Los Toldos (Argentina)
|Financial Times
Em um trecho remoto da estepe patagônica, aos pés de um vulcão, o rugido do vento era escamoteado pelo zumbido de servidores de computador.
Um data center de 12 MW (megawatt), vestido de poeira cor de terracota e rodeado por planaltos rochosos que remetem a Jurassic Park, funciona com gás que, de outra forma, seria queimado porquê subproduto da extração de petróleo de xisto nas proximidades.
“Há uma enorme oportunidade cá para que os data centers não concorram com as necessidades humanas”, disse Tomás Ocampo, fundador da Unblock Energy, que planeja uma instalação de várias centenas de MW para fomentar sistemas de perceptibilidade sintético na zona rústico da Argentina.
Instalação de exploração de gás na Patagônia, na Argentina
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Alexander Villegas – 22.out.24/Reuters
Ocampo afirmou ter recebido uma enxurrada de ligações de potenciais investidores e clientes dos Estados Unidos em seguida as eleições de meio de procuração, quando vitórias expressivas dos democratas e a aprovação de medidas em plebiscitos contra data centers derrubaram as ações de tecnologia e alimentaram temores de paralisação do setor. O bilionário Elon Musk voltou a sugerir a construção dessas instalações no espaço.
“Antes de colocarmos data centers no oceano e no espaço, a Argentina faz muito sentido”, disse Ocampo.
O presidente da Argentina, Javier Milei, apresentou os data centers porquê a base de seu projecto para transformar o país em um “polo de IA”. Encaminhou um projeto de lei com incentivos fiscais, prometeu não regulamentar a IA e permitir “corporações não humanas”, além de estreitar relações com bilionários da tecnologia porquê Musk e Peter Thiel. Milei tem ressaltado a “robustez numeroso” e as “vastas terras inóspitas” do país, o oitavo maior do mundo em extensão, com somente 46 milhões de habitantes.
Mas a Argentina, muito detrás de seus pares em capacidade de data centers e a milhares de quilômetros de muitas das grandes cidades onde vivem os usuários finais da IA, enfrenta enormes obstáculos. A abordagem do governo provocou reação de opositores, que o acusam de querer transformar o país em um “laboratório” para empresas de tecnologia.
Décadas de instabilidade econômica e falta de investimentos na rede elétrica deixaram o país com menos de 40 MW de capacidade em data centers, muito detrás dos 400 MW do Chile. Gigantes americanas da tecnologia optaram pelo Uruguai, pelo México e pelo Brasil para instalar seus primeiros data centers na América Latina.
O projeto de maior destaque pode ter estagnado. Em outubro do ano pretérito, Milei anunciou planos para um data center de 500 MW talhado a atender a OpenAI, mas não houve novos desdobramentos. A Sur Energy, que lidera o projeto, disse à prelo sítio em agosto que “a esfera” estava “com a OpenAI”. Mas um porta-voz da OpenAI afirmou ao FT que a empresa era somente “uma potencial compradora” e que “qualquer eventual compra dependeria” de a Sur Energy desenvolver o data center.
A oposição realizou uma audiência no Congresso sobre as ligações de Thiel com a Argentina, depois que ele comprou uma mansão em Buenos Aires, participou de reuniões a portas fechadas com a equipe de Milei e adquiriu uma participação em uma petrolífera sítio. Protestos em tamanho forçaram Milei, em agosto, a largar uma iniciativa para flexibilizar as restrições à propriedade de terras por estrangeiros.
Grupos da sociedade social afirmam que os data centers agravariam o estresse hídrico na Patagônia e gerariam poucos empregos, e que o regime de incentivos limitaria a capacidade do Estado de intervir diante da escassez de recursos. “Os benefícios são realmente excessivos”, disse o ativista ambiental Oscar Soria.
O sonho de Milei, porém, ainda pode se tornar veras, à medida que empresas de robustez começam a oferecer sua produção de gás de xisto aos desenvolvedores. A Pampa Energy afirmou em outubro que dispõe de 800 MW de capacidade na província de Neuquén. A polonesa Green Capital anunciou um data center de US$ 3 bilhões na província de Chubut.
A aprovação do regime de incentivos —que já passou pela Câmara dos Deputados e aguarda o aval do Senado— deverá destravar investimentos, disse Raimundo Diaz, vice-presidente executivo da Vistra Global Solutions, grupo de serviços empresariais sediado nos EUA. “A Argentina é um dos únicos países com poucas restrições para implementar data centers de grande capacidade em um pequeno período”, afirmou. “Está chegando tarde à sarau, mas tem enorme potencial para restabelecer o demora.”
Defensores dizem que a instalação de data centers na Patagônia, região que ocupa um terço da Argentina, resolveria o descompasso entre a riqueza energética do país e sua demanda. A produção de petróleo mais que dobrou desde 2024 em Vaca Muerta, formação de xisto do tamanho da Bélgica, mas a de gás quase não aumentou por falta de infraestrutura de transporte. A Unblock afirma que as empresas de perfuração desperdiçam, por meio da queima, o equivalente sobre 600 MW de geração potencial e que até 3 GW em gás permanecem no subsolo por falta de demanda.
“Levamos o data center para onde há robustez sobrando”, gritou Miranda Marrazzo, engenheira-chefe da Unblock, tentando se fazer ouvir em meio ao estrondo dos servidores. Germán Serrano, ex-executivo da estatal YPF, argumentou que seria “mais eficiente” “edificar os data centers em Vaca Muerta e transportar fótons pelo mundo do que transportar robustez até os data centers”.
Fontes remotas de robustez renovável também são abundantes, mas a capacidade limitada da rede faz com que quase 6 GW em projetos aguardem aprovação ou enfrentem restrições à geração. A localização distante limitará o papel da Argentina no processamento que precisa ocorrer perto dos usuários finais, mas os desenvolvedores afirmaram que a Patagônia é sedutor para o treinamento de modelos, que pode ser feito remotamente.
Ainda assim, a envelhecida rede elétrica é um grande tropeço. Em setembro, o governo afirmou que novos projetos de grande porte, em qualquer setor, deverão providenciar infraestrutura para 80% de sua eletricidade, a termo de evitar a sobrecarga da capacidade existente.
Enquanto isso, Soria alertou que os desenvolvedores que veem a Patagônia porquê “vazia” estão fazendo um operação equivocado. “É provavelmente a região argentina com o maior histórico de comunidades locais bloqueando projetos”, acrescentou, observando que projetos de gás em Vaca Muerta enfrentaram resistência de moradores indígenas mapuches.
Daniel Yankelevich, do meio de estudos Fundar, argumentou que a Argentina deveria buscar investimentos nos quais empresas argentinas agreguem valor, em vez de somente fornecer terreno e robustez, porquê ocorre em seus setores de software e serviços de tecnologia. “Os data centers devem ser um meio, não o objetivo final”, afirmou.





