Fundada por brasileira, Kalshi entra em polêmica 21/03/2026

Fundada por brasileira, Kalshi entra em polêmica – 21/03/2026 – Tec

Tecnologia

A mineira Luana Lopes Lara ganhou destaque internacional no final do ano pretérito ao ser apontada pela revista Forbes porquê “a bilionária mais jovem do mundo que construiu sua própria riqueza”.

Uma reportagem da revista destacava a trajetória uno de Lara —seus anos porquê bailarina do Bolshoi, suas medalhas em olimpíadas brasileiras de astronomia e matemática, seus estudos na prestigiosa universidade americana MIT (Massachusetts Institute of Technology) e a instauração de uma empresa considerada inovadora — que culminou em uma riqueza pessoal estimada em US$ 1,3 bilhão .

Mas neste ano, a Kalshi, empresa cofundada por Lara —e da qual ela tem 12% de participação e trabalha porquê COO ({sigla}, em inglês, para diretora de operações)—, surgiu no noticiário em meio a polêmicas.

A Kalshi é uma das maiores empresas dos chamados prediction markets —ou mercados de previsão— um setor que explodiu em popularidade nos Estados Unidos, tendo movimentando mais de US$ 44 bilhões em transações no último ano.

Empresas porquê a Kalshi estão mudando o mercado de apostas nos EUA, onde até 2018 era proibido realizar apostas esportivas. Apostas em eleições eram proibidas até 2024.

Na Kalshi, e outras empresas rivais porquê a Polymarket, os usuários podem especular sobre diversas questões —porquê o resultado de eleições locais, se o banco mediano dos EUA reduzirá as taxas de juros ou qual ano Jesus voltará à Terreno.

Essas empresas não estão enquadradas nos EUA porquê negócios de apostas e jogos de má sorte. Diferentemente das bets (empresas de apostas tradicionais), em que as probabilidades são definidas pela própria empresa, as plataformas de mercados de previsão funcionam mais porquê uma Bolsa de Valores, permitindo que os usuários apostem uns contra os outros no resultado de eventos futuros por meio de alguma coisa chamado de “contratos de eventos”. Esses eventos sempre têm porquê resultado um cenário de “sim” ou “não”.

Esse protótipo permitiu que essas empresas ficassem sob supervisão dos reguladores financeiros nacionais da CFTC (Percentagem de Negociação de Futuros de Commodities).

Mas críticos dos mercados de previsões afirmam que essas plataformas realizam, na verdade, operações de apostas esportivas e jogos de má sorte —e que estariam tentando se “esconder” porquê “Bolsas de negociações” para evitar regras e impostos mais rigorosos enfrentados pelas bets, que são regulamentadas pelos estados.

A divergência sobre quem deve inspeccionar os aplicativos gerou dezenas de batalhas judiciais nos EUA, à medida que as unidades federativas começam a reivindicar seu recta de regulamentar essas empresas, em vez de deixar a supervisão a missão da CFTC.

No Brasil, há relatos de que brasileiros conseguem usar essas plataformas usando remessas internacionais com criptomoedas ou cartões internacionais. Segundo a Folha, as plataformas de apostas tradicionais —as bets brasileiras— que pagaram por outorgas de R$ 30 milhões para operar no Brasil, vêm solicitando, em reuniões com o governo, que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Herdade bloqueie a operação de plataformas porquê a Kalshi.

Elas argumentam que essas empresas não poderiam operar no Brasil por não terem sede no país e nem terem pago pela outorga. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, a fundadora da Kalshi disse que a empresa está em expansão e que estuda a possibilidade de transfixar um escritório no Brasil.

APOSTAS EM GUERRA

Recentemente apostas ligadas a ações militares envolvendo Irã, Venezuela e Israel despertaram a atenção pública para a Kalshi e outras empresas do segmento.

Em teoria, essas apostas infringem as regras financeiras dos EUA, que proíbem a negociação de contratos relacionados a guerra, terrorismo, assassínio, jogos de má sorte ou outras atividades ilegais. As apostas realizadas no contexto das empresas desse mercado de previsões poderiam ser consideradas contratos desse tipo, perante a lei, argumentam os críticos.

Mas isso não impediu que empresas porquê a Kalshi realizassem milhões de transações.

Críticos vêm exigindo medidas mais rigorosas contra os aplicativos, que, segundo eles, facilitam a especulação sobre a guerra —que seria potencialmente ilícito—, gerando riscos à segurança vernáculo e abrindo a porta para casos de informações privilegiadas e devassidão.

“Basicamente, as apostas em quase tudo foram liberadas e se transformaram em alguma coisa muito macabro, porquê a morte de um gerente de Estado”, disse Craig Holman, lobista de assuntos governamentais do grupo de resguardo Public Citizen, que recentemente apresentou uma queixa contra empresas do mercado de previsões.

