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Frio em trilhas: saiba como evitar a hipotermia 24/06/2026
Esporte

Frio em trilhas: saiba como evitar a hipotermia – 24/06/2026 – É Logo Ali

É inevitável noticiar, na primeira vaga séria de insensível do ano, as baixas temperaturas alcançadas nas cidades das serras do sul do país, e as belas imagens das paisagens cobertas de gelo fotografadas por deslumbrados turistas que correm detrás de um tanto semelhante à neve tão rara por estas bandas. Nesta quarta-feira (24), as cidades catarinenses de Bom Jardim da Serra e Urupema quase bateram os -10ºC na madrugada e 44 municípios do estado amanheceram com temperaturas negativas, ou seja, inferior de zero. Enquanto isso, por toda a região, muitos mochileiros e montanhistas preparam as tralhas para aproveitar a subida temporada do esporte. Povo doido, né não?

Nem tanto. Quem sai para uma boa marcha pelas trilhas mais badaladas do país, uma vez que a Transmantiqueira, que percorre quase 1.000 quilômetros cruzando os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, já sabe que vai encontrar um bom nível de insensível. E sabe, principalmente, que precisa se prevenir para evitar a temida hipotermia —segunda maior culpa evitável de óbitos em ambientes remotos em todo o mundo, e que ocorre quando o organização perde mais calor do que consegue produzir e a temperatura do corpo cai inferior dos 35ºC.

Os sintomas da hipotermia começam com os conhecidos tremores incontroláveis, o famoso bate-queixo, a pele gelada e pálida, sensação de dormência, falta de coordenação motriz, cansaço extremo e dificuldade na fala. Se não contornada a culpa, logo os tremores param, sinalizando que o organização não mais reage, e a encrenca só piora. A pessoa fica sonolenta e seu comportamento é irracional, sendo conhecidos casos de, em baixas temperaturas extremas, nas altas montanhas nevadas, a pessoa afetada concluir tirando suas roupas e se expondo ainda mais ao insensível, com o termostato corporal irremediavelmente comovido. Daí em diante, vêm a inconsciência, as pupilas dilatadas e, enfim, o risco de paragem cardiorrespiratória.

Tá, mas não é dos Himalaias da vida que estamos falando, mas deste nosso país tropical, que gostamos de imaginar ensolarado e mais adequado a um par de Havaianas do que a grossas botas de neve. Mas acontece que não é preciso chegar aos altos picos para suportar (e, se bobear, morrer) com hipotermia.

“A hipotermia pode ocorrer mesmo em climas quentes e temperaturas amenas de 15ºC, caso a pessoa seja exposta a chuva”, explica o médico e montanhista Rodrigo Rodriguez.

Ele alerta para a valia de nunca se subestimar o clima na hora de preparar a mochila. “Mesmo em trilhas curtas, com qualquer tempo, é fundamental levar sempre um cobertor de emergência e um abrigo de chuva, seja um anorak técnico ou uma simples cobertura de chuva ou agasalho ligeiro”, aponta.

Cobertor de emergência, para os não íntimos das tralhas mochileiras, é feito de uma película de plástico metalizado, revestida com alumínio, que pesa quase zero, é vendido dobrado e ocupa menos espaço que uma barra de chocolate (bom, as barras de chocolate, hoje em dia, andam cada vez menores, mas vamos permanecer assim). Numa situação difícil, pode ser a diferença entre a vida e a morte. Sério.

A mais arriscada situação numa trilha, uma vez que é ensinado no curso de sobrevivência da VRB (Via Radical Brasil), do coronel emérito Marcelo Montibeller, é a combinação de chuva e vento no cidadão não prevenido. Quem acompanha a série “Largados e Pelados”, do Discovery Channel —de cuja edição brasileira ele é um dos consultores — sabe quantos pediram para deixar o programa depois uma noite sem queimada, sem roupas e expostos a tempestades, por mais tropicais que sejam.

Sem chegar a extremos, mas tentando ajudar a evitar problemas, Rodriguez recomenda, além do casaquinho que mamãe sempre mandou levar (porque mães, vocês sabem, vêm com especialização em sobrevivência exacerbada), ter muito zelo com a escolha do saco de dormir que vai se levar para a trilha.

“É importante dar preferência a sacos de dormir certificados, e prestar atenção à temperatura para a qual estão dedicados”, ressalta. Basicamente, todo saco de dormir deve ter uma etiqueta explicando para qual temperatura é adequado. Mas, uma vez que nem todo mundo tem os mesmos limites, Rodriguez recomenda “não considerar a temperatura limite na hora de escolher”.

Em miúdos, isso quer manifestar que, se o saco tiver uma certificação para, digamos, zero intensidade, e você for pegar uma trilha no inverno, deve considerar a hipótese de a temperatura de conforto que consta da etiqueta não ser aquela em que seu sono gostaria de se ver embalado. Escolher um equipamento que dê uma margem maior de calorzinho, mesmo que pese um pouco mais (e, ok, custe um tanto mais dispendioso) vai gratificar o esforço com uma boa noite de folga. Termo de mamãe.


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Folha

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