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Milo J: Odeio que me rotulem, não quero buscar um
Celebridades Cultura

Milo J: Odeio que me rotulem, não quero buscar um gênero – 18/09/2026 – Ilustrada

Camilo Joaquín Villarruel diz que odeia ser rotulado porquê uma coisa só. Aos 19 anos, o artista espargido porquê Milo J, que nasceu em Morón, na periferia de Buenos Aires, virou um fenômeno ao despontar porquê um dos principais nomes da novidade geração do trap e do rap na Argentina. Agora, sua curso ganha projeção mundial na esteira do lançamento de um disco guiado pelo folclore prateado e outros gêneros tradicionais da América Latina.

Autodidata, Milo nunca fez aulas de quina. Começou a participar de batalhas de rap na mocidade e passou a publicar músicas nas redes sociais em 2021. No ano seguinte, viralizou no TikTok com o hit “Milagrosa”, que o tirou do rodeio underground. Depois, vieram os álbuns “111”, em 2023, e “166”, em 2024.

O seu trabalho mais cobiçoso e conceitual, “La Vida Era Más Corta”, foi lançado há um ano, meses depois de o artista fechar um contrato com a gravadora Sony. No álbum, Milo segmento de gêneros tradicionais porquê a chacarera, a milonga —gênero do Rio da Prata que antecedeu o tango— e as murgas, dando a eles uma roupas moderna.

O disco reúne participações importantes, entre elas a do rapper Trueno e a do cubano Sílvio Rodríguez, um dos mais conhecidos cantores da ilhota caribenha. Há ainda uma colaboração póstuma de Mercedes Sosa. Uma gravação feita em 2007, nos bastidores do teatro Gran Rex, para um projeto que nunca chegou a ser lançado, foi resgatada para “Jangadero”, filete que encerra o álbum.

A mistura de referências fez segmento de uma invenção pessoal que aconteceu durante a produção do disco. “Foi todo um caminho. Uma invenção própria”, diz ele em entrevista em São Paulo. “Sempre me caracterizei por fazer vários gêneros, mas dentro de um mesmo molde. E acho que com ‘La Vida Era Más Corta’ desbloqueei todo um mundo de porquê fazer música, de porquê compô-la, por onde levar as letras, porquê encaixar as mensagens.”

O movimento evoca uma tendência de voltar às raízes protagonizada por alguns artistas contemporâneos, porquê Bad Bunny com “Debi Tirar Más Fotos” e Jorge Drexler com “Taracá”, álbum imerso no candombe, ritmo afro-uruguaio.

Mas o resgate não é somente de estilo. Milo canta, com sua voz grave, sobre pertencimento, morte e identidade. O artista conseguiu driblar a barreira linguística e cultural que sempre distanciou o Brasil do restante da América Latina, construindo uma identidade que dialoga também com o público brasílico.

Ele se apresentou no segundo término de semana do Rock in Rio e depois aterrissou em São Paulo para duas noites esgotadas na Audio, porquê segmento da programação do festival Mucho! Ciudad Sonora. Na capital paulista, o público cantou as músicas a plenos pulmões, letra por letra, e a reportagem contou algumas dezenas de pessoas chorando em diversos momentos do show. Visivelmente mais à vontade do que no evento carioca, Milo interagiu bastante com a plateia e prometeu voltar.

“Eu não esperava de jeito nenhum o paixão que estou recebendo do Brasil. É uma loucura”, diz Milo. “Me fizeram restaurar a vontade de estar em turnê.” O artista conta que a música brasileira sempre teve poderoso influência em sua vida, principalmente a bossa novidade, o funk e o samba, e cita especificamente o rabi Barrão, da capoeira, e o álbum “Samba de Raiz”. “Um dos meus sonhos era trovar cá.”

Tímido, Milo não parece deslumbrado com a glória, tampouco nega o desgaste que sente com a exposição. “Nunca me dei muito com o roupa de minha vida ser pública”, afirma.

O rápido sucesso fez com que o cantor tivesse que deixar a escola, e ele reconhece que perdeu etapas de sua vida porquê jovem. “Minha mocidade se perdeu de alguma maneira. Também pela minha autocobrança, sabe? ‘Tenho que trabalhar, tenho que me destinar a isso.’ Existem muitos aspectos da vida que você vive em certa idade e que eu nunca tive.”

Mas Milo ressalta, logo em seguida, que não há do que se arrepender. “Vivi coisas incríveis com pessoas incríveis.”

“A música salvou minha vida. Não somente no sentido econômico, mas também foi um refúgio em muitos momentos em que talvez eu estivesse desejando não estar mais no mundo.”

A relação com a própria origem também atravessa seu trabalho. No álbum, Milo resgata a teoria de uma Argentina marrom. A vocábulo é usada de maneira pejorativa para falar de uma identidade frequentemente associada não somente à cor da pele, mas também à classe social.

“Acho positivo que isso seja discutido em 2026 porque, de outra maneira, isso se normaliza”, diz. “Para mim, a primeira cor da Argentina é o sidéreo e a segunda é o marrom”, afirma, acrescentando que tem recebido com muito exalo a quantidade de pessoas que apoiaram o noção e declararam ter orgulho da própria origem.

Em abril, Milo se tornou o artista mais jovem a gravar um Tiny Desk, da rádio americana NPR. Com uma orquestra de cinco músicos e ao lado do Agarrate Catalina, grupo uruguaio de murga que acompanhou vários trechos da turnê, Milo apresentou um set construído inteiramente sobre “La Vida Era Más Corta”.

O programa viralizou e serviu porquê mais uma alavanca na sua projeção, com mais de 19 milhões de visualizações. O Tiny Desk tem sido uma plataforma importante para catapultar carreiras de artistas latinos no cenário internacional. Antes de Milo, o duo prateado Paco Amoroso e Catriel também deslanchou depois a participação.

Um mês depois, o Prêmio Gardel, o principal da música argentina, consolidou de vez o estrelato de Milo. Com 12 estatuetas, ele foi o grande protagonista da noite e desbancou nomes consagrados da música argentina. Nesta semana, foi indicado a seis categorias do Grammy Latino, incluindo gravação e álbum do ano.

No mês que vem, Milo completa 20 anos. “Não estou pensando em um próximo projeto. Sinto que tenho que viver coisas, ver o que faço com a minha vida, desvendar uma novidade mensagem.”

De uma coisa, porém, ele já sabe: “Não quero fazer a mesma coisa. Tem uma coisa que eu odeio, que é que me rotulem. Quero buscar um som, mais do que um gênero”.

O cantor cita João Gomes, com quem se encontrou nos bastidores do Rock in Rio, e MC Hariel porquê artistas brasileiros com quem gostaria de realizar uma colaboração. E há indícios de que a parceria não ficará só no libido: depois a entrevista, Milo passou o resto da tarde no estúdio com o funkeiro e seus músicos.

O prateado toma o zelo de se contornar de pessoas que o lembram que ele é Camilo, jovem que veio de Morón. Leva a família e os amigos quando sai em turnê. Sua mãe é sua empresária, e sua mana mais velha, que na mocidade o introduziu ao mundo do rap, é sua stylist.

A turnê “La Vida Era Más Corta” será encerrada em dezembro, na Argentina, com o maior show da sua curso até agora, no estádio de Córdoba. Para o ano que vem, já existem planos de outras apresentações. Questionado se há momentos em que ele ainda custa a confiar onde chegou, Milo fica em silêncio alguns segundos.

“Não conseguir confiar também é um impedimento para aproveitar. Agora, busco isso: aproveitar. Que bom que estou cá. Que bom que o disco chegou até cá.”

Folha

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