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Na Copa, África deve ter recorde de seleções no mata mata
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Na Copa, África deve ter recorde de seleções no mata-mata – 25/06/2026 – Esporte

Marrocos e África do Sul se classificaram nesta quarta-feira (24) para a tempo de mata-mata na Despensa do Mundo. Outras cinco seleções africanas têm boas chances de progredir: Egito, Argélia, Gana, Costa do Marfim e Cabo Virente.

Se somente uma delas confirmar a classificação, esta será a Despensa com mais países africanos disputando o mata-mata. O número pode superar 2014 e 2022, quando duas seleções do continente avançaram para a tempo seguinte.

Já Senegal, com duas derrotas, e República Democrática do Congo, que perdeu para a Colômbia no fechamento da segunda rodada, têm poucas chances. Dependem de uma série de resultados na luta pelo terceiro lugar nos grupos para progredir.

Única eliminada até cá entre as equipes africanas, a Tunísia volta para lar depois a tempo de grupos.

Mesmo sem a maior secção das classificações definidas ainda, a Despensa de 2026 já será lembrada uma vez que a edição em que as seleções africanas chegaram mais competitivas do que nunca.

Esta edição do Mundial pode até reservar a primeira partida entre dois times africanos em Copas do Mundo, a depender dos resultados nas próximas fases.

Da surpresa de Cabo Virente, a um passo de se qualificar para o mata-mata em sua primeira Despensa, ao incremento sustentado do Marrocos, quarto lugar em 2022, as seleções mostram que a África estava sub-representada no Mundial.

Com o aumento de 32 para 48 seleções, abriu-se espaço para a presença recorde de 10 países do continente. Até logo, o supremo tinha sido de cinco times na mesma edição.

Para Marcus Roble, técnico em futebol da África e jornalista da Cazé TV e do Ponta de Lança, o formato anterior das eliminatórias era cruel e retirava do maior palco do futebol a variedade dos talentos africanos.

“São escolas muito diferentes dentro das regiões do continente, que é muito grande. Quantas seleções grandes, com tradição, não ficavam para trás no formato macróbio?”, questiona.

Ele avalia que a inclusão de quase todos os países da África no novo padrão das eliminatórias —a Eritreia decidiu não participar por questões políticas domésticas— estimulou o desenvolvimento das equipes: “Isso deu calendário para seleções que não tinham calendário. Deu competitividade, fez exigir mais nível. Se a seleção não ia disputar eliminatórias, qual incentivo ela tinha? Hoje, têm um projeto de futebol pensando em um dia chegar à Despensa do Mundo”.

Com um dos melhores times do continente, o Marrocos valoriza a posse de esfera. Chegou a 2026 querendo mostrar a ininterrupção de seu projeto, mesmo com a troca de treinador a somente três meses do Mundial.

“Existem ligas no Marrocos. É uma liga que vem crescendo muito, despontando com boa estrutura, bons estádios. É boa tecnicamente e coloca clubes em final de campeonatos continentais. Assim também é no Egito e na África do Sul, por exemplo”, afirma o técnico.

Ele diz que a chegada de mais seleções à Despensa e o aumento da atenção voltada para o continente faz com que o futebol africano deixe de ser visto uma vez que “exótico” ou “subalterno”.

Com a vitória de 4 a 2 em jogo duro com o Haiti, ontem, o Marrocos foi o primeiro país africano a prometer a classificação nesta Despensa. Já a África do Sul arrancou o 1 a 0 da Coreia do Sul e foi favorecida pela vitória do México sobre a República Tcheca.

Os dois países africanos terminaram em segundo lugar em seus grupos e avançam para a próxima tempo. A África do Sul enfrenta o Canadá no domingo (28), na tempo de 16-avos. O Marrocos aguarda para saber quem será o rival na partida de segunda-feira (29).

Nesta Despensa, o Marrocos quer se reafirmar uma vez que a grande potência africana no futebol mundial. O esporte é tão peculiar por lá que o hino pátrio, até logo instrumental, ganhou uma letra mormente para a participação do país na Despensa de 70, no México.

