Flip resgata poesia concisa e aclamada de Orides Fontela

Flip resgata poesia concisa e aclamada de Orides Fontela – 10/02/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Proleta, flexão de proletária e poeta, é porquê se designou Orides Fontela, autora escolhida para ser homenageada na 24ª Feira Literária Internacional de Paraty, que acontece entre 22 e 26 de julho deste ano, retomando o calendário pré-pandemia posteriormente anos de ajustes.

“Eu posso conseguir notabilidade com a trova. Só não consigo mudar de classe. Eu nasci proleta [sic] e continuo sendo”, disse Orides em entrevista à escritora Marilene Felinto em 1996, dois anos antes de sua morte em um sanatório em Campos do Jordão (SP) praticamente anônima, ao final de uma vida marcada por uma fidelidade radical à trova porquê modo de existência, mas também pela pobreza e pelos conflitos pessoais. Ela costumava expor ser a “poeta mais pobre do Brasil”.

A curadora desta edição da Flip, Rita Palmeira, afirma que a homenagem à poeta segmento do libido de resgatar uma obra tão poderoso e relevante quanto breve e mudar o foco da vida turbulenta de Orides para suas palavras.

“A Orides foi muito celebrada pela sátira e pelos poetas de sua geração, mas acabou reduzida a um anedotário que afastou leitores de sua trova”, explica.

Para ela, a escolha está alinhada a uma mudança na função do responsável homenageado pela Flip. “Se antes a teoria era mostrar autores brasileiros para o mundo, eu acho que agora, depois de Maria Firmina dos Reis, Pagu e João do Rio, essa escolha tem mais a função de mostrar o responsável para o próprio Brasil.”

Dona de uma trova rigorosa e avessa a modismos, atravessada por imagens da natureza, reflexões de matriz filosófica, zen-budismo e uma procura persistente pela depuração da vocábulo, Orides recebeu atenção extraordinária da sátira literária, que via nela uma renovadora do Modernismo. “É uma referência incontornável no cenário da trova contemporânea brasileira”, afirma Palmeira.

Nascida em São João da Boa Vista, no interno de São Paulo, Orides foi invenção em 1965, quando Davi Arrigucci Jr., professor da USP, leu seu poema “Elegia” no jornal da cidade e levou a produção da poeta ao conhecimento de intelectuais porquê Antonio Candido, dos quais exalo impulsionou sua curso e lhe rendeu o sobrenome de “nosso Rimbaud”.

Orides se formou em filosofia na USP, onde se aproximou de Marilena Chauí, que mais tarde apontou a influência do curso em poemas porquê “Mito”, “Centauros”, “Eros”, “Penélope”, “Kairós”, “Ananke”, “As deusas” e “As sereias”.

A obra de Orides Fontela inclui “Transposição” (1969), “Helianto” (1973), “Rosácea” (1986), além de “Alba”, vencedor do Prêmio Jabuti em 1983, e “Teia”, que lhe rendeu prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) em 1996.

A homenagem da Flip vai coincidir com o relançamento da obra completa da poeta pela editora Hedra, com volumes acompanhados por sua riqueza sátira, incluindo textos de Antonio Candido e leituras contemporâneas.

“Ela é uma poeta muito próxima da sátira. E fica difícil entender sua trova sem esse diálogo”, diz o editor Jorge Sallum. “Ao mesmo tempo, ela tem sido objeto de muitos estudos nas universidades.”

Além dos livros, a Hedra relançará a biografia “O Mistério Orides”, de Gustavo de Castro, e uma compilação das principais entrevistas concedidas pela poeta.

A curadoria da Flip pretende enfatizar a dimensão estética e intelectual da obra, evitando explorar de forma mediano episódios biográficos já conhecidos, porquê conflitos pessoais, dificuldades financeiras ou o termo solitário.

A aposta é iluminar uma trova que, embora descrita porquê hermética, se estrutura em poemas curtos e precisos, nos quais silêncio, luz, pássaros, águas e flores funcionam porquê vias de reflexão existencial.

“É uma escolha surpreendente e justa com a trova brasileira recente. Uma poeta de grande valor, cuja trova desperta paixão nos alunos”, conta Ivan Marques, professor da USP e responsável de “Orides Fontela” (UERJ).

A homenagem ocorre num momento de maior valorização da trova no Brasil, segundo Palmeira. “Há uma proliferação de eventos, editoras, revistas e clubes de leitura. É um momento pulsante. E, dentro desta cena, o grande destaque são as mulheres.”

Para Augusto Massi, companheiro e editor de Orides, sua escolha porquê homenageada da Flip é “para lá de acertada seja do ponto de vista literário, das pautas feministas ou das desigualdades sociais do país”.

“Ela ficaria muito feliz de saber que sua obra poética não foi esquecida. Pelo contrário, continua tendo um reconhecimento à profundidade. A trova da Orides veio pra permanecer. Cada um de seus livros traz poemas antológicos. Eles nos ferem pelas palavras e pelo silêncio.”

Folha

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