Alguns casos ganharam notoriedade nos últimos dias. No mês pretérito, um varão do estado de Montana apostou na Kalshi US$ 10 (murado de R$ 45) na verosimilhança de o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ser deposto até 1º de março.

Ele decidiu pela aposta depois ver notícias sobre o aumento das entregas de pizza perto do Pentágono enquanto navegava na internet de madrugada —um vestígio de que militares americanos estariam planejando uma grande operação iminente.

A aposta nos eventos ligados ao aiatolá Khamenei acabaram sendo canceladas pela Kalshi. Mas no primórdio do mês, a empresa foi processada em uma ação coletiva por não remunerar US$ 54 milhões a pessoas que fizeram as apostas sobre o aiatolá.

A empresa tem regras que proíbem apostas envolvendo mortes de pessoas. Mas, segundo as pessoas que estão processando a Kalshi na Califórnia, a plataforma teria continuado aceitando contratos mesmo depois que as notícias da morte de Khamenei começaram a rodear.

Um porta-voz da Kalshi disse, segundo a sucursal de notícias Reuters, que as regras da empresa não mudaram e eram claras desde o início, pois “incluíam todas as precauções… para prometer que as pessoas não pudessem negociar com base no resultado da morte”.

“Nós até reembolsamos todas as taxas e perdas líquidas do nosso próprio bolso —na ordem de milhões de dólares— para prometer que nenhuma pessoa perdesse verba neste mercado”, disse o porta-voz.

A Kalshi não é a única empresa do ramo envolvida em especulações ligadas a ações militares.

Em janeiro, apostas na Polymarket (uma plataforma rival da Kalshi, que utiliza criptomoedas) de que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deixaria o poder até o termo do mês aumentaram nas horas que antecederam a sua prisão pelo governo americano. Um apostador ganhou quase meio milhão de dólares com a tomada de Maduro, levantando questionamentos sobre se alguém lucrou com informações privilegiadas sobre a operação dos EUA.

Diante desse novo mercado, parlamentares nos EUA defenderam mudanças na lei.

O parlamentar Ritchie Torres, democrata de Novidade York, apresentou um projeto de lei que procura proibir funcionários do governo de fazer negociações em mercados de previsão se tiverem “informações relevantes” relacionadas a uma aposta.

O setor foi intuito de fiscalização e questionamentos por segmento de reguladores durante o governo Biden. Mas recebeu uma acolhida mais favorável durante a presidência de Trump. Donald Trump Jr., fruto do presidente, atua em funções de consultoria na Kalshi e possui investimentos na Polymarket.

A negociação com informação privilegiada é ilícito no mercado de ações.

Um porta-voz da Kalshi afirmou que o site “proíbe explicitamente qualquer forma de negociação com informação privilegiada, incluindo funcionários do governo negociando em mercados de previsão relacionados a atividades governamentais”.

APOSTAS EM ELEIÇÕES ESTADUAIS

Nesta semana, a procuradora-geral do Arizona acusou formalmente a Kalshi de concordar apostas que seriam ilegais no estado em resultados eleitorais e eventos esportivos.

“A Kalshi pode se apresentar porquê um ‘mercado de previsão’, mas o que ela realmente faz é operar um negócio de jogos de má sorte ilícito e concordar apostas em eleições no Arizona, o que viola a lei do estado”, disse a procuradora-geral Kristin Mayes. “Nenhuma empresa tem o recta de resolver quais leis seguir.”

A Kalshi enfrenta problemas legais parecidos em vários outros estados, onde os órgãos reguladores entraram com processos acusando a plataforma de operar jogos de má sorte sem licença.

A promotoria alega que a Kalshi aceitou apostas no resultado da eleição presidencial dos EUA de 2028, na eleição para governador do Arizona em 2026 e suas primárias republicanas, e na eleição para secretário de estado do Arizona em 2026. Entre as apostas específicas citadas estava uma de US$ 2 sobre se (o vice-presidente) J.D. Vance venceria a presidência em 2028.

As demais acusações alegam que a Kalshi operava um negócio de apostas esportivas sem licença, aceitando apostas de somente US$ 1 em jogos da NFL, NBA, basquete universitário e Super Bowl.

A Kalshi, com sede em Novidade York, se defende dessas acusações alegando que suas atividades não são jogos de má sorte, mas alguma coisa mais próximo da negociação de mercado, e que isso a colocaria fora do alcance das autoridades estaduais. A empresa se posiciona porquê uma Bolsa de “contratos de eventos” regulamentada pelo governo federalista, em vez de uma mansão de apostas esportivas tradicional.

“Essas acusações são infundadas e estamos ansiosos para combatê-las no tribunal”, disse a empresa.

Oriente texto foi publicado originalmente cá.

Folha

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