Guto Perdão Mello produziu trilhas de novelas e trabalhou na secção de produção músico da Orbe de 1972 a 1989
Renato Velasco_Memória Orbe
O produtor e diretor músico Augusto César Perdão Mello, mais publicado uma vez que Guto Perdão Mello, morreu nesta terça-feira (5), no Rio de Janeiro, aos 78 anos.
O carioca, nascido em 29 de abril de 1948, estava internado no Hospital Barra D’or, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, há mais de um mês. A culpa da morte, segundo familiares, foi uma paragem cardiorrespiratória. Ele deixa viúva a atriz Silvia Massari, duas filhas e dois enteados.
Ao longo de mais de cinco décadas de curso, Perdão Mello produziu mais de 500 discos, entre eles muitos sucessos da MPB, uma vez que discos de Rita Lee, Roberto Carlos, Maria Bethânia e o primeiro disco da Xuxa.
Também se tornou um dos principais nomes da música na televisão brasileira, responsável por transformar trilhas sonoras de novelas em fenômenos de público e mercado.
Memória Orbe: veja entrevista de Guto Perdão Mello
Em 2020, Perdão Mellor relembrou bastidores das trihas de novelas
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Nascido em uma família de artistas — fruto dos atores Stella Perdão Mello e Octávio Perdão Mello —, Guto cresceu em meio ao envolvente cultural.
Chegou a iniciar o curso de arquitetura na UFRJ, mas abandonou a graduação para se destinar à música. Estudou violão, passou pela escola ProArte e, ainda nos anos 1960, começou a criar.
Em parceria com Mariozinho Rocha, escreveu canções gravadas por nomes uma vez que Elis Regina e Nara Leão.
Antes de se firmar na TV, viveu no exterior e integrou o grupo Vox Populi, chegando a se apresentar no México.
De volta ao Brasil, iniciou a trajetória na Orbe em 1972, uma vez que produtor músico do programa “Viva Marília”, comandado por Marília Pêra.
No ano seguinte, assinou sua primeira trilha de romance, “Cavalo de Aço”, ao lado de Nelson Motta — trabalho que ele próprio classificaria mais tarde uma vez que um prelúdios difícil.
Guto Perdão Mello e Daniel Rebento nos bastidores de ‘Mulher 80’; eles trabalharam juntos em muitas novelas e programas
Ror Grupo Orbe
A partir daí, construiu uma curso decisiva para a identidade sonora das novelas. Foi responsável por trilhas de sucessos uma vez que “Gabriela”, “Vício Capital”, “Saramandaia” e “Estúpido Cupido”, sempre buscando alinhar a música ao universo dramático das histórias.
Para “Gabriela”, encomendou a lhaneza a Dorival Caymmi e apostou em “Prazenteiro Moçoila”, musicada por Djavan a partir de um poema de Jorge Estremecido.
Gabriela – 1ª versão (1975): Lisura
Trilha de última hora em ‘Vício Capital’
Um dos episódios mais marcantes da curso foi a produção da trilha de “Vício Capital”, em 1975.
Chamado às pressas dias antes da estreia, Guto montou praticamente todo o repertório em três dias e encomendou a música de lhaneza a Paulinho da Viola, que compôs “Quantia na mão é vendaval” em poucas horas.
Vício Capital – 1ª versão (1975): Lisura
Paralelamente ao trabalho na TV, teve papel médio na Som Livre, onde chegou a gerente universal. Ali, ajudou a estruturar o mercado de trilhas sonoras e a lançar artistas, usando a força das novelas para impulsionar carreiras. Entre os nomes que passaram pela gravadora estão Cazuza e Lulu Santos, portanto no início da trajetória.
Ao longo da curso, produziu mais de 500 discos — incluindo trabalhos de Rita Lee, Roberto Carlos e Maria Bethânia — e esteve adiante do primeiro álbum de Xuxa Meneghel, que vendeu milhões de cópias. Também assinou trilhas de mais de 30 filmes e compôs o tema de lhaneza do “Fantástico”.
Perfeccionista, ele costumava proferir que seu maior duelo era manter a qualidade artística mesmo diante das demandas comerciais. Ao mesmo tempo, reconhecia o papel estratégico das novelas na divulgação da música brasileira. “O meu barato era fazer o casting e usar a estrutura da Orbe para explodir artistas”, afirmou em entrevista.
Guto Perdão Mello deixou a Orbe e a Som Livre em 1989, mas seguiu atuando na música, produzindo discos, trilhas e jingles. Nos últimos anos, dizia seguir novelas uma vez que testemunha sengo — mormente às trilhas, espaço que ajudou a revolucionar.
“Eu tenho oferecido muita sorte na vida”, resumiu certa vez. A trajetória mostra que, além de sorte, ele teve papel fundamental na construção da relação entre dramaturgia e música no Brasil.
Fonte G1




