Fanfics de 'Harry Potter' como 'Alchemised' conquistam fãs 31/12/2025

Fanfics de ‘Harry Potter’ como ‘Alchemised’ conquistam fãs – 31/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Harry Potter, o bruxo que sobreviveu, também venceu o termo fora das páginas. Mais de 25 anos posteriormente publicação de seu primeiro volume, o universo criado por J.K. Rowling se multiplica não só pelas mãos da autora.

Histórias que nasceram porquê fanfics, escritas por fãs e publicadas gratuitamente na internet, estão agora chegando ao mercado de publicação tradicional.

As narrativas se dividem entre as extraoficiais e as canônicas —ou seja, tudo o que realmente aconteceu dentro de uma história, conforme validado por Rowling.

Desde que os livros foram lançados, fãs elaboram tramas paralelas sobre aquele universo, e elas ganham seus próprios fãs. Produzir fanfics é o jeito que entusiastas da série usam para explorar novos temas e ideias e nutrir um universo que já caminha com as próprias pernas.

“Alchemised”, de SenLinYu, é o exemplo mais simbólico de porquê “Harry Potter” se tornou manancial para novas histórias. A obra nasceu da fanfic “Manacled”, publicada originalmente no site especializado Archive of Our Own (nosso próprio registro, em tradução livre), e foi lançada porquê livro há pouco pela editora Intrínseca.

No site, a fanfic era uma das mais lidas, com mais de 10 milhões de visualizações. Foi retirada do ar depois do lançamento do livro, um calhamaço de 960 páginas que saiu em 25 países, já tendo vendido 50 milénio exemplares no Brasil e mais de 1 milhão só no primeiro mês em livrarias americanas.

“Alchemised” reimagina o mundo de Harry Potter em meio a uma guerra mais violenta que a retratada na obra original. O ponto meão da história de SenLinYu é o romance entre Draco Malfoy e Hermione Granger, dois personagens que nunca se envolveram na obra de Rowling.

Há todo um subgênero de fanfics em que Draco e Hermione são um parelha, chamado de “Dramione”. Coincidentemente ou não, outros títulos que chegaram às livrarias brasileiras neste semestre também nasceram de fanfics sobre esse par.

“A Rosa Acorrentada”, de Julie Soto, agora publicado pela Harlequin, é um exemplo. E “O Irresistível Libido de Amar Quem Tanto Odeio”, de Brigitte Knightley, que sai pela Plataforma 21, conta uma história inédita com os mesmos personagens que antes integravam uma fanfic da autora.

Beatriz Paludetto, criadora de teor sobre livros, acredita que o apelo desse romance mora no traje dos personagens representarem lados opostos do universo, ele sendo um sublime e ela uma plebeia.

Esses livros, porém, chegam às livrarias sem nenhuma menção a Harry Potter. Nomes de personagens e detalhes da história foram modificados para que possam se sustentar porquê livros próprios, afastando a relação com J.K. Rowling.

Julia Barreto, editora da Harlequin, explica que descolar a obra de sua inspiração é também uma forma de não perder o trabalho do responsável que é seu fundador, independentemente de onde ela começou.

“O principal duelo quando você traz uma fanfic para um mercado tradicional é conseguir tornar a história interessante e sólida sem depender do teor original”, afirma.

Além de evitar acusações de plágio e taxações por recta autoral, o desligamento da figura de Rowling ainda tem a ver com polêmicas envolvendo a britânica, cândido de cancelamento desde que passou a repercutir falas transfóbicas.

“O que eu não entendo é por que as editoras vão detrás de romances héteros e não dos romances gays que mais fazem sucesso no site”, aponta Paludetto, a influenciadora.

Ao confrontar os números no Archive of Our Own, vê-se que os três subgêneros românticos de maior sucesso têm casais gays porquê protagonistas. Hermione e Draco são o quarto par mais popular do universo paralelo, detrás até do parelha Draco e Harry Potter.

O universo das fanfics é muito dissemelhante dos livros publicados, diz a influenciadora, tanto no teor quanto na forma. A história original não tem casais gays ou personagens trans, mas as fanfics são um espaço de liberdade em que os leitores podem imaginar novas formas de viver essas histórias.

“Muitas vezes as fanfics são interpretadas porquê alguma coisa feito a partir de um lugar de veneração, quando, na verdade, ela nasce com a mesma frequência de qualquer tipo de frustração”, aponta SenLinYu, de “Alchemised”.

Segundo SenLinYu, artista que se identifica porquê uma pessoa não binária, fanfics muitas vezes surgem da vontade de expandir qualquer elemento ou tema que parece ter sido abordado de forma insuficiente na história original.

A fanfic, para SenLinYu, “é um espaço escravizado por indivíduos que não se sentem representados nas narrativas e na literatura tradicional”. A geração de histórias, portanto, vai muito além da repetição do que já foi exposto.

Folha

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