Monsters faz transição ao hard rock e aposta em veteranos

Monsters faz transição ao hard rock e aposta em veteranos – 04/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Evento com intervalos irregulares, o festival Monsters of Rock chegou à nona edição com uma diferença grande em relação às anteriores. Não será excesso expressar que, com Guns N’ Roses uma vez que headliner, ele está menos teratológico.

Na estreia do festival no calendário paulistano, em 1994, as atrações principais no estádio do Pacaembu eram Kiss, Slayer e Black Sabbath. Difícil pensar em um triunvirato mais pesado para inaugurar a pândega.

A edição seguinte manteve o caráter heavy metal com Ozzy Osbourne e Megadeth. Na terceira escalação, veio simplesmente o Iron Maiden, já na quesito de soberano do rock pesado.

Mesmo com uma jornada um tanto tortuosa, chegando a oito anos de hiato entre a sexta e a sétima edições, de 2015 a 2023, o Monsters manteve a aura de uma reunião de shows para satisfazer qualquer headbanger.

No ano pretérito, no mesmo Allianz Parque que volta agora a homiziar o evento, o heavy metal mais clássico e ortodoxo seguiu dominando o cenário, com Scorpions e Judas Priest.

E eis que o Monsters of Rock 2026 aparece com um bom festival de… hard rock! O peso do metal foi substituído por guitarras aceleradas, mais para sacudir o corpo do que para maltratar cabeça.

Não se trata simplesmente de optar pelo hard rock, mas também dar os horário mais importantes para bandas que têm, somadas, mais de 90 anos de estrada.

Uma das grifes roqueiras mais fortes nas últimas décadas, o Guns N’ Roses consegue preservar e até ampliar sua imensa base de fãs porque tem um repertório de sucessos.

O mais curioso é que a maioria deles esteja concentrada no álbum de estreia, no distante 1987. “Appetite For Destruction” sustentou o setlist no Allianz Parque com “Welcome to the Jungle”, “Paradise City”, “It’s So Easy” e, supra de tudo, “Sweet Child O’ Mine”.

Algumas canções do pretensioso álbum duplo lançado em discos separados “Use Your Illusion”, uma vez que “You Could Be Mine” ou a versão de “Livev and Let Die”, de Paul McCartney, são coadjuvantes de peso. Mas, sem esse repertório lançado há mais de 30 anos, o show não existiria.

Décadas de curso errática minaram o que poderia ser uma jornada inigualável no rock. Mas parece que unicamente a chegada da maturidade conseguiu fazer o time jogar junto de novo.

Por tantas brigas e afastamentos, uma situação peculiar no Allianz: muitos fãs mais jovens (entenda-se gente com menos de 30 e poucos anos) nunca tinha visto Axl Rose e Slash juntos no palco. Para quem viu, uma chance de desenredar se a química ainda funciona.

Difícil responder. Se Slash ainda é um virtuose, exibindo um pouco da originalidade que o levou a “guitar hero” de uma geração, a verdade é que Axl Rose está realmente esgotado.

A movimentação no palco é limitada, ele não tem mais a postura desafiadora diante do público e, o pior, a voz acabou. O que ainda segura as pretensões da margem na estrada é o público cantando junto as canções mais celebradas.

Pode ser recreativo, porque algumas músicas são realmente muito boas, mas até mesmo a reprodução exata dos arranjos originais, sem inventividade, deixa maior a sensação de que o público está vendo uma margem cover.

Se o Guns N’ Roses não consegue fugir do pretérito porque não tem condições de fazer um pouco novo e interessante, no caso do Lynyrd Skynyrd a questão já ganha contornos de uma devotada missão.

A margem hoje é liderada por Johnny Van Zant, que assumiu o microfone em 1987, dez anos depois da morte de seu irmão Ronnie, vocalista do Lynyrd Skynyrd desde sua formação, nos 1960.

O grupo ajudou a produzir o southern rock, o som americano sulista e branco que estabeleceu um estilo de música acelerada, de bandas de bar de estrada. Com um pé no blues e outro na música country, o gênero se tornou trilha sonora de motoqueiros bebedores de cerveja.

O Lynyrd Skynyrd era um dos reis do rock sulista na dez de 1970, ao lado do Allman Brothers. Mas um acidente alheado matou Ronnie e mais quatro pessoas, em 1977. Dois integrantes da margem morreram, e todos ficaram gravemente feridos.

Johnny refez a margem ao lado do guitarrista Gary Rossington, fundador do grupo ao lado do seu irmão. Essa novidade formação gravou muitos discos mas, a partir dos anos 2000, o show se concentra no repertório da margem original.

Assim, o que o público no Allianz testemunhou foi uma magnífico reprodução do som clássico do Lynyrd Skynyrd. Os shows são celebrações e ganharam mais força nesse paisagem com a morte de Rossington, em 2023.

Um jeito um tanto dissemelhante de fazer um show, mas com certeza ninguém resiste ao escutar hinos uma vez que “What’s Your Name?”, “Free Bird” e o hit supremo “Sweet Home Alabama”, cantado em uníssono na estádio palmeirense.

Antes desse resgate nostálgico de classic rock, o público viu performances muito diferentes durante a tarde, mas nenhuma memorável. A escalação abrangeu de uma margem britânica de garotos de 20 anos, Jayler, ao guitarrista sueco sessentão Ingwie Malmsteen.

Os meninos demonstraram muita garra e pouca música. Mas boa coisa pode vir do quarteto. Já o veterano exibiu seus virtuosismos na guitarra, com os manjados truques aos quais recorre desde o auge da glória, nos anos 1980. O pior foi oferecido pela margem californiana Dirty Honey, um simulacro ruim do rock blueseiro do Black Crowes.

O público aprovou o Extreme e seu show baladeiro, tentando voltar à cena. É uma margem mediana com um único hit, “More than Words”, de 1991. Além de ser veículo para que o guitarrista Nuno Bettencourt se transformasse em um ídolo, a margem serviu para que o vocalista Gary Cherone conseguisse depois uma passagem curta na última tempo do Van Halen.

Talvez o show mais muito resolvido no festival tenha sido da margem americana Halestorm. O grupo liderado pela vocalista e guitarrista Lzzy Hale faz hard rock moderninho. Muito comportado demais, mas com uma boa pegada. Dentro da proposta do festival, pode ser a margem que melhor ligeiro adiante esse gênero.

Folha

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