Fuvest vai cobrar livros indígenas pela 1ª vez; veja lista

Fuvest vai cobrar livros indígenas pela 1ª vez; veja lista – 18/12/2025 – Walter Porto

Celebridades Cultura

Pela primeira vez, a Fuvest vai cobrar literatura indígena, histórias em quadrinhos e um jornalista asiático entre os livros obrigatórios para os estudantes que querem entrar na Universidade de São Paulo.

A poste teve entrada em primeira mão à lista de leituras que serão exigidas para ingressar na USP de 2030 até 2033, aprovada na tarde desta quinta-feira pelo Parecer de Graduação da universidade (veja a lista completa ao final do texto).

Além desses ineditismos, há outras estreias importantes na lista, uma vez que os romances “Quarto de Detrito”, de Carolina Maria de Jesus, e “Úrsula”, de Maria Firmina dos Reis, duas autoras negras que têm se incorporado cada vez mais à estante fundamental da literatura brasileira.

O vestibular da USP, que já chamou atenção neste ano com sua lista de obras escritas unicamente por mulheres, vai quebrar uma novidade barreira ao incluir dois livros de autoria indígena na prova.

Para ingresso em 2030 e 2031, será obrigatória a leitura de “Originárias: Uma Florilégio Feminina de Literatura Indígena”, trabalho organizado por Trudruá Dorrico e Maurício Preto para a editora Companhia das Letrinhas.

Em 2032 e 2033, será cobrado “Fantasmas”, livro de Daniel Munduruku voltado ao público adulto, publicado há menos de dois meses pela Record.

É novidade também a inclusão de uma história em quadrinhos, “Beco do Rosário”, uma história sobre a modernização de Porto Prazenteiro publicada pela gaúcha Ana Luiza Koehler na editora Veneta, especializada no formato.

Ou por outra, é inédita também a inclusão de um responsável lusófono do Sudeste Asiático —no caso, Luís Cardoso, jornalista premiado do Timor Leste. Seu romance selecionado para a Fuvest, “O Plantador de Abóboras”, venceu o Oceanos em 2021.

Aliás, labareda atenção a atualidade das leituras cobradas. Além de os livros indígenas serem recentíssimos, o quadrinho de Koehler é de 2020. E outro romance incluído na relação, “Vivenda de Família”, foi publicado por Paula Fábrio na Companhia das Letras no ano pretérito.

O diretor da Fuvest, Gustavo Monaco, diz que a teoria é ter uma maior aproximação com a linguagem dos jovens e penetrar discussões sobre temas mais contemporâneos.

O professor ressalta que a carteira do vestibular tem se propenso a cobrar leitura comparativa entre as obras e sua localização em uma lance social mais ampla. “A preocupação não deve ser só com o enredo dos livros, mas com seu contexto histórico e cultural. Vamos induzindo os estudantes a entender que esse contexto pode ser mais significativo que a obra em si.”

A inclusão de autores de novos países lusófonos —além de Cardoso, aparece o cabo-verdiano Germano Almeida com o romance “A Ilhéu Fantástica”, editado cá pela Oficina Raquel— tem a ver com o interesse em mostrar “uma vez que a língua portuguesa é variada”, segundo Monaco, “e uma vez que ela pode ser trabalhada de formas diferentes”.

É no sentido de ampliar o leque de estudos da língua que a Fuvest se atenta a novos formatos literários —não só a HQ, mas a volta da dramaturgia, com “A Moratória”, de Jorge Andrade, e “Orfeu da Conceição”, de Vinicius de Moraes. Na recordação de Monaco, o teatro só tinha aparecido na lista com autores mais antigos, uma vez que Gil Vicente.

Porquê esta poste também adiantou, as listas são paritárias entre livros de homens e mulheres, com nove de cada gênero ao longo dos quatro anos, e incluem a volta do português José Saramago, Nobel de Literatura, e do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto.

Veja a seguir a lista completa dos livros que serão cobrados nos próximos anos pela USP.=

Novos Livros Obrigatórios na Fuvest

Fuvest 2030 e 2031

“Beco do Rosário” (2020), romance em quadrinhos de Ana Luiza Koehler

“Esaú e Jacó” (1904), romance de Machado de Assis

“Uma Faca Só Lâmina” (1955), verso de João Cabral de Melo Neto

“A Ilhéu Fantástica” (1994), romance de Germano Almeida

“Laços de Família” (1960), contos de Clarice Lispector

“Memorial do Convento” (1982), romance de José Saramago

“A Moratória” (1954), peça teatral de Jorge Andrade

“Originárias: Uma Florilégio Feminina de Literatura Indígena” (2023), contos organizados por Trudruá Dorrico e Maurício Preto

“Quarto de Detrito” (1960), romance de Carolina Maria de Jesus

Fuvest 2032 e 2033

“Beco do Rosário” (2020), romance em quadrinhos de Ana Luiza Koehler

“Vivenda de Família” (2024), romance de Paula Fábrio

“Esaú e Jacó” (1904), romance de Machado de Assis

“Uma Faca Só Lâmina” (1955), verso de João Cabral de Melo Neto

“Fantasmas” (2025), romance de Daniel Munduruku

“Laços de Família” (1960), contos de Clarice Lispector

“Orfeu da Conceição” (1954), peça teatral de Vinicius de Moraes

“O Plantador de Abóboras” (2020), romance de Luís Cardoso

“Úrsula” (1859), romance de Maria Firmina dos Reis

Listas já anunciadas antes

Fuvest 2027

“Opúsculo Humanitário” (1853), de Nísia Floresta

“Nebulosas” (1872), de Narcisa Amália

“Memórias de Martha” (1899), de Julia Lopes de Almeida

“Caminho de Pedras” (1937), de Rachel de Queiroz

“A Paixão Segundo G.H.” (1964), de Clarice Lispector

“Geografia” (1967), de Sophia de Mello Breyner Andresen

“Balada de Paixão ao Vento” (1990), de Paulina Chiziane

“Melodia para Ninar Menino Grande” (2018), de Conceição Evaristo

“A Visão das Vegetais” (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida

Fuvest 2028

“Conselhos à Minha Filha” (1842), de Nísia Floresta

“Nebulosas” (1872), de Narcisa Amália

“Memórias de Martha” (1899), de Julia Lopes de Almeida

“João Miguel” (1932), de Rachel de Queiroz

“A Paixão Segundo G.H.” (1964), de Clarice Lispector

“Geografia” (1967), de Sophia de Mello Breyner Andresen

“Balada de Paixão ao Vento” (1990), de Paulina Chiziane

“Melodia para Ninar Menino Grande” (2018), de Conceição Evaristo

“A Visão das Vegetais” (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida

Fuvest 2029

“Conselhos à Minha Filha” (1842), de Nísia Floresta

“Nebulosas” (1872), de Narcisa Amália

“Dom Casmurro” (1899), de Machado de Assis

“João Miguel” (1932), de Rachel de Queiroz

“Nós Matamos o Cão Tinhoso!” (1964), de Luís Bernardo Honwana

“Geografia” (1967), de Sophia de Mello Breyner Andresen

“Incidente em Antares” (1970), de Érico Veríssimo

“Melodia para Ninar Menino Grande” (2018), de Conceição Evaristo

“A Visão das Vegetais” (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida

Folha

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