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Depois 128 anos de história, a Ateneu Brasileira de Letras, instituição fundada pelo preto Machado de Assis, elege uma mulher negra para ocupar uma de suas cadeiras. O feito histórico é de Ana Maria Gonçalves, autora do já clássico “Um Defeito de Cor”.
“Posso levar para a ABL um público leitor que não se via representado, ainda, em grande secção da literatura que se produz lá dentro”, afirmou a recém-imortalizada ao editor Walter Porto.
Seu famoso “Um Defeito de Cor” —que vendeu mais de 2.000 cópias no dia em seguida o pregão da autora na ABL— reinventou a literatura negra brasileira com a história de Kehinde, mulher sequestrada na África e escravizada no Brasil.
Desde que Gonçalves se inscreveu para ocupar a cadeira deixada pelo linguista Evanildo Bechara, o resultado da eleição já parecia manifesto. As previsões portanto se confirmaram com os 30 votos recebidos pela autora, entre 31 disponíveis.
O cenário é um contraponto para a candidatura rumorosa de Conceição Evaristo em 2018. Na ocasião, a escritora negra foi preterida por Cacá Diegues. A Ateneu, na quadra, se sentiu intimidada pela movimentação em torno de Evaristo que se inscreveu mobilizada por um petição de mais de 20 milénio assinaturas.
Talvez agora, que Ana Maria Gonçalves abriu portas fechadas por mais de um século, nomes porquê Evaristo e tantas outras possam se juntar à primeira mulher negra imortal.
Acabou de Chegar
“Caderno de Ossos” (Companhia das Letras, R$ 79,90, 216 págs.), primeiro romance de Julia Codo, une elementos da história familiar da autora a episódios reais do Brasil em uma ficção tão verossímil que parece autoficção, porquê escreve a repórter peculiar Fernanda Mena. O livro acompanha uma brasileira que retorna ao país em meio ao governo Bolsonaro e começa a investigar o velho desaparecimento de sua tia durante a ditadura militar.
“Heróis por Casualidade” (Record, R$ 74,90, 352 págs.) é uma trama de espiões baseada em relatos de pessoas comuns divididas entre a fidelidade aos seus países de origem e ao Brasil, país que escolheram para viver. A autoria é de Paulo Valente, rebento de Clarice Lispector. Uma vez que aponta o jornalista Diogo Bachega, apesar de se esperar que a mãe tenha influência sobre os livros do rebento, sua maior inspiração é a vida de seu pai, o diplomata Maury Gurgel Valente.
“Sérgio Cardoso: Ser e Não Ser” (Edições Sesc, R$ 90, 368 págs.), do pesquisador Jamil Dias, conta porquê o ator que intitula o livro foi esquecido em seguida figurar porquê galã no teatro e nas telas por décadas. A obra, porquê escreve o jornalista Diogo Bachega, é inconclusiva porquê a vida de Sérgio Cardoso, que morreu subitamente aos 47 anos, no auge de sua glória.
E mais
A italiana Dacia Maraini é uma voz do feminismo na literatura de seu país. A protagonista de seu “A Longa Vida de Marianna Ucrìa” (Novidade Alexandria, R$ 85, 256 págs.) para de falar em seguida ser vítima de violência —esse silêncio, para os leitores, é o mesmo imposto a tantas outras mulheres em situação similar. A própria Maraini, porquê contou à jornalista Carolina Faria, ficou temporariamente muda em seguida passar dois anos em um campo de concentração no Japão.
Em “A Questão do Pardo no Brasil” (Cult, R$ 75, 210 págs.), a socióloga Flávia Rios tenta responder o que significa esse concepção no Brasil. Segundo ela, é um tópico sensível, porque envolve histórias de violência. O tema, porquê aponta a jornalista Victoria Damasceno, ganhou fôlego com o Recenseamento de 2022, que apontou os pardos porquê o maior grupo racial do Brasil pela primeira vez na história.
A dupla polonesa Artur Gebka e Agata Dudek escreveu “A Garrafa do Papai” (Piu, R$ 63, 64 págs.) para apresentar às crianças um tema de que pouco se fala em qualquer idade: o alcoolismo. Uma vez que conta o blog Era Outra Vez, a história gira em torno de uma garrafa que chega de repente à mansão de uma família e já desperta desprazer no rebento por seu cheiro azedo. Já o pai fica vidrado no objeto, que passa a crescer de tamanho.
Fuvest
Pela primeira vez a Fuvest, vestibular que dá chegada à USP, adota uma lista de leituras obrigatórias composta 100% por autoras mulheres, muitas delas estreantes na seleção. Tanta novidade pode assustar os estudantes, mas traz novos debates para a sala de lição.
“Caminho de Pedras”, de Rachel de Queiroz, traz uma sátira política entrelaçada a uma história de paixão. O romance de 1937 conta a história de um caso extraconjugal entre Noemi e Roberto, que se conhecem em reuniões de um novo partido de esquerda que surge em meio a Era Vargas. A própria autora integrou o Partido Comunista do Brasil e foi presa durante a repressão do governo Vargas.
Além dos Livros
O influenciador Lucas Henrique dos Santos é sabido nas redes porquê “Menino do Vício”. Ex-dependente químico, ele reinventou sua vida com a leitura. “Pensei: vou comprar um livro, pelo menos gasto o quantia e não compro mais droga e me distraio”, afirmou à repórter Ana Clara Cottecco. Ele grava vídeos para o TikTok sobre os livros que lê com a intenção de influenciar outras pessoas a fazerem o mesmo.
Ana Maria Gonçalves será uma das homenageadas da terceira edição do Festival Literário Internacional de Paracatu ao lado do português Valter Hugo Mãe. O Fliparacatu, porquê conta o Quadro das Letras, acontece no setentrião de Minas Gerais de 27 a 31 de agosto sob a curadoria de Bianca Santana, colunista da Folha, e dos escritores Jeferson Tenório e Sérgio Abranches. Valter Hugo Mãe também estará numa mesa extra da programação principal da Flip, anunciada nesta terça pela organização do festival paratiense.
“Tenho glória, mas eu não quero que ela me tenha”, afirma o filósofo e professor Mario Sergio Cortella, que já vendeu mais de 3,5 milhões de cópias de seus livros. Em meio a divulgação de sua novidade biografia ilustrada, ele falou ao repórter Jairo Marques sobre sua presença nas redes sociais, onde acumula 23 milhões de seguidores, e sobre se ver em versões criadas por perceptibilidade sintético.
