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Menos de dez meses depois da Flip 2024, chega ao termo também a edição de 2025 da Sarau Literária Internacional de Paraty.
Durante a Flip, passaram pelas ruas históricas de Paraty diversas personalidades da literatura brasileira e internacional. Sobre as pedras irregulares pisaram os pés do comemorado responsável italiano Sandro Veronesi, da autora surinamesa Astrid Roemer, que aos 78 anos ainda tem ar de novidade fora de seu país, e da mais novidade imortal da ABL, Ana Maria Gonçalves, a primeira mulher negra na Ateneu.
Uma das principais atrações da sarau, Rosa Montero revelou seu lado jornalista, que acaba escondido por trás do sucesso porquê escritora. Também passaram por lá a paraense Monique Malcher, que criticou a sarau pela carência de escritoras nortistas, e o português Valter Hugo Mãe, em meio a divulgação do filme da Netflix derivado de seu livro “O Rebento de Milénio Homens”.
O palco principal montado na terreiro da Matriz testemunhou momentos marcantes porquê a presença da ministra Marina Silva, que teve recepção de “superstar”; o quina da portuguesa Anabela Mota Ribeiro, que entoou uma música de Roberto Carlos em sua mesa; a discursão sobre racismo em que os autores Ynaê Lopes dos Santos e Tiago Rogero apontaram a falta de pessoas negras na plateia; e a conversa de Cristina Rivera Garza e María Negroni, que debateram a luta feminista em uma das melhores mesas desta Flip.
A lhaneza ficou por conta do cantor Arnaldo Antunes, que deu uma lição sobre o homenageado Paulo Leminski, e o fecho se deu no encontro de Sérgio Vaz e Luís Perequê, que transformaram o bate-papo em sarau.
A Lar Folha marcou presença na programação paralela com grandes nomes e declarações. Mirian Goldenberg afirmou que a vetustez num mundo de tanta pressão estética sobre as mulheres começa aos 30. Itamar Vieira Junior brincou que a Flip é um Carnaval da literatura, onde ele é equivalente a Ivete Sangalo. Ruy Castro previu uma verosímil ditadura da IA. E Djamila Ribeiro acusou o embranquecimento de religiões afro-brasileiras.
Acabou de Chegar
“Triste Tigre” (trad. Mariana Delfini, Amarcord, R$ 69,90, 288 págs.) descreve o estupro que a autora, Neige Sinno, sofreu na puerícia e mostra porquê o traumatismo do afronta é também coletivo. “Sem se preocupar em poupar quem lê”, porquê descreve a sátira Vanessa Oliveira, Sinno investiga as intestino do afronta sexual enquanto fenômeno psicossocial e as assimetrias da Justiça diante de casos de crimes sexuais.
“O Coração do Dano” (trad. Paloma Vidal, Poente, R$ 59,90, 136 págs.) é “uma epístola a uma mãe superprotetora, vigilante, amedrontada”, aponta a sátira Sylvia Colombo. Através de fragmentos narrativos que lembram um quotidiano quebrado, a autora María Negroni procura lembrar sua mãe ao mesmo tempo em que procura sua própria identidade.
“De Pé, Tá Pago” (trad. Diogo Cardoso, Ercolano, R$ 89,90, 176 págs.) discute a vida imigrante e relações trabalhistas pelo ponto de vista de seguranças de lojas. Gauz, o responsável, tirou inspiração de seu tempo fazendo bicos na França. O livro é escrito de um ângulo muito pessoal, porquê explica o editor Walter Porto, de trabalhadores que veem a todos enquanto são praticamente invisíveis aos outros.
E mais
Sempre um evento com alguma coisa de político, a Flip teve uma edição marcada por declarações de princípios da curadoria e também de seus visitantes. Um exemplo disso foi mesa de Ilan Pappe, professor israelense crítico de seu país, que conversou com a mediadora Arlene Clemesha, de pensamento desempenado ao do palestrante. Outro momento político foi o protesto em canoaço de caiçaras, indígenas e quilombolas contra o PL 2.159, divulgado porquê PL da Devastação.
A Flip registrou um aumento de 10% do público em conferência com a última edição, realizada em outubro do ano pretérito. O período de agora, porquê explica o editor Walter Porto, é capaz de atrair mais visitantes por justificação das férias escolares. A movimentação maior se refletiu também no aumento de vendas. Foram 20.473 livros vendidos na livraria solene da sarau que registrou Valter Hugo Mãe, o homenageado Paulo Leminski e Rosa Montero porquê os autores mais procurados. As obras mais vendidas foram “Ensino da Tristeza” e “O Rebento de Milénio Homens”, ambos do português.
Fuvest
Pela primeira vez a Fuvest, vestibular que dá entrada à USP, adota uma lista de leituras obrigatórias composta 100% por autoras mulheres, muitas delas estreantes na seleção. Tanta novidade pode assustar os estudantes, mas traz novos debates para a sala de lição.
“O Cristo Cigano”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, aborda em verso a solidão do varão e problematiza a figura de Jesus Cristo. A autora portuguesa teve uma ensino cristã, mas recusou fórmulas religiosas em sua produção artística. Ela participou da construção democrática em Portugal, mas se decepcionou ao ver que a revolução não trouxe as mudanças em que acreditava.
Além dos Livros
A Flipei, Sarau Literária Pirata das Editoras Independentes, que acontece desta quarta (6) a domingo (10) em São Paulo, acusa a Secretaria Municipal de Cultura da prefeitura de Ricardo Nunes (MDB) de “increpação política e ideológica” posteriormente ser proibida de usar a terreiro das Artes para suas atividades. A feira foi transferida para outros endereços, porquê o Galpão Elza Soares, o Arrecadação do Campo e o Sol y Sombra.
As jornalistas Fernanda Mena e Anna Virginia Balloussier contam que a Instauração Theatro Municipal, responsável pelo espaço, justificou a suspensão “em razão do uso político por segmento de seus organizadores”. Segundo a instituição, a Flipei teria programação exclusivamente de apelo ideológico com viés eleitoral em vez de ser “um festival para promover a literatura independente, de grande valia”.
Para o comemorado responsável de ficção científica Ted Chiang, usar ChatGPT é ser cúmplice de um violação —e ele se abstém da lucidez sintético da mesma forma que veganos não comem mesocarpo. Com unicamente duas coletâneas de narrativas curtas publicadas, o responsável americano escreveu o suficiente para ser comemorado no gênero, porquê afirma o jornalista Thiago Ney. Chiang está em São Paulo para participar da palestra “Porquê a IA Transforma Linguagem e Storytelling”, argumentando que a geração artística deve envolver esforço e intenção do artista.
