Livros discutem por que distopias repercutem no presente 10/09/2025

Livros discutem por que distopias repercutem no presente – 10/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

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A crise de refugiados, o brexit e a chegada de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos foram algumas “mudanças sísmicas” sentidas pelo irlândes Paul Lynch quando começou a redigir “A Música do Vidente” (Rogerio W. Galindo, R$ 88,90, 304 págs.). O romance venceu o Booker, o prêmio mais importante da língua inglesa, e agora chega ao Brasil pela editora DBA.

A erosão da democracia vem se tornando nascente de inspiração para a literatura distópica contemporânea. Em sua ficção especulativa, Lynch imagina o que pode vir a se tornar seu país, conjecturando a partir de situações que já aparecem no presente. A reportagem de Walter Porto aponta que distopias costumam ser mobilizadas por terror ou ódio.

A estratégia de Lynch ao abordar os temores de hoje porquê perigos de amanhã serve à teoria de que as pessoas não respondem emocionalmente a fatos, mas a histórias —peroração que explica não só a relevância do trabalho do irlandês, mas de muitos que vieram antes dele. Por exemplo, o ainda alarmante “1984”, de George Orwell, que há décadas imaginou um cenário hoje temido pelo redactor Jason Stanley.

No livro de não ficção “Apagando a História: Porquê os Fascistas Reescrevem o Pretérito para Controlar o Horizonte” (trad. Denise Bottmann, L&PM, R$ 69,90, 224 págs.), o filósofo americano discute porquê poderes políticos são capazes de extinguir memórias coletivas e formar cidadãos dóceis através das narrativas que perpetuam. A obra, segundo a sátira Sylvia Colombo, “mostra que a memória coletiva é o campo onde se decide se sociedades permanecerão democráticas”.


Acabou de Chegar

“Para John” (trad. Marina Vargas, HarperCollins Brasil, R$ 89,90, 224 págs.) reúne transcrições das sessões de psiquiatria da escritora americana Joan Didion. Ao longo de três anos, a autora reflete sobre a relação com seu marido John Dunne e sua filha Quintana Roo. Para o crítico Gabriel Trigueiro, o novo livro soa porquê o material bruto que deu origem a outros de seus livros mais muito lapidados, porquê “O Ano do Pensamento Mágico” e “Noites Azuis”.

“Te Dou Minha Vocábulo” (Companhia das Letras, R$ 79,90, 208 págs.) é o livro mais autobiográfico da paulistana Noemi Jaffe, que ela vê porquê a culminação de toda a sua trajetória. Na obra, histórias e memórias se misturam em suas percepções. Porquê a autora diz ao editor Walter Porto, “essa disparidade entre o que você sente e o que você vê é muito chocante”. “E as duas coisas estão certas.”

“Berg” (trad. Gisele Eberspächer, DBA, R$ 76,90, 184 págs.) marca a chegada de Ann Quin ao Brasil, já porquê uma autora clássica, segundo o crítico Felippe Cordeiro. O livro subverte o mito de Édipo e tem porquê protagonista um rebento que se prepara para matar o pai. “A redescoberta de Quin é um presente para a literatura contemporânea, pois oferece a oportunidade de ‘reler’ pela primeira vez uma voz única, que se recusou a ser domesticada”, escreve o resenhista.


E mais

Gilberto Gil registra sua turnê de despedida no livro “Tempo Rei” (Gege Edições Musicais, R$ 96), com fotos de momentos marcantes e cifras das músicas apresentadas nessa última leva de shows. Gil já declarou não ter vontade de recontar sua história por um mecanismo tradicional porquê uma autobiografia e diz se interessar mais pelas interpretações dos outros sobre sua obra. Ele também afirma ao jornalista Walter Porto estar acessível à escrita depois de terminar os shows.

Na obra “Na China com o Green Day?!!” (trad. Alvaro Dutra, Terreno Estranho, R$ 115, 176 págs.), Aaron Cometbus, um ex-roadie do grupo punk, narra suas memórias durante uma turnê por países da Ásia em 2010. A obra é, segundo a sátira de André Barcinski, “uma espécie de acerto de contas do Green Day com Cometbus, que havia criticado a filarmónica em algumas ocasiões por ter supostamente se vendido ao comercialismo”.


Em 1592, o jovem poeta português Bartolomeu Fragoso foi recluso pela Quesito em Salvador. Na ocasião, teve seus papéis sequestrados pelo governo, entre eles o manuscrito “O Cancioneiro das Baldaias”. Mais de 400 anos depois, o pequeno livro foi encontrado na Torre do Trambolhão, em Lisboa, pela pesquisadora Sheila Hue, e vai ser publicado no Brasil pela editora Solo, porquê conta o Tela das Letras.


Além dos Livros

A Anthropic respondeu aos processos por uso indevido do teor de livros com um contrato de US$ 1,5 bilhão (equivalente a R$ 8,1 bilhões). A empresa de perceptibilidade sintético se comprometeu a fazer o pagamento a autores que a acusaram de usar suas obras para treinar o chatbot Claude e também se comprometeu a destruir milhões de cópias de livros piratas armazenados em seus servidores. O incidente tem sido considerado o primeiro grande contrato da era da IA generativa.

Posteriormente voltar ao mercado, a editora Cosac prepara novas publicações de livros da antiga Cosac Naify, além de uma versão inédita de “Romeu e Julieta” e uma coleção de teatro de Pasolini. Porquê conta o Tela das Letras, a novidade edição da obra de Shakespeare traz um ritmo mais veloz, voltado ao teatro, com tradução e notas do professor de artes cênicas Ricardo Cardoso.


No último mês, aconteceu no interno de Minas Gerais a terceira edição do Fliparacatu, festival literário que oferece a grandes escritores um momento de convívio calma e festiva. O evento é idealizado por Afonso Borges, gestor cultural por trás dos similares Fliaraxá, Flitabira e Flipetrópolis. Autoras porquê Carla Madeira, Ana Maria Gonçalves e Míriam Leitão passaram por lá e também aproveitaram a oportunidade para falar de seus novos livros.

Folha

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