MAM de São Paulo reabre após reforma e preserva marquise – 09/09/2026 – Ilustrada
Três homens sobem por escadas e afixam numa frente as letras que formam a termo MAM: os dois “m” em preto e o “a” em vermelho. Dentro do museu, um funcionário dá os retoques finais no palco do auditório recém-reformado, o cheiro de madeira a tomar o envolvente, as novas poltronas ainda embaladas em plásticos protetores.
Na semana passada, a poucos dias de reabrir depois de dois anos fechado, o Museu de Arte Moderna de São Paulo recebia os últimos ajustes na reforma que reorganizou e atualizou os espaços internos. O projeto dos arquitetos Silvio Oksman e Anna Helena Villela, da firma Metrópole, melhorou a circulação dos visitantes, renovou o auditório e substituiu as instalações elétricas e de ar-condicionado.
A dupla também preservou um patrimônio da arquitetura brasileira ao deixar visível, nas salas expositivas, a marquise original, construída na dezena de 1950. No trecho ocupado pelo MAM, a marquise permanece uma vez que foi concebida no projeto de Oscar Niemeyer. Fora do museu, sua laje subordinado foi coberta por um revestimento removível de gesso, solução adotada pela concessionária do parque uma vez que segmento da impermeabilização da estrutura.
“É bacana pensar que tem uma estrutura que foi construída cá, que está funcionando, e que o Museu de Arte Moderna vai preservar também a arquitetura moderna. Pode parecer um pormenor, mas não é. É um pedaço da história”, afirma Oksman, arquiteto que tem no currículo o restauro de outras construções relevantes de São Paulo, uma vez que o prédio do IAB, o Instituto de Arquitetos do Brasil, no meio.
Para quem visitante o MAM, a mudança mais visível é a liberação do fluxo na ingressão. A bilheteria foi transferida para o lado de fora e, dentro, não há mais a escada que dava aproximação ao auditório, no qual agora se entra por uma porta lateral. Essas reformas aumentaram o espaço de circulação do público —uma demanda antiga do museu, segundo os arquitetos— e permitem o fácil aproximação de cadeirantes.
Quem entra no museu pode sentar-se num grande banco de granito, instalado onde antes ficava o balcão. O saguão recebe agora mais luz originário, porque foram desobstruídas as paredes de vidro voltadas para o jardim do parque. Embora os espaços do museu sejam os mesmos, a sensação para o visitante é a de se estar num lugar mais espaçoso.
Villela, que tem larga experiência em projetos expográficos, comenta as renovações feitas nas três salas expositivas —as galerias ganharam um sistema de calhas e trilhos modulados suspensos, uma estrutura presa na viga dentro da marquise. Esse sistema integra a iluminação e permite pendurar obras de arte pesadas em qualquer ponto do espaço. No mais, o piso da sala de vidro foi renovado e nivelado.
Executada neste ano, a reforma durou seis meses, prazo apertado que só começou a narrar depois de a concessionária do parque entregar a restauração da marquise, em janeiro. Uma vez que ela foi impermeabilizada e, por isso, não pode mais ser perfurada, equipamentos de ar-condicionado e caixas d’chuva foram removidos de cima da laje.
As máquinas foram escondidas dentro e detrás do prédio. Na superfície externa, ficaram instaladas em espaços gradeados, afastados do volume principal do museu, para não prejudicar sua ar. Com isso, a frente ulterior do MAM, junto ao estacionamento do parque, ganhou mais laia de prédio modernista e perdeu o paisagem de fundos.
Os arquitetos também adaptaram a loja do museu, a sala do educativo, a livraria —que passa a acoitar junto o meio de documentação e memória—, e os escritórios das equipes. É uma instituição de rosto novidade, tanto para quem a visitante quanto para quem trabalha ali.
Para além da arquitetura, o museu estreia uma novidade identidade visual —desenvolvida pelo estúdio de Celso Longo e Daniel Trench, o CLDT— que engloba a notícia escrita da instituição e a sinalização dos espaços internos. A principal mudança é a atualização da nascente, de Helvetica Neue, adotada em 2021, para Helvetica Now.
A troca dá perenidade à tradição do MAM de usar a Helvetica em sua notícia. Desde 1965, data do primeiro registro da marca da instituição, o museu adotou diferentes versões da nascente. Naquele ano, o “a” da {sigla} do nome era azul e vinha colado às duas letras “m”, num logo concebido pelo designer Giancarlo Palanti. A vogal em vermelho passou a ser empregada nos anos 1980.
Criada na Suíça em 1957, a Helvetica, de fácil leitura e sem serifas, é provavelmente a nascente mais usada no Poente no pós-Guerra. Tida uma vez que minimalista, racional e internacional, tornou-se sinônimo do capitalismo corporativo. Em diferentes versões, foi empregada na notícia visual de empresas tão distintas quanto Nestlé, Apple, Panasonic, Lufthansa e American Apparel, além de nascer na sinalização dos metrôs de Novidade York e de São Paulo.
A mudança na tipografia do museu é muito discreta visualmente, segundo Longo. A Helvetica Now, diz, é mais adaptada para textos de parede, catálogos e usos na internet, porque harmoniza muito os espaços vazios e cheios na constituição das palavras. “Ninguém vai perceber, mas vai perceber. Ela tem uma rosto mais finamente desenhada.”
Dentro do museu, Longo afirma ter buscado uma sinalização que evite redundâncias e, sobretudo, apareça exclusivamente quando o visitante precisa dela. Isso significa, por exemplo, não exibir uma indicação de saída em pontos nos quais ela possa interferir na submersão do testemunha na exposição.
Ou por outra, agora as placas são bilíngues, em português e inglês, e discretos suportes de madeira fundidos à arquitetura servem para indicar as salas expositivas e prender os cartazes das sinais. “O setentrião do projeto”, diz Longo, “foi respeitar a origem moderna do museu, tanto na letra quanto nos suportes”.





