Sem discursos de autoridades ou cerimônia burocrática, o Fit, o Festival Internacional de Teatro de São José de Rio Preto, começou nesta quinta-feira (16) com música ao vivo, dança, acrobacias e palhaçaria no espetáculo “{FÉ}sta”, do Coletivo Prot{agô}nistas, no Anfiteatro Nelson Castro, às margens da famosa represa na cidade do interno de São Paulo.
O recado político foi oferecido no palco, com números circenses e contemporâneos de exaltação à resistência da negritude. Os 30 artistas do coletivo evocaram o renascimento da população preta com humor, lirismo e acrobacias arriscadas, típicas dos picadeiros.
O primeiro espetáculo do coletivo, “Prot{agô}nistas – O Movimento Preto no Picadeiro”, abriu o projeto Novos Moderdistas no Theatro Municipal de São Paulo, em 2019, ganhou prêmios e consolidou o trabalho de pesquisas artísticas da trupe.
O atual, “{FÉ}sta”, fez temporada no Sesc Pompeia e foi apresentado no tradicional Festival de Curitiba com uma celebração aos que cruzaram o oceano Atlântico e viveram o encontro forçado com uma novidade terreno, o Brasil.
“Mesmo carregando toneladas de dor, eu sigo em frente e me mantenho em pé”, avisam os artistas enquanto cantam, dançam e protagonizam números aéreos em torno de um trapézio. “Só de revolta vou ser feliz”, dizem em trecho da música que encerra a apresentação. O público cantou junto, estimulado pelo grupo.
Criado há 57 anos, o Fit, festival realizado de 16 a 25 de julho, tem a edição atual marcada pelo retorno da parceria com o Sesc SP, interrompida em 2025 posteriormente duas décadas, no início da gestão do prefeito Coronel Fábio Candido (PL).
A ruptura é explicada oficialmente pela falta de tempo para encaminhar questões burocráticas, em um ano de transição na gestão municipal. O protraimento do festival, tradicionalmente realizado em julho, chegou a ser discutido, mas a solução foi realizá-lo sem o Sesc no ano pretérito.
“Foi um festival menor, com as possibilidades que tínhamos. Era um momento de transição de governo, logo não tínhamos um aporte financeiro tão grande, mas mesmo assim realizamos”, diz o secretário de Cultura, Erick Soares.
Em uma conversa com jornalistas antes da brecha do festival, o diretor do Sesc, Luiz Galina, afirmou que a instituição sempre precisa adotar uma série de cuidados, inclusive licitações, para realizar as contratações de um festival, além da curadoria dos grupos e divulgação.
“Foi só um problema de cronograma. Temos um ótimo relacionamento com a prefeitura e todo o interesse em continuar essa parceria”, disse.
Criado em 1969 pela Prefeitura de São José do Rio Preto porquê festival de teatro namorado, o evento assumiu seu caráter internacional em 2001, por meio da parceria com o Sesc.
Levante ano, uma das atrações internacionais é o solo “Khalil Khalil “, em que o ator e músico palestino Khali Albatran conta a história de seu próprio nome, o mesmo do irmão, morto aos 11 anos, em 1989, em uma rebelião de seu povo contra a ocupação israelense.
A escolha do espetáculo, que reúne música, dança e projeções, exigiu uma mobilização logística dos organizadores do festival para a chegada segura do artista, em meio ao tenso cessar-fogo entre Israel e Hamas, que entrou em vigor em outubro, mas não conteve a violência esporádica entre os dois lados. Mais de milénio palestinos morreram nesse período em ataques israelenses.
Há também apresentações do Chile, México, Argentina e Bulgária, mas o que o público da brecha mais aplaudiu foram os anúncios dos grupos locais, porquê o Balé de Rio Preto, a Cia. Jovem de Rio Preto e o coletivo Cenica.
Com 33 espetáculos, intervenções artísticas e atividades formativas, a proposta desta edição é a ocupação da cidade, com apresentações em praças e nas ruas.
Um dos espetáculos ao ar livre, “Estou Muito Cá e Lembrei de Você”, um audiotour ficcional, percorreu ruas centrais de Rio Preto nesta sexta (17), e chamou a atenção para as transformações da cidade ao longo do tempo.
O trajectória, criado e levado pelo grupo Em Quadrilha Coletivo, de Santos, conta uma história de afeto entre neta e avó, e estimula o público a observar o entorno: o cinema vetusto que virou galeria mercantil, o topo do prédio ocupado por antenas, dissemelhante do que aparece no cartão-postal vetusto, as fachadas históricas que sobraram em meio à arquitetura moderna e os próprios moradores, curiosos diante do grupo que caminhava lentamente com fones de ouvido e olhares atentos.
“Eles estão todos ouvindo a mesma música?”, perguntou a comerciária para a colega de trabalho, ambas curiosas diante de um tipo de teatro que não fica restrito ao palco tradicional.





