Master e outras instituições, porquê o Banco de Brasília (BRB), e fundos de pensão, ninguém imaginava que, mesmo com o teto atual, alguém poderia fomentar um prejuízo de R$ 50 bilhões ao FGC.
“A aprovação do novo limite poderia ter posto todo o sistema em colapso, pois deixaria o fundo sem margem de manobra para responder a qualquer outro problema no mercado financeiro”, alerta Bergo.
Para o professor, o limite de R$ 250 milénio funcionou porquê uma barreira frente à agressividade do Master, que mesmo oferecendo taxas de retorno superiores à oferecida pelos concorrentes, enfrentava dificuldades para captar recursos justamente por não oferecer garantias a grandes investidores.
Bergo estima que, caso a emenda do senador Ciro Nogueira fosse aprovada, o prejuízo causado pelo Master teria sido, no mínimo, R$ 15 bilhões superior ao registrado.
“Não tenho dúvidas de que, se a emenda fosse aprovada, o pessoal [do mercado] começaria a propagandear que os investimentos até R$ 1 milhão estariam seguros, garantidos, atraindo mais e maiores investimentos”, acrescentou Bergo.
Para ele, havia uma distorção na emenda parlamentar: o uso de recursos coletivos para proteger investidores de subida renda que, por definição, conhecem os riscos do mercado.
“A regra é que, quanto maior o risco, maior o retorno. E quem tem R$ 1 milhão para infligir, conhece os riscos. Portanto, não há dúvidas de que, se aumentassem o limite para R$ 1 milhão, as pessoas iam meter o pé na jaca, ignorar os riscos e colocar seu quantia, esperando um bom retorno”, avalia.
A Dependência Brasil entrou em contato com a assessoria do senador Ciro Nogueira, mas não recebeu nenhuma resposta às críticas dos especialistas, e está oportunidade a manifestações.
Repúdio
Na quinta-feira, em seguida policiais federais realizarem buscas e apreensões em endereços residenciais e comerciais associados ao parlamentar, seus advogados divulgaram nota em que afirmam que Nogueira contribuirá com a Justiça para esclarecer que não participou de qualquer atividade ilícita.
Ainda segundo a resguardo, Nogueira repudiou “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas”, destacando que “medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legitimidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve.”