Uma das seleções mais vitoriosas do continente, o Egito também tem situação confortável no grupo G e garante a classificação se vencer o Irã, neste sábado (27). Em caso de empate, pode progredir a depender do resultado da partida entre Bélgica e Novidade Zelândia.

O Egito foi o primeiro país da África a jogar uma Despensa do Mundo, em 1934, e mantém um estilo de força no contra-ataque. Em sua quarta participação, pode passar da tempo de grupos pela primeira vez.

Também dependendo somente de seu próprio resultado, a Argélia precisa vencer a Áustria, no grupo J, enquanto Gana tem que lucrar da Croácia, no grupo L. Já a Costa do Marfim vai detrás de pelo menos um empate contra Curaçao, no grupo E.

Argélia, em 2014, e Gana, em 2006, já tiveram o gostinho de progredir para as oitavas. Em sua melhor campanha na história, Gana também chegou às quartas de final em 2010. Já para a Costa do Marfim, seria um feito inédito, em sua quarta participação em copas.

Cabo Virente, já em sua estreia na Despensa, pode seguir fazendo história. Se classifica para o mata-mata se lucrar da Arábia Saudita nesta sexta-feira (26) e a Espanha lucrar do Uruguai. Também tem boas chances de permanecer em segundo lugar se vencer, mas os adversários de grupo empatarem.

Na República Democrática do Congo, o técnico Sébastien Desabre disse que o time chegará para a última rodada da tempo de grupos “disposto a passar mais riscos”, o que sugere uma postura mais ofensiva. A seleção congolesa costuma ter um jogo mais estratégico e possante na resguardo.

O país precisa vencer o Uzbequistão e torcer pela itinerário de algumas seleções que disputam o terceiro lugar em seus grupos. São poucas as chances de progredir, mas, para Roble, seus jogos são sempre “duros”: “o Congo vende dispendioso a itinerário”, avalia.

Se conseguir passar, terá um desempenho muito melhor do que em sua única participação anterior, ainda com o nome de Zaire, em 1974. Naquele ano, perdeu as três partidas da tempo de grupos, sendo uma delas contra o Brasil.

O técnico de Senegal Pape Thiaw também diz confiar na classificação, apesar da situação difícil do país depois duas derrotas no grupo I, seu pior desempenho em três participações em copas. Nas anteriores, Senegal chegou às quartas de final em 2002 e nas oitavas, em 2022.

Com uma campanha aquém do esperado, Senegal depende de uma vitória contra o Iraque, nesta sexta-feira, além de torcer por uma série de resultados na disputa pelo terceiro lugar em outros grupos.

Vistos em conjunto, o desempenho universal dos melhores países africanos até cá é muito parecido com o dos adversários mais eficientes de cada grupo.

Isso inclui domínio da esfera no jogo, desarmes bem-sucedidos, impedimentos marcados e número de cartões amarelos.

Nos jogos do Haiti, por exemplo, o Marrocos teve mais posse de esfera (69%) do que o Brasil (56,7%). Na disputa direta entre os dois países, no primeiro jogo do grupo C, a posse de esfera do Brasil foi levemente superior (51,4%).

Enfrentando adversários que priorizaram se segurar na resguardo, Portugal e Argélia também registraram domínio de esfera semelhantes (75,4% e 72%), respectivamente, contra Congo e Jordânia.

Outro fundamento importante na qualidade técnica dos times é o percentual de passes corretos, que nos países africanos com melhor desempenho também é muito parecido ao dos adversários que tiveram maior rendimento até cá.

Entre os times africanos, Argélia e África do Sul lideram o percentual de passes corretos em um único jogo. Inglaterra e Portugal tiveram o melhor aproveitamento nesse quesito entre os adversários dos times africanos.

No caso destas quatro seleções e da Espanha, foram mais de 90% de passes corretos. A maioria das equipes envolvidas nos jogos de times africanos oscilaram entre 80% e 90% de precisão nos passes.

Já a média de gols marcados é superior no grupo de adversários, mesmo que os números não sejam tão díspares. É, portanto, a secção ofensiva que ainda segura algumas seleções africanas na Despensa, com a falta de um atacante “camisa 9”.

Folha

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