Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Louis C.K. é um bom remédio quando tudo está horrível
Celebridades Cultura

Louis C.K. é um bom remédio quando tudo está horrível – 02/07/2026 – Ilustrada

Com “spoilers” ou sem? O que você acha que prefere? A gente nunca sabe até o “spoiler” ser oferecido. Tem uns imperdoáveis, porquê narrar que o personagem do Bruce Willis está morto desde o prelúdios do filme “O Sexto Sentido”. Estraga toda a experiência. Mas o que expor sobre o clássico “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller, de quem título entrega o final da trama? Ou “Titanic”, um dos longas de maior sucesso da história do cinema?

Mas, se você está comigo até cá, quase consigo apostar que não é pelo frisson de saber as novas piadas de Louis C.K., mas para saber o que ele aprontou. Portanto vamos logo tirar esse elefante do meio da sala. Em abril de 2017, quase dez anos detrás, a Netflix lançou o próprio “Louis C.K., 2017” e anunciou que aquela seria a estreia do comediante no meio, que havia assinado um contrato para apresentar mais duas atrações.

Foi um bom ano para ser Louis C.K., aquele 2017. Ele já tinha seis outros especiais lançados pela HBO, todos muito elogiados; havia criado, protagonizado e dirigido a ótima série “Louie”, que teve cinco temporadas e ganhou várias estatuetas do Emmy entre 2010 e 2015; já tinha escrito roteiros de longas, fez segmento do grupo de roteiristas do “Saturday Night Live” e, dez anos antes, já tinha saído dos bastidores para a frente do palco. Estava rico e famoso.

Em novembro do mesmo ano, no entanto, o The New York Times publicou uma longa reportagem investigativa sobre porquê cinco mulheres haviam relatado que o comediante havia se masturbado na frente delas sem o consentimento adequado, ou enquanto falava com elas pelo telefone. Tudo aconteceu entre os anos 1990 e o prelúdios deste século.

No dia seguinte, ele publicou uma enunciação assumindo a má conduta e dizendo que achava que estava tudo muito na idade, já que sempre pedia permissão às mulheres antes. Mas, porquê era uma figura de poder e as mulheres, iniciantes na curso —quatro delas eram jovens comediantes—, percebia naquele momento porquê o que fazia estava incorrecto.

Apesar de não tolerar nenhuma consequência jurídica, já que nenhuma das mulheres prestou queixa, sua curso desmoronou. A Netflix cancelou os outros dois especiais, a série “Louie”, que tinha chance de continuar existindo, também foi pro brejo. Ele perdeu o trabalho de dublador da animação “Pets: A Vida Secreta dos Bichos 2” e o longa-metragem “I Love You, Daddy”, que ele havia escrito, protagonizado e dirigido, perdeu qualquer chance de distribuição.

Ele sumiu por um longo tempo, mas, pouco a pouco, foi retomando sua curso, começando porquê começam quase todos os comediantes de stand-up nos pequenos clubes de comédia. Em 2020, lançou de forma independente o próprio “Sincerely Louis C.K”, em que falava claramente sobre o tema, com o humor autodepreciativo e, às vezes, até violento que são suas marcas registradas. E agora, quase dez anos depois do escândalo, ele está de volta à Netflix com “Ridiculous”.

Com uma hora de duração, “Ridiculous” mostra um Louis C.K. mais velho, tem 58 anos hoje, provavelmente deprimido, mas ainda muito engraçado, e sem zero mais a perder. Simples, ainda poderia perder levante contrato atual, mas não aconteceu —o programa está no ar. E, num email para os assinantes da sua newsletter, ele conta que o próprio da Netflix foi criado durante uma turnê feita mundo afora, que durou três meses, em 2024.

Ou seja, as piadas já estavam criadas e se pagando na bilheteria; a Netflix só gostou do que viu, gravou uma apresentação e botou hoje no ar, sem muito vaidade. E ninguém é obrigado a presenciar. Quer expor, ninguém menos eu, que fui pautada para esta resenha. O que eu posso expor? Escolha muito a sua profissão e, de vez em quando, o trabalho nem vai parecer trabalho.

Mas não mate o mensageiro; estou cá cumprindo ordens. Ou mate. Por fim, o mundo anda tão invulgar ultimamente que o paixão e o ódio parecem ter oferecido as mãos no mundo do dedo. Portanto, se for me xingar, por obséquio, faça isso online, onde qualquer glosa, para o muito ou para o mal, tem o mesmo nome: engajamento.

Sobre o próprio em si: é muito engraçado, mormente se o seu dia está dando muito incorrecto. Louis C.K. tem um talento único para olhar as coisas do pior ângulo provável e ainda fazer perdão com isso. Uma perdão que às vezes dá até vergonha de rir junto, mas, no final das contas, não machuca ninguém, já que o níveo principal dele continua o mesmo de sempre: ele mesmo.

Eu guardaria esta epístola na manga e não assistiria ainda. Espera o Brasil perder um jogo, se é que isso vai suceder nesta Despensa —não estou urucando ninguém, mas o time da Noruega e aquele gigante albino dão pavor. Ou você receber uma péssima notícia, daquelas que azedam o humor e os planos, e que faz parecer que o ódio não vai passar nunca.

Por sorte do Louis C.K., meu dia começou assim, com um soco no estômago, metaforicamente falando. Mal sabia eu que o consolo estaria no serviço.

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *