Jude Law é Putin em filme que faz da política

Jude Law é Putin em filme que faz da política um teatro – 09/04/2026 – Ilustrada

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Ao lado de alguns empresários russos, os grandes oligarcas do mundo são Mark Zuckerberg, possessor da Meta, e o Vale do Silício, região americana conhecida por concentrar as grandes empresas de tecnologia. É o que afirma, provocante, Vadim Baranov, personagem de Paul Dano em “O Mago do Kremlin”. No filme, ele é o ex-braço recta de Vladimir Putin e conta sua subida a um acadêmico.

O novo longa do galicismo Olivier Assayas adapta o romance homônimo do pesquisador político Giuliano da Empoli. Ainda que Vadim seja um personagem ficcional —assim porquê os bastidores do Kremlin por ele descritos— o livro é leal ao contexto histórico pós-queda da União Soviética e aos eventos que antecederam a anexação da Crimeia, em 2014, incluindo a escalada de Putin ao poder, ancorada em uma narrativa apelativa ao povo russo.

Vadim é inspirado em Vladislav Surkov, ex-assessor de Putin na vida real, considerado o grande ideólogo e articulador da política russa contemporânea e responsável por ter popularizado a imagem do presidente. Surkov trabalhou com publicidade antes de entrar para a política, histórico exagerado no filme. Vadim é um produtor de televisão convocado por um oligarca midiático para tornar Putin encantador o suficiente para vencer as eleições.

Aos olhos dos dois, o horizonte presidente era um mero ex-agente da KGB, vetusto serviço secreto da União Soviética, que seria usado para certificar o controle do governo pelos megaempresários.

Mal sabiam eles que o escolhido não estava disposto a ser um fantoche. Calculista, dominador e movido por um poderoso nacionalismo, Putin não aceita ser controlado por ninguém. Quando o líder planeja aprofundar o conflito com a Ucrânia, por exemplo, Vadim cria estratégias para prometer o seu sucesso —porquê se aproximar de grupos subversivos russos e prometer regalias para, assim, evitar qualquer revolta.

Quem encarna Putin, pouco carismático aos olhos do mundo, é o galã hollywoodiano Jude Law. “Se eu pudesse, teria feito esse filme na Rússia e com atores russos. Mas isso é impensável. Não temos entrada ao país e os atores nunca mais trabalhariam depois disso”, diz o diretor Olivier Assayas, por videochamada, referindo-se à exprobação artística e perseguição de vozes dissidentes no país.

Atores americanos conferem um tom mais universal e muito bem-vindo à história, diz. “O que conduziu a política russa naquele momento também conduz Donald Trump e políticos semelhantes. Ela é definida pelos mesmos valores e estratégias.”

“O Mago do Kremlin” mostra porquê, surfando na cultura patriarcal da sociedade russa, cansada da instabilidade posteriormente a queda da União Soviética, Putin se estabeleceu porquê um varão poderoso, de pulso firme, que restabeleceria a ordem a qualquer dispêndio.

Enquanto narra essa subida, Vadim não poupa comentários ácidos ao Poente. Ele critica, por exemplo, porquê a Europa aceita a interferência dos Estados Unidos em outros países, mas condena ações parecidas por segmento da Rússia. Em outro momento, zomba das revoluções coloridas de países do Leste Europeu nos anos 2000, que pediam por democracia posteriormente a União Soviética, dizendo que foram fomentadas pelos americanos ávidos por aumentar sua influência na região.

Não é de agora que Assayas é publicado por produções mais intelectuais e voltadas a dissecar relações de poder. Em 2019, fez “Wasp Network –Prisioneiros da Guerra Fria”, com Penelope Cruz e Wagner Moura, sobre espiões cubanos que tentam frear o terrorismo no país caribenho e, antes disso, lançou em 2010 a minissérie “Carlos”, que conta a história do guerrilheiro venezuelano Ilich Ramírez Sánchez. Foi pelas suas mãos também que a atriz americana Kristen Stewart protagonizou seu primeiro filme independente de mais repercussão posteriormente a saga “Lusco-fusco”, “Supra das Nuvens”, no qual contracenou com Juliette Binoche.

Depois de passar pelo Festival de Veneza no ano pretérito, “O Mago do Kremlin” estreia no Brasil no momento em que a Guerra da Ucrânia, que já dura mais de quatro anos, chega ao seu nível mais violento depois que os olhos do mundo se voltaram para a Guerra no Irã.

“Não acredito que filmes possam mudar o mundo”, afirma Assayas, sobre a verosímil influência de seu trabalho no debate público. Ele diz se empolgar mais com a teoria de investigar as origens do que labareda de perversidade da política moderna, impulsionada pelas redes sociais.

Folha

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