Flip: estamos condenados à ditadura da ia, diz ruy castro

Flip: Estamos condenados à ditadura da IA, diz Ruy Castro – 31/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

O redactor e jornalista Ruy Castro arrancou risos da plateia ao ironizar as ferramentas de perceptibilidade sintético na Vivenda Folha, na Flip, nesta quinta-feira (31). Ele estava lá para falar de seu último livro, “Trincheira Tropical”, no qual conta os efeitos da Segunda Guerra na vida pública e privada do Rio de Janeiro.

Mas, diante das pesquisas tão extensas que faz para suas obras —em alguns casos, centenas de entrevistas—, uma pessoa do público ficou curiosa para saber se ele não usava ferramentas de IA. “Querida, eu não sei nem o que é isso”, rebateu Castro, fazendo a plateia rir. “Acho que é perceptibilidade sintético, mas não tenho essa intimidade para invocar de IA.”

Responsável de biografias porquê as de Garrincha e Nelson Rodrigues, ele disse que muitas vezes escolheu ortografar livros sobre histórias que estavam esquecidas no momento em que os publicou —e que, por isso, foi “um fornecedor involuntário por anos e anos” da Wikipédia.

Mas disse que adota, sim, ferramentas tecnológicas. O IMDb, por exemplo, uma plataforma com informações de filmes, aposentou as enciclopédias de cinema que tem em lar.

“Quando quero saber alguma coisa, pergunto para o Google e ele me responde. Às vezes”, afirmou o colunista da Folha, com uma ponta de ironia. “Agora estou sabendo que a IA não vai mais me deixar usar isso, vai resolver o que eu quero saber. Estou preocupado. Aparentemente, estamos condenados à ditadura da IA nos próximos tempos.”

Castro foi entrevistado pelo jornalista Uirá Machado, editor da CasaFolha, a plataforma de streaming com cursos exclusivos lançada pelo jornal. Na conversa sobre “Trincheira Tropical”, o responsável falou sobre as dificuldades de ortografar obras de remontagem de quadra porquê essa, na verificação com as biografias, pelas quais é mais publicado.

“Embora possa parecer complexa, a biografia é simples: o sujeito nasce cá e morre ali. Em segundo projecto fica o cenário em que ele viveu”, afirmou. “Já a remontagem histórica é mais complicada, porque você tem um cenário em primeiro projecto. E esse cenário é habitado por 300 pessoas que entram e saem da história.”

Castro contou que resolveu abordar essa história porque ninguém ainda o tinha feito. Havia livros sobre a atuação das forças armadas brasileiras na Itália, a Segunda Guerra, ou sobre as colônias japonesa ou alemã no país, mas nenhum sobre o Rio de Janeiro.

Mesmo os relatos que existiam sobre a atuação dos pracinhas na Europa eram limitados, por serem de oficiais que não viveram de indumentária o campo de guerra.

“Os pracinhas não falavam nem escreviam porque queriam olvidar o que tinham pretérito lá, de tão terrível. Saiu uma meia dúzia de livros quase secretos nesse período, achei todos eles.” Ele lembrou porquê o Rio de Janeiro da quadra era um serpentário de espiões e traidores que atuavam em prol das forças do Eixo.

“O sujeito alugava um marchar num prédio supino para permanecer de binóculo para ver qual navio estava saindo com cargas para a Inglaterra e os Estados Unidos e que, por isso, precisava ser bombardeado”, disse. “Mais de milénio brasileiros morreram, e foi isso que levou o país a declarar guerra à Alemanha.”

No livro, Castro conta porquê as três grandes forças políticas do período —o fascismo, o comunismo e a democracia— se expressavam na política e na sociedade brasileiras. E contou os paralelos que viu com o Brasil contemporâneo.

“O integralismo era a extrema-direita da quadra. Se você olhar o governo anterior, a receita é a mesma. Começa com uma pregação contra a política, embora todos eles sejam políticos. Depois, tem que ter uma figura carismática; no caso, era o Plínio Salso”, disse.

“Quando houve o colapso da Bolsa de Novidade York, concluiu-se que o governo liberal não era capaz de prevenir crises, portanto eram necessários governos autoritários que tomassem conta da região. Isso explicou a Itália de Mussolini, a Espanha de Franco e o Brasil de Getúlio Vargas. A ingresso do Brasil na guerra ajudou a desmontar esse quadro.”

Ao ser questionado sobre seu novo livro pelo mediador e por alguém da plateia, Castro desconversou. Só revelou que vai falar de uma geração que ele viu pessoalmente —”sei onde estão enterrados todos os cadáveres”, respondeu, garantindo que é seu livro preposto. O preposto, por fim, é sempre o mais recente.

Quem quiser dicas de escrita do responsável, pode acessar o curso dele disponível na CasaFolha, com 16 aulas já disponíveis no site casafolhasp.com.br.

Suas aulas na CasaFolha estão no núcleo de “Notícia e Originalidade”, que já conta com outros nomes consagrados, porquê o também redactor Itamar Vieira Junior, responsável de “Torto Arado”, e o cineasta José Padilha, diretor de “Tropa de Escol” e “Narcos”.

Castro ensina o passo a passo para ortografar livros de não ficção. Fala desde a rotina do redactor até a participação na divulgação da obra, passando por todas as etapas entre uma coisa e outra: projeto, pesquisa, truques para entrevistas, organização do material, técnicas para melhorar o texto, edição, seleção de imagens e título.

Todas as aulas podem ser vistas por membros da CasaFolha. É verosímil se vincular à plataforma pelo endereço casafolhasp.com.br/assine. A assinatura, com desconto promocional de 67%, sai por R$ 19,90 por mês no projecto anual (R$ 59,90 sem a promoção) e inclui aproximação indeterminado a todas as notícias da Folha no site e no aplicativo para celular e tablet.

Quem já é assinante da Folha não precisa de uma novidade assinatura. Basta fazer o upgrade por R$ 10 adicionais no projecto do jornal em casafolhasp.com.br/upgrade.

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